O gerenciamento de dispositivo móvel está morto?

O gerenciamento de dispositivo móvel (MDM, da sigla em inglês) é, na minha forma de pensar, um dos direcionamentos mais importantes ? senão vital ? em mobilidade. Embora a definição precisa sobre o que é MDM não tenha chegado a um consenso, pense essa solução como uma extensão da rede e do gerenciamento operacional para uma variedade de dispositivos que estão em sua rede corporativa, onde é possível tratar tudo, desde a política até o provisionamento, segurança, redução de custo de rede, entre outras dezenas de funções.
Assim como outras soluções de gestão se tornaram essenciais para TI ? como gestão de rede e de aplicativos -, inclusive sendo classificadas como de missão crítica em organizações de diversos tamanhos, MDM está posicionado como o próximo passo de evolução vital nas operações de TI.
Seria isso mesmo? Em conversa recente com Adam Blum, CEO da RhoMobile, companhia que possui uma ferramenta para desenvolvimento de aplicativos móveis, ele afirmou que sua companhia conseguiu algo que pode antecipar a morte do gerenciamento de dispositivo móvel. Não quis levar muito a sério, em parte porque acredito muito em solução de MDM e, particularmente, porque esse tipo de software começa a emergir com mais de 60 fornecedores neste momento. As oportunidades parecem ser imensas. E ele diz que isso vai morrer? Será que entendi direito?
O argumento de Blum é simples: se você pode desenvolver aplicações que são inerentes ao gerenciamento, graças à aplicação de ferramentas de desenvolvimento e distribuição de aplicações, então, o MDM, de fato, pode ser embutido nos aplicativos. Isso pode até funcionar, mas, para ser sincero, apenas mudamos a localização e isso somente altera a definição do MDM, não o mata em definitivo. Assim, na minha perspectiva, posicionar o fim do MDM é muito mais uma jogada de marketing.
Diante desta situação, acredito também que uma das principais razões para este ser um assunto ainda não bem resolvido em mobilidade é a estratégia de aplicações móveis. Tudo bem que a abordagem de aplicativo pode ter diversas frentes, mas não há surpresa. Os fornecedores de plataformas móveis e smartphones utilizam aplicativos para diferenciar suas ofertas e o código de execução local tem um vasto histórico de Roots. Quem se importa se o computador em questão cabe dentro do bolso. Há um suporte inegável para esse modo de operação, mas acredito que mudaremos para uma alternativa que já está presente na TI: serviços baseados em nuvem.
E a principal razão para isso é que os aplicativos corporativos usualmente pedem acesso para uma vasta quantidade de dados, onde questões logísticas acabam dominando rapidamente (baixar todos os dados para um dispositivo móvel ou mesmo sincronizar essas informações se torna pesado. Existe ainda uma questão financeira), garantindo que fornecedores de ferramentas como a RhoMobile possam, realmente, com um custo pequeno, entregar os aplicativos ainda que seja necessário uma implantação multiplataforma.
Mas o que seria mais simples para implantar o aplicativo: web ou serviço de nuvem / escrito ou rodando em qualquer lugar? Muitos aplicativos locais já estão como front-ends para serviços web. HTML 5 pode ser a chave aqui, mas ainda tenho esperança que isso, aliado a uma grande disponibilidade de operadoras móveis e capacidade, no formato de serviços 3,5G/4G e acesso Wi-Fi, fará da estratégia algo óbvio.
Aplicativos pessoais? Deixe-os armazenados localmente. Mas os aplicativos corporativos que mais são implantados são soluções de colaboração residentes em nuvem. Espero que a comunidade de software como serviço (SaaS, da sigla em inglês) adote esta direção e, novamente, muitos gestores de TI já estão com uma estratégia de cloud e implantando até mesmo com ausência de ferramentas móveis.
Devo concordar que, no curto prazo, a combinação das duas estratégias será a solução de escolha para implantação de projetos de mobilidade, principalmente pela demanda do usuário e pelos benefícios de custos como aumento de produtividade.
*Craig Mathias é o principal executive do Farpoint Group, companhia de aconselhamento em mobilidade e tecnologia sem fio com sede nos Estados Unidos.
