6 erros comuns na adoção de TIC

Pressão, orçamento reduzido, equipe menor, crise, lançamento de produto, sair à frente da concorrência. Não importa qual seja o cenário, o CIO sempre é desafiado a escolher e implantar a melhor tecnologia para suportar o momento pelo qual a companhia passa; tarefa nada fácil, sobretudo, quando os usuários querem algo o mais rápido possível.
Tais condições criam um ambiente propício a erros e, se não estiver atento a todos os processos, o gestor pode se desvirtuar do caminho e, depois, levar a culpa por algo não entregar os resultados esperados. Em conversa com Luís Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis, ele listou os seis erros mais comuns durante a adoção de TIC. Confira a lista e leve isto como algumas dicas do consultor para melhor tocar o seu dia a dia:
1 ? Pensar no curto prazo
O especialista, neste ponto, chama a atenção para quando surgem projetos que precisam ser implantados e não estavam previstos no plano original. ?Na verdade, o erro é a falta de planejamento?, comenta. Ele lembra que grande parte das empresas não tem um plano diretor de TI. ?Em geral, a TI vê a demanda e implanta, faltam os planos de médio e longo prazos.? Essa correria é bastante comum em corporações de capital aberto, que precisam entregar resultados trimestrais e, muitas vezes, sacrificam alguns processos de implantação de tecnologia para suprir uma necessidade momentânea. Nesses casos, o CIO precisa agir com pouco recurso e em tempo recorde.
2 ? Seguir a moda
Essa dica não é só para a TI, mas para o negócio como um todo. ?O risco tem que ser sempre assumido. E como isso se diferencia? TI é um segmento em que a velocidade de inovação é constante e o ciclo é mais curto. Os fabricantes são prova disso. Então, adote, mas sabendo que tem um pico de expectativa enorme?, ensina. Para Minoru, as empresas precisam ser mais seletivas. Muitas corporações correm para aderir a uma tecnologia antes da concorrência e acertam, outras pagam pelo ?pioneirismo?.
O especialista cita o exemplo de uma companhia que, na elaboração de uma estratégia móvel para adoção de tablet e smartphone, não tinha homologado dispositivos iOS num primeiro momento. Por pressão da alta direção, a TI cedeu. Dois meses depois, eles tiveram que alterar e voltar ao plano original, um dos problemas foi o fato de o ERP não estar totalmente preparado para rodar em iOS.
3 ? Adotar pela beleza tecnológica
A lição aqui é simples, não se deixe levar pelos belos discursos de solucionar todos os seus problemas, principalmente, quando uma tecnologia é recém-chegada no mercado. Um dos casos contados pelo diretor de consultoria vem de uma construtora. A empresa aderiu ao modelo de virtualização de desktop (VDI) para toda sua estratégia de data center (DC) logo que a tecnologia chegou ao mercado. A ideia era não ser vulnerável na ponta. ?Mas a empresa pegou algumas obras onde a conexão (com internet) era ruim e as pessoas não conseguiam acessar?, lembra. No final das contas, o gestor precisou reavaliar todo o planejamento com 90% da solução em operação. ?A consumerização influencia muito nessa pressão pela beleza. Usuário pede, mas a condução da empresa pede que exista uma análise minuciosa antes da implantação.?
4 ? Adotar sem treinar o usuário
Este problema pode ocorrer em diversas situações, inclusive, quando se adota uma tecnologia pela moda ou por sua beleza; acelera implantação e se esquece de mostrar ao usuário como tirar proveito da solução. ?Hoje, o treinamento fica como se fosse uma bola dividida. Tem a necessidade de se criar cultura, pode ser atribuição do RH, da área de negócio, isso não está claro no plano?, comenta Minoru. Para o especialista, se a TI tomar essa responsabilidade para si, ganhará pontos na empresa e estará ainda mais próxima do negócio.
5 ? Abrir mão de desempenho e experiência do usuário a qualquer custo
?A área de TI tem meta de 300 projetos, verba para 200 e braço para 150. Se a avaliação da área é por implantação, acaba-se adotando o que couber no orçamento?, avalia o diretor de consultoria da PromonLogicalis. E isso é mais comum do que se imagina. Nesse processo, quem perde é a empresa e o usuário. Tome como exemplo a implantação de um sistema de telefonia IP com videoconferência. No melhor dos mundos, o CIO optaria por uma solução de alta resolução e aparelhos robustos, além da facilidade de manuseio. Com menos dinheiro, pouco tempo e pressionado a entregar o projeto, o executivo recorre a um produto inferior, com menos conectividade e que não permite a participação de várias pessoas. Assim, lá se vão as métricas de desempenho e experiência do usuário.
6 ? Falhar na execução da estratégia
Não basta ter um plano estratégico, é preciso colocá-lo em prática. Em várias ocasiões, o problema não é orçamentário. De 2010 para 2011, por exemplo, muitas companhias elevaram seus orçamentos de TI e, ainda assim, a implantação não aconteceu. De acordo com Minoru, existem algumas razões para isso: a TI pode não ter tido tempo para preparar equipe ou mesmo não ter tido tempo para escrever a requisição de proposta (RFP). O departamento de tecnologia está mais voltado para o rollout dos projetos e para manter a operação. Já o departamento de compras de uma empresa, nem sempre dá conta de cotar e analisar tecnologias. ?A TI precisa qualificar (as tecnologias), mas não tem tempo, assim, acaba terceirizando este trabalho.?
