Inovação e Insight como alicerces do Design Thinking

É fácil pensar que as grandes ideias surgem do nada, onde uma mente brilhante consegue ter grandes ideias sem muito esforço

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10:00 am - 16 de setembro de 2016

Para entender o Design Thinking, é preciso primeiro entender o que é inovação. É muito fácil confundir criação com inovação. Para representar e ilustrar as diferenças, vamos pensar da seguinte forma:

Ideia + Ação = Criatividade (Criação)

Criação ou criatividade é a junção de ideia e ação. Ter uma ideia, colocá-la em prática e agir para materializá-la é o que define a criatividade. Ideias surgem com frequência, muitas delas são identificadas e registradas para garantir a sua autoria. Isto ocorre pelo registro de patentes.

Ideia + Ação + Resultado = Inovação

Já a inovação é quando se acrescenta a obtenção de resultados à criatividade. Ou seja, ao juntar ideia + ação + resultado temos o que é considerado inovação. Pegar uma ideia, colocá-la em prática e com isto obter o resultado desejado é o que caracteriza uma inovação.

Os resultados podem ser os mais diversos, variando de acordo com o público-alvo da inovação e o tipo de retorno (resultado) que é esperado, podendo ser financeiro, de desempenho, social, ecológico, humano, etc.

Inovação ≠ Invenção (patente)

A grande diferença observada entre inovação e invenção (patentes) é que uma boa ideia, ou seja, a invenção, é o caminho para a inovação, que só é considerada quando a invenção tem uma aplicação prática que traga resultado. Vale lembrar que a ideia vem primeiro.

Outro conceito por trás da inovação é o processo criativo, também chamado de ideação, quando as pessoas se juntam na busca por ideias para a solução de algum problema ou o atingimento de objetivo. Normalmente há uma diretriz ou meta que norteia o processo criativo. Quando surgem as ideias e estas estão relacionadas a um objetivo conhecido, esta é chamada de insight.

É fácil pensar que as grandes ideias surgem “do nada”, onde uma mente brilhante consegue ter grandes ideias sem muito esforço. Porém, na realidade, ter ideias que sejam realmente úteis para a resolução de problemas ou para trazer um resultado requer que estas surjam de forma consciente, pensada e consistente.

É necessário observação para conseguir conectar problemas às soluções conhecidas (invenções). Para entender melhor, comparo abaixo instinto, intuição e insight, bases da inovação:

● Instinto: Comportamento animal, inconsciente (defesa da vida).
● Intuição: “voz interna” que ocorre no subconsciente (passa pelas emoções); pressentimento.
● Insight: Processo cognitivo que ocorre de forma consciente; habilidade de conectar as coisas.

O insight é obtido com a junção de três grandes dimensões do pensamento que podem ser incentivadas e trabalhadas. São elas as observações etnográficas (o que vejo e ouço); o conhecimento tácito (o que conheço); e as inferências (o porquê).

1. Observações Etnográficas (o que vejo e ouço)

Persona: Etnografia é tanto o estudo descritivo da cultura dos povos (sua língua, raça, religião, hábitos, etc.) quanto o das manifestações materiais de suas atividades. É a ciência das etnias.

2. Conhecimento tácito (o que conheço)

Pesquisa: É o conhecimento que o indivíduo adquiriu ao longo da vida, pela experiência. Geralmente é difícil de ser formalizado ou explicado a outra pessoa, pois é subjetivo e inerente às habilidades de uma pessoa.

3. Inferências (o porquê)

Cognição: Operação intelectual por meio da qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras.

Cada dimensão do insight pode ser associada a habilidades, as quais fazem parte do perfil de um inovador (também conhecido como Design Thinkers).

*Lucas Ricardo Mendes de Souza são especialista da Inmetrics.

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