Empresas adaptam iPads às suas necessidades

A experiência da Waste Management com as atualizações do sistema operacional do tablet ensinou que utilizar tablets de consumidor significa não ter o tipo avançado de avisos sobre atualizações de códigos e novas funções, como acontece com software corporativo. Além do problema com o carregador, os fornecedores do tablet Android enviaram atualizações de sistema operacional que quebraram o código customizado escrito para aqueles dispositivos, fazendo com que a Waste Management corresse para revisar os códigos.
Para empresas usando ou pensando em adotar iPads, o foco singular da Apple na experiência do usuário significa que os negócios não terão tudo o que desejam.
Por exemplo, na Royal Caribbean, eles gostariam de desativar completamente as câmeras do iPad, porque não querem que as fotos tiradas por um hóspede estejam no dispositivo quando o próximo hóspede chegar. Mas a Apple não permite que as câmeras sejam facilmente desabilitadas, por isso, a equipe de TI da Royal Caribbean teve de desenvolver uma opção que permite apagar os arquivos da câmera remotamente. Martin considera uma solução nada elegante.
A distribuidora global de eletrônicos, Avnet, começou a testar iPads em um de seus depósitos, em novembro, e realizou “cirurgias” para adaptá-los às necessidades da empresa, contou Sean Valcamp, diretor de arquitetura de TI da Avnet. A empresa desabilitou o iTunes para que as pessoas não pudessem baixar aplicativos. Desabilitou, também, o Bluetooth e outras funções desnecessárias para prolongar a vida da bateria. Para a surpresa de Valcamp, os funcionários do depósito conseguem utilizar os dispositivos por até 3 dias sem necessidade de recarga, já que o tablet roda apenas os aplicativos necessários.
Empresas que utilizam aplicativos nativos do iPad também tiveram de ajustar ao uso da App Store, da Apple. A BoardVantage gostaria de avisar imediatamente seus clientes quando vai lançar uma nova versão ou função de seu aplicativo, mas pode levar entre uma semana e dez dias para a Apple aprovar uma alteração de aplicativo. Uma vantagem da App Store, de acordo com Ruck, é que, assim que o aplicativo é aprovado, os clientes podem atualizá-lo sem dificuldades por meio do iTunes.
Aplicativo Nativo X Web: Depende
A Avnet está testando o iPad para uso em áreas restritas, onde produtos pequenos são armazenados e é difícil instalar um terminal. Antes, um funcionário ficava em pé em um terminal e gritava o número de série do produto que buscava naquele depósito. Com o iPad, ele pode inserir os dado ou scanear um item usando a câmera e o aplicativo reconhece o código de barras.
A Avnet desenvolveu a funcionalidade como aplicativo web baseado em HTML5, que utiliza o navegador Safari, do iPad. Valcamp acredita que os aplicativos web são a melhor opção porque são uma extensão da arquitetura orientada a serviço, da Avnet. “É mais um dente na engrenagem”, disse ele.
Mas outras empresas estão desenvolvendo aplicativos nativos. Taylor descreve o aplicativo do Level 3 como uma mistura, já que usa uma abordagem de serviços para puxar dados de um sistema interno.
O atrativo de um aplicativo web é que empresas podem criá-lo uma vez e rodá-lo em qualquer tablet via navegador. É verdade que um aplicativo web é mais fácil de manter do que aplicativos nativos para iPad e diversos dispositivos Android, de acordo com Kamp, da Accenture, mas esse senso comum não se faz completamente verdadeiro devido às variações nos navegadores. Aplicativos nativos, geralmente, são mais ágeis, e existe certas coisas que não é possível fazer com aplicativos web, como aproveitar completamente as funções do dispositivo, como câmera ou GPS, ou as capacidades gráficas do tablet.
A maioria das empresas irá optar pelo híbrido, prevê Kamp, quando os leves códigos do aplicativo nativo recebem dados de um aplicativo web e sua aparência é otimizada para um tablet em particular. Essa abordagem simplificada reduz gastos com desenvolvimento; e as empresas podem alterar os dados que os usuários do aplicativo recebem sem passar pelo processo de aprovação da Apple, já que o código nativo se mantém igual e as mudanças ocorrem em back end.
Outra abordagem que as empresas estão usando para enviar conteúdo aos tablets é desktop virtual, geralmente o Citrix Receiver. Uma nota de cautela com essa tática: mantenha as expectativas reais, porque a experiência pode variar muito de acordo com o aplicativo.
O St. Joseph Healthcare descobriu isso usando o Citrix para permitir que os médicos acessassem o software de registros clínicos.
Os médicos não pediram permissão da TI para usar iPads, apenas passaram a usá-los com o software de acesso remoto ao desktop, GoToMyPC, instalado no tablet para ver registros clínicos armazenados em PCs. Para controlar melhor a situação, a TI ofereceu a opção Citrix. Conforme foi implantada, a TI explicou aos médicos quais softwares ofereceriam melhor experiência em Citrix. Avisou que imagens de radiologia, por exemplo, não teriam qualidade para diagnóstico. Hoje, o fornecedor de registros clínicos do St. Joseph oferece um aplicativo para tablet baseado em web, que a TI está testando.
Aproveite a especialidade dos desenvolvedores
Contratar um grupo de desenvolvedores iOS não é a forma como a maioria das empresas lançam iniciativas de tablet, já que a combinação de expertise de desenvolvedor móvel e TI corporativa é tão rara. Em vez disso, a Waste Management pegou desenvolvedores Java, com habilidades móveis mínimas, e os transformou em uma equipe Android. Os melhores profissionais de TI gostam de aprender novas habilidades e abrir o leque de oportunidades na carreira. Childress viu isso energizar a equipe da Waste Management.
Para a iniciativa do iPad, a Level 3 fez uma mistura de novas contratações e treinamento. A Avnet usou a equipe local, que já tem cerca de 20 aplicativos móveis. Algumas empresas confiam e dependem, completamente, de terceiros.
Mas tenha cuidado com terceiros. Só porque alguns desenvolvedores têm ótimas referências em habilidade de design, não significa que eles possam fazer o trabalho de integração e segurança que os negócios precisam, ou compreendem a escala dos aplicativos corporativos.
“É um mundo pior do que o Velho Oeste, especialmente quando se trata de corporações”, disse Martin, da Royal Caribbean. A empresa que a operadora de cruzeiros contratou para desenvolver o aplicativo para iPad foi a Four Winds Interactive, a mesma que criou os painéis digitais interativos para os navios em 2010. Alguns concorrentes têm mais experiência com o iPad, mas a Four Winds conhece o negócio da Royal Caribbean. “O iPad é apenas um painel digital” com mais capacidade, disse Martin.
Segurança e Gerenciamento
Segurança sempre é uma preocupação. Mas muitas empresas estão descobrindo que os softwares de gerenciamento de dispositivos móveis prontos – dos mesmos fornecedores que usam para gerenciar o iPhone, empresas como a Good Technology, AirWatch e BoxTone – dão conta do trabalho.
Os softwares MDM permitem limpar dados remotamente de tablets perdidos, atualizações remotas e configurações de políticas baseadas nos cargos dos profissionais. Na Holly Hunt, por exemplo, a maioria dos profissionais trabalhando nos depósitos tem configurações travadas, que permitem que eles acessem apenas certos aplicativos, mas os líderes das equipes de depósito tem acesso à Internet. Nenhum deles tem permissão para baixar aplicativos.
A Avnet não usa nenhum software MDM para seus tablets em depósito, e desabilitou certas funções e aplicativos com suas “cirurgias”.
Valcamp alerta contra complicar demais o estágio piloto da iniciativa tablet. Se a Avnet expandir seus testes, de oito para 25 e depois muitos outros depósitos, talvez faça mais sentido automatizar o processo de check out – hoje feito à mão, assinando um papel. Mas antes da Avnet ir além, é preciso estar satisfeita com o resultado da iniciativa, tornando o trabalho das equipes de depósito mais eficiente.
MDM é um mercado sem domínio, no momento. Embora exista um bom número de empresas já estabelecidas, nenhuma delas está próxima de dominar. E as funções que cada fornecedor oferece mudam rapidamente, portanto, não é algo que a TI possa implantar e deixar de se preocupar.
Não se esqueça da câmera
Na Holly Hunt, Goodrich levou alguns iPads para o depósito e pediu que os funcionários os experimentassem. Eles, imediatamente, começaram a usar a câmera. As equipes de depósito da Holly Hunt tinham de decidir se aceitavam ou não mercadorias. Eles começaram a fazer vídeos curtos com o iPad e enviar para os compradores, que então decidiam se aceitavam ou não o produto. “É uma decisão muito cara”, disse Goodrich.
No ateliê de protótipos da Holly Hunt, em Chicago, as pessoas começaram a criar vídeos e fazer web chat com os colegas nas fábricas da empresa, no Texas, discutindo a possibilidade das ideias.
Os tablets são subestimados em capacidade de vídeo, mas isso não dura muito quando as pessoas começam a assistir filmes do Netflix em seus tablets.
“É a libertação de um monstro que nunca vimos antes”, prevê Scott Snyder, presidente da empresa de serviços profissionais, Mobiquity. Ele acredita que o uso da função videochat vai explodir, já que é mais fácil e mais natural que o Skype, Facetime ou outros tipos de chat parecidos usados no PC.
