Serasa Experian migra ERP para melhoria de processos

Em 2010 nasceu o primeiro projeto de uniformização do sistema de gestão financeiro da Serasa Experian no Brasil. O plano, que faz parte de uma estratégia global da TI para uniformizar sua plataforma tecnológica junto às demais operações da Experian, tinha um foco bem definido: transferir suas aplicações para um ERP eficiente.
Até que não foi tão difícil encontrar o caminho certo. No segundo trimestre daquele ano a equipe de TI da Experian deu início ao detalhamento do projeto por meio de um trabalho de análise sobre as soluções disponíveis no mercado. Um dos pontos levados em conta foi a própria dimensão do que a companhia pretendia fazer e o que o fornecedor tinha a oferecer. Resultado: o sistema de gestão Oracle E-Business Suite foi a escolha da operação local.
?Optamos por este ERP até mesmo por já ser um padrão global da empresa. Não podemos esquecer que a gente, enquanto Serasa, faz parte da Experian, presente em 40 países?, conta Lisias Lauretti, CIO da companhia Brasil. O sistema contratado atualmente é utilizado pela Experian em 25 nações.
O projeto, que teve duração de 11 meses para as fases de implantação e customizações da versão R12 do sistema de gestão corporativa, veio para suprir necessidades como a ineficiência no processo de contas a pagar e receber, como menciona o executivo. ?Tínhamos muitas coisas com controle manual, que não eram naturais do sistema que operávamos e que no próprio ERP da Oracle já é uma funcionalidade em toda parte de controle, relacionamento com empresas de cobrança, controles diretos e indiretos.?
Para que os ganhos fossem percebidos em curto prazo envolveu-se uma equipe de aproximadamente 54 profissionais, incluindo consultores da Serasa Experian e especialistas na plataforma Oracle da Tata Consultancy Services (TCS), responsável pelo desenvolvimento e customização da ferramenta. Os profissionais da consultoria estavam espalhados em centro localizados no Brasil, na Índia, nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Com oito grupos distintos trabalhando em conjunto para fazer a entrega da solução, o CFO da TCS no Brasil, Bruno Rocha, classifica o esforço como um trabalho interessante e complexo. ?Obviamente o grande desafio numa gestão de projeto que envolve culturas diferentes é o trabalho de organizar o projeto em torno dessas pessoas para entregar dentro do tempo proposto?, considera.
O principal ponto de partida para entregar o projeto com qualidade e dentro das necessidades do cliente partiu do conhecimento que a TCS tinha da plataforma Oracle. Além disso, Rocha explica que a empresa tem modelo de trabalho de entrega global que possibilita fazer a entrega de projetos complexos como este, envolvendo diferentes culturas e fusos horários.
De acordo com o CFO da Tata, existem diferentes frentes alinhadas aos módulos que a empresa está entregando. ?Cada um tem sua particularidade em termos de desenvolvimento de projeto, é um trabalho grande de customização junto com localizações particulares do Brasil.?
Os projetos anteriores desenvolvidos pela TCS para o Grupo Experian contribuíram significativamente para que o projeto no Brasil fosse entregue dentro do prazo e do orçamento. O CFO destaca que os centros de entrega na Índia e no Brasil trabalharam de forma integrada, com foco em processos e metodologias globais, sempre com o objetivo de garantir o nível máximo de qualidade.
A migração contemplou ao todo cinco módulos do setor financeiro, sendo eles: AC (Advanced Collection), AR (Account Receivable), GL (General Ledger), INV (Inventory) e Cash. Uma série de processos foi agregada para resultar em agilidade, qualidade e integração no fluxo de informações, bem como na redução de custos. ?Estaremos 100% alinhados com as métricas globais da empresa?, avalia o CIO da Serasa Experian.
Resultados
Com a solução no ar há pouco tempo, Lisias Lauretti assume que antes tinha buracos de funcionalidades e, hoje, assiste a uma melhora em toda a parte de atendimento ao cliente, por exemplo, que antes dependia de um trabalho indireto.
A própria área de cobrança já sente os bons resultados da uniformização do sistema de gestão. ?Hoje, meu diálogo com eles e com os bancos para efeito de recebimento e pagamento ficou muito facilitado. Teriam vários pontos onde eu poderia dizer eu tinha essa capacidade e hoje tenho essa, como isso foi a primeira entrega de um projeto maior ainda estamos em ritmo de finalizar projetos?, conclui o executivo. ?Só lembrando que de alguns anos para cá estamos num mercado muito mais massificado e nossa estrutura de sistema foi concebida para um mercado mais de atacado, então essa plataforma nova nos traz uma condição muito diferente.?
Antes do projeto, a Experian Brasil, na prática, tinha uma série de sistemas legados que eram utilizados para fazer serviços da parte de contas a receber e cobrança. De acordo com Lauretti, eram basicamente soluções domésticas. ?Nossa opção [de migração] é todo processo do fluxo de vendas. O fim da linha, do fluxo?, finaliza.
Desafio de mercado
Saber escolher o fornecedor de ERP pode ser crucial para o bom andamento do projeto, caso contrário a empresa pode não colher bons resultados. Um estudo da Panorama Consulting Group mostra que 93% dos projetos de ERP levam mais tempo que o esperado para ficarem prontos. Quase dois terços (59%) das implantações custam mais que o inicialmente planejado. E apenas 13% dos respondentes se consideram ?muito satisfeito? com o resultado.
Entre os principais desafios das empresas entrevistadas no estudo está a falta de adesão dos funcionários, com quase 40%. Outro terço identificou a ?falta de conhecimento em ERP? como um grande problema. E uma vez implantado o sistema, mais de metade (57%) dos participantes ainda tiveram problemas operacionais. Apenas 21% realizaram 50% ou mais dos benefícios previstos.
Pesquisa realizada pela Accenture com 371 grandes corporações em 34 países separou as empresas em dois grupos, de acordo com o desempenho financeiro – em um bloco, ficaram as que tiveram maior margem de lucro e crescimento de faturamento no ano; no outro, as demais.
O resultado é que as empresas de melhor desempenho enxergam o ERP como uma ferramenta que dá diferencial aos negócios. Para o estudo, 70% das companhias deste grupo disseram que os sistemas de gestão são substancialmente ou largamente um caminho para a diferenciação, e não uma commodity. Já no outro bloco, apenas 38% deram esta resposta.
