Fundador do Pirate Bay cria app de mensagens imune a programas de vigilância
<p>Aplicativo usa criptografia end-to-end que dificulta ao prestador do serviço ter acesso às informações trafegadas</p>

O co-fundador do The Pirate Bay, Peter Sunde, está trabalhando no
desenvolvimento de uma aplicação de mensagens e serviços de mobilidade,
preparada para ser imune a operações de vigilância. A Heml.is – que significa “segredo” em sueco -também será fácil de usar, promete.
O aplicativo será inicialmente desenvolvido para Android e iOS. Ele fornecerá criptografia end-to-end, o que significa que as mensagens serão criptografadas com chaves geradas nos dispositivos do usuário final e o prestador do serviço não terá acesso à informação trafegada.
A ideia de criar o Heml.is veio após as recentes revelações da mídia sobre o alcance dos programas de vigilância da Agência de Segurança Nacional dos EUA e outras agências governamentais, disse Sunde na quarta-feira (10/7), por e-mail. “Nós não podemos aceitar ser tão monitorados!” disse.
Não há muitas opções para tornar as mensagens móveis seguras, diz Sunde. Existem aplicações seguras, mas não sistemas inteiros que poderiam ser considerados seguros, continuou. Há questões que envolvem a infraestrutura na qual esses aplicativos estão sendo executados e o país em que tal infraestrutura está localizada, disse.
“Somos, infelizmente, o único grupo concentrado em uma abordagem completa, e não apenas na tecnologia”, afirmou Sunde. A infraestrutura utilizada para a Heml.is, explica, será baseada em
áreas de jurisdição escolhidas especificamente para maximizar a
proteção do usuário.
Diferentes organizações irão possuir diferentes partes da
infraestrutura – os servidores e dados –, visando proteger a
privacidade dos usuários. O financiamento para o serviço virá
somente dos usuários.
Ele não terá anúncios e será gratuito para uso, mas as pessoas poderão pagar para desbloquear recursos extras como envio de imagens por meio do serviço, além das mensagens de texto.
“Precisamos ter a certeza de que as pessoas sabem que não podemos fazer isso sem o dinheiro delas, e nós não podemos recorrer a anúncios ou outros tipos de financiamento além do pagamento direto dos usuários, uma vez que isso comprometeria a segurança deles também”, disse Sunde.
Esta ideia é baseada na premissa de que se você não está pagando por um serviço, então você é o produto real – já que muitos prestadores de serviço gratuito cobrem seus custos explorando, de alguma forma, dados sobre seus usuários.
A equipe do Heml.is inclui Peter Sunde, Linus Olsson (CEO da Flattr, um serviço de doação online cofundodo com Sunde), e Leif Högberg, CTO do Flattr.
A equipe anunciou o projeto e lançou um arrecadador de fundos na terça-feira (9/7). Quase 40% da meta de 100 mil dólares foi levantada em menos de 24 horas.
O aplicativo será baseado no Extensible Messaging and Presence Protocol
(XMPP) para comunicação e Pretty Good Privacy (PGP) para criptografia.
