CIO do SBT opta por soluções simples para lidar com consumerização

Há muito tempo a TI corporativa deixou de ser a propagadora de tecnologias emergentes. É fácil encontrar usuários que possuem em suas casas equipamentos mais sofisticados que os oferecidos pelas empresas para as atividades do dia a dia. O barateamento dos dispositivos favoreceu muito essa curva e, mais recentemente, contribuiu muito para essa onda de consumerização. Mais interessante é o fato de o movimento não ser liderado apenas por funcionários das novas gerações, diretores e gerentes querem usar seus equipamentos para tomada de decisões. Assim, cabe ao CIO fazer algo para se adequar, tendo em vista disponibilização de sistemas e segurança da informação.
No SBT, o CIO Nelson Carpinelli brinca dizendo que foi pego de surpresa. ?Não estávamos prontos para isso. Não tínhamos nem a rede sem fio?, lembra. O movimento dentro do SBT teve um estopim com mudanças na diretoria e, com novas pessoas, demandas diferentes surgem e uma delas foi justamente para o acesso sem fio.
Mais que isso, Carpinelli assistiu a chegada de diversos tablets na empresa, trazidos, sobretudo, pelos executivos que viajavam muito ao exterior. Quando chegavam à emissora, o desejo era acessar tudo pelo dispositivo. E o que fazer? O padrão para email e telefonia móvel estava em BlackBerry e a mobilidade estava atrelada, também, aos laptops. O primeiro passo foi trabalhar numa solução para levar o email para o iPad. Sim, o dispositivo escolhido pelos executivos foi o da Apple e esse ?padrão? se estabeleceu.
?Em nossa visão de empresa, trata-se de um movimento sem volta. Quem falar que vai contra, dificilmente continuará vivo, e não falo só do CIO, a empresa que não se modernizar, não continuará viva?, avalia Carpinelli. ?Minha sugestão é ir para guerra, pensar, fazer e colocar nas agendas. A gente permite o uso, talvez não assuma, mas permite.?
E o CIO foi realmente para guerra. Para os executivos (diretoria e uma parte da gerência), além do email, ele liberou acesso ao ERP ? eles utilizam Oracle ? via virtualização. Foi um movimento bastante acertado já que, criar uma aplicação nativa demandaria tempo e investimento e eles estão perto de atualizar a versão do sistema. Com a manobra, basta o executivo baixar o Receiver, da Citrix, para ter o fluxo de aprovação no tablet. ?Sistemas antigos o acesso será a partir do Receiver. Não dá para converter ou criar versões. Para novos sistemas, colocamos como pré-requisito rodar em dispositivo móvel.?
Quem também se beneficiou desse movimento foi a equipe de jornalismo da emissora. A última versão da plataforma já veio pronta para iPad e muitos profissionais, especialmente, os correspondentes internacionais, conseguem enviar conteúdo para emissora a partir de um tablet a qualquer hora e de qualquer lugar. E isso vale não apenas para textos mas, também, vídeos em alta definição.
Como os executivos já não querem mais o laptop para diversas tarefas, Carpinelli reuniu TI, RH, Jurídico e Financeiro para debater o assunto e chegar a um conjunto de regras. Hoje ele até tem uma política, mas foram linhas gerais para não estar num ambiente de consumerização sem qualquer tipo de regra. ?Não achei que deveria fazer sozinho. Se houve não, será o não da empresa e não do Nelson.?
Na questão da segurança, o CIO sabe que muito do trabalho está ligado à educação do usuário e ele confidenciou que já promove algumas ações de conscientização. Embora não estejam focadas apenas na questão dos dispositivos móveis, elas abrangem o tema segurança de maneira geral, com orientações sobre acessos, senhas, spam, entre outros.
