Lições de negócios digitais do mundo da Fórmula 1
Um dos principais facilitadores tecnológicos, do ponto de vista de uma corrida, é a análise de dados

Além
do agito intenso dos testes de início de temporada, o mundo da Fórmula 1 é muito conhecido por sua inovação
tecnológica e pelos avanços que posteriormente são aproveitados pelo setor
automobilístico. Os exemplos incluem inúmeras inovações relacionadas a motores,
transmissão, freios e segurança.
Com
toda a importância que a transformação digital tem nos negócios, o que o mundo
da Fórmula 1, onde os resultados são medidos em milésimos de segundo, pode nos
ensinar sobre as novas tecnologias e como gerenciá-las, combiná-las e
otimizá-las para oferecer vantagem competitiva?
De acordo com Matt Harris, diretor de TI da Mercedes AMG Petronas Formula One Team, existem vários objetivos que sua equipe
precisa atingir. Em primeiro lugar, a meta da TI é dar suporte e aprimorar os
negócios como um todo. A equipe de F1 não vende nada, já que o
“produto” neste caso, anda na pista. Por esse motivo, a TI foca no
fornecimento e na operação de tecnologias indispensáveis para a performance dos
carros na corrida, para o website da equipe e os fã-clubes online em todo o
mundo.
Por isso, a utilização de redes sociais, telefonia
móvel, análise de dados em tempo real e cloud computing entram em cena, em um
conjunto diversificado de cenários. Apenas se considerarmos os fã-clubes nas
redes sociais, a equipe possui mais de 10,5 milhões de fãs no Facebook e mais
de 1,2 milhão de seguidores no Twitter.
A mobilidade, a análise de dados e cloud
computing têm funções específicas nos aspectos de operação da corrida e também da
base de fãs, já que a organização gera aproximadamente 6 TeraBytes de dados por
dia e um adicional de ½ TB nos finais de semana em que as corridas ocorrem.
Tudo se resume à análise de dados
Um dos principais facilitadores tecnológicos, do
ponto de vista de uma corrida, é a análise de dados. De acordo com Harris, a
equipe coleta hoje mais informações em um único fim de semana de corrida do que
a soma da coleta em todos os fins de semana de corrida entre 1998 e 2006. Com cerca
de 16 a 19 provas por temporada, isso representa um volume de elementos
coletado 150 vezes maior em comparação com os anos anteriores.
Seja a temperatura ou o desgaste do pneu, ou
vários outros fatores, a equipe está sempre buscando a melhor forma de medir e
aprimorar esses dados. Isso geralmente significa coletar elementos de resolução
maior, mas ao mesmo tempo há um esforço para tornar os sensores mais leves e
precisos. Com uma média de 200 sensores utilizados em cada um de seus carros F1 W06 Hybrid durante o Grande Prêmio, o peso dos automóveis é medido em frações
de gramas. Durante os treinos às sextas-feiras, é possível que sejam utilizados
ainda mais sensores, já que a equipe coleta informações sobre a aerodinâmica e
outros fatores que podem auxiliar no aprendizado e na otimização da performance
no dia da corrida.
De forma muito parecida com o mundo corporativo,
a coleta e a análise de dados na F1 é sempre um consenso sobre o quanto você
pode consumir, o que avaliar e a agilidade que pode operar com base em suas
informações. A FIA, órgão regulador deste esporte, impõe regras
relacionadas ao uso de elementos de telemetria e também a quantidade de membros
da equipe que podem de fato ir para a pista, enquanto o uso de sensores é
limitado em várias áreas, para que as equipes não possam utilizar codificação
de software enganosa para burlar as regras. Além disso, as equipes agora só
podem ter até 60 membros na pista, ao contrário dos mais de 100 em anos
anteriores. Logo, isso significa um número limitado de olhos para observar os
dados.
O interessante é que quando o assunto é
monitorar os sinais vitais dos pilotos, a equipe utiliza uma abordagem mais
analógica, com comunicações verbais entre o piloto e o pit lane, ao contrário do grande número de sensores automatizados nos
veículos. Portanto, este é um caso no qual se aplica a tecnologia onde ela pode
gerar o maior impacto, em vez de tentar medir e digitalizar tudo o que for
possível.
Uma das inovações mais recentes relacionadas ao
uso de telemetria pela equipe foi a capacidade de baixar dados de telemetria dos
carros de corrida via WiFi utilizando o espectro de 5 GHz por meio da parceria com a Qualcomm. Isso
permite à equipe “utilizar melhor os treinos reduzidos e a dedicação de um
tempo maior nos testes da configuração do veículo”. A mudança para o
espectro de frequência mais alta de 5 GHz permite uma transferência de informações
muito mais rápida, incluindo aquelas geradas pelas imagens das câmeras térmicas
nos pneus.
Buscando os próximos elementos facilitadores
de tecnologia
Portanto, quais são os facilitadores de tecnologia
adicionais que a equipe utiliza além das redes sociais, telefonia móvel,
análises de dados e cloud computing? Como a equipe está aplicando elementos facilitadores
como a Internet das Coisas (IoT), impressão 3D e aprendizado de máquina (ou machine learning)?
A Internet das Coisas entra em cena com a utilização
de sensores pela equipe. A importância, conforme descrito anteriormente, não é focada
apenas na coleta de dados para melhorar a velocidade, a eficiência e a
segurança dos veículos, mas também na otimização das características físicas
dos sensores e do seu posicionamento no ambiente dos carros de corrida. Essa é
uma lição valiosa para o mundo corporativo de como pensar de maneira estratégica
sobre quais sensores de IoT você necessita, onde posicioná-los e como as
informações podem gerar resultados em tempo real.
De acordo com Harris, a equipe está na vanguarda
da impressão 3D há cerca de 15 anos, se não mais. É um contraste com as grandes
organizações de hoje que, em sua maioria, estão apenas começando a explorar e
implementar esta tecnologia. Nos próprios carros de corrida, a equipe utiliza a
impressão 3D há aproximadamente seis anos para alguns dos componentes menos essenciais,
como itens que não suportam carga, por exemplo.
O aprendizado de máquina e a análise preditiva
são parte de uma área na qual Harris quer continuar evoluindo nos próximos
anos. A equipe está interessada na descoberta de quais são as novas informações
geradas por computador e que podem ser fornecidas aos analistas humanos, para a
pesquisa constante de novas perspectivas e ideias.
No que diz respeito às inovações automotivas,
Harris espera ver tecnologias eficientes, como os sistemas de recuperação de
energia, de fato migrarem para os carros de passeio, da mesma forma que as
inovações em segurança foram adotadas pela indústria automotiva há alguns anos.
É claro que algumas das atuais inovações em carros de passeio, como recursos de
condução autônoma e determinados sistemas de segurança, não migrarão
intencionalmente na outra direção, isso porque a F1 também coloca o elemento
humano em primeiro lugar considerando a habilidade e capacidade do piloto.
Performance de líder mundial
Neste ano, a Mercedes AMG Petronas Formula One
Team conseguiu o primeiro e o segundo lugares no Campeonato de Pilotos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg respectivamente, e o primeiro lugar no Campeonato de Construtores.
Uma lição interessante que podemos aprender
sobre a estratégia de TI deles é que, para alcançar uma performance de líder
mundial nos negócios, você não precisa necessariamente ser um líder mundial em
cada facilitador de tecnologia. É mais um caso de ser (ou se esforçar para
tornar-se) um líder mundial e inovador nas áreas mais importantes, além de ser
um rápido competidor nas demais.
Essa notícia deve encorajar os departamentos de
TI das empresas que buscam uma posição de vanguarda comercial digital a partir
das tendências de tecnologia mais recentes. Escolha o mix de facilitadores de
tecnologia de que precisa para ter sucesso, faça suas apostas e implemente seus
recursos apropriadamente.
(*) Nicholas D.
Evans lidera o
Programa Estratégico de Inovação da Unisys
