FGV investe em nova plataforma para melhorar EAD

A FGV decidiu abandonar o sistema de suporte ao ensino Moodle e partir para a implantação de uma plataforma de aprendizagem integrada da canadense Desire2Learn. A ideia é contar com algo mais colaborativo e que possa ajudar os professores na compreensão de necessidades específicas de cada aluno, resultando em uma tutoria de mais qualidade.
Muitas das funcionalidades trazidas pelo novo software já existiam no Moodle que a FGV utilizada, mesmo porque, o sistema havia sido bastante personalizado para ser aderente à proposta de ensino da instituição. E aí você deve se perguntar: por que, então, a troca? E a resposta do vice-presidente do Instituto de Desenvolvimento Educacional da FGV, Stavros Xanthopoylos, é bastante simples: ?O custo era muito alto por ser customizado e a tecnologia já estava ultrapassada. E o nosso core não é TI, mas educação. O que vale não é criar sistemas, mas ter empresas que nos forneçam isso?.
O momento vivido pela FGV reflete um pouco do que o mercado de educação tem passado. De um lado, você tem alunos com acesso a diversas fontes de conhecimento e ávidos por mudanças nos processos educacionais. Do outro, instituições e professores que precisam adaptar-se rapidamente não só para manter o aluno, mas, também, para que o modelo educacional não se torne obsoleto. E nesse caminho de transformação, a tecnologia tem sido uma grande aliada.
Na própria FGV isso já é testado há 19 anos, quando eles começaram a implantar um sistema de ensino a distância a partir do uso de videoconferência, chat, fóruns, entre outros. E ao longo desses anos eles vieram, como lembra Xanthopoylos, desenvolvendo modelos de ensino com características únicas. ?Agora, o professor poderá acompanhar o aluno, verificar um a um se vai bem, se tem dificuldade. Já fazíamos isso, mas em uma ferramenta adaptada.? Esse acompanhamento mais personalizado é propiciado, entre outras coisas, por um BI embarcado na plataforma.
Para chegar à Desire2Learn, a instituição desenhou um modelo e chegou a uma lista de mais de uma centena de requerimentos que a solução escolhida deveria atender e a empresa canadense tinha aderência superior a 90%. No final do processo, três empresas foram para a final. ?Mas a Desire2Learn trouxe o que precisávamos com flexibilidade, capacidade de resposta, pesquisa, visão de vanguarda e possibilidade de fazer tudo a quatro mãos no futuro?, detalha o VP.
O projeto é bastante grande e deve levar em torno de dois anos para ser concluído. Na primeira fase, que deve ser entregue nos próximos seis meses, boa parte das ofertas do FGV Online estarão na nova plataforma. Na sequência, eles contemplarão os demais cursos à distância, inclusive os de educação executiva, além de iniciarem a implantação nas nove escoladas da FGV, onde o sistema será uma grande ferramenta de suporte ao ensino, até pelo acesso móvel e possibilidade de distribuição de materiais e promoção de fóruns de discussão.
Como explica Betina von Staa, responsável pelo desenvolvimento de negócios na América Latina da Desire2Learn, a principal característica da plataforma é a flexibilidade. ?Ela vem transformar o processo educacional com uma ferramenta centrada no aluno, em como ele gosta de aprender, ajudando a compreender necessidades específicas de cada um. É uma plataforma perceptiva e móvel?, comenta.
Entre as eventuais barreiras ou desafios que o projeto pode enfrentar, ambos citam a questão cultural, e Xanthopoylos frisa que será preciso construir um processo de gestão de conhecimento para a instituição como um todo. ?É um processo de longo prazo e os resultados vão aparecendo a cada ação de curto prazo?. Já Betina, embora acredite que a mudança cultural seja um desafio, lembra que a instituição que busca uma plataforma como essa já tem interesse em um projeto de transformação, ou seja, é um desafio e também um desejo. ?A implantação é consultiva e estamos sempre juntos, funciona bem, mas a mudança de cultura é lenta.?
