SDN é um novo paradigma?
No mercado há mais de três anos, só agora este conceito chegou de forma definitiva, arrebatando as atenções em todo mundo. Por quê?

Está bastante claro que a acelerada proliferação dos
dispositivos móveis e do Big Data vem demandando processos de
virtualização e de distribuição de serviços e soluções em uma nova
esfera – que, de forma estrutural ou macro, chamamos de nuvem. Embora
recente, o conceito e a metodologia de consumo e tarifação em cloud já
está se difundindo e muita cultura foi criada.
Mais
rápido do que se esperava, a discussões, que giravam primordialmente em torno da adoção de nuvens
públicas e privadas, ganhou maiores proporções. Agora, todas as
discussões são voltadas para nuvem híbrida.
Isso significa dizer
que o mercado começa a se preparar para que, em um futuro próximo, as
empresas tenham seus modelos de oferta de TI sendo
levados ao usuário final de forma self service, provisionada e com
tarifação mensal. Olhando para este cenário, que parece obscuro em um
primeiro momento, mas óbvio em seguida, torna-se possível entender
porque se fala tanto em SDN (Software Defined Network, rede definida por
software). No mercado há mais de três anos, só agora este conceito chegou de
forma definitiva, arrebatando as atenções em todo mundo.
Virtualização em todo o ambiente de TIC
Com
o reconhecimento do valor dos modelos de virtualização de servidores e
desktops, percebeu-se que o ambiente de TIC poderia ter muito mais serviços
virtualizados, de maneira programada, gerenciada e monitorada, de forma muito
mais rápida, eficiente e com menor custo. O SDN tem como conceito básico
abstrair a complexidade de cada componente da rede e automatizar os
mecanismos de switching, routing, definição de QoS, balanceamento de
carga, storage e segurança em plataformas únicas e padronizadas,
chamadas de Hypervisor’s.
Através desta plataforma, recursos,
políticas e regras aplicáveis a cada um dos elementos citados (roteador,
switch, etc.), podem ser modificados em segundos. Isso é feito por
software e com interfaces amigáveis. O que pode proporcionar um ganho fantástico, não
fosse o fato de os fabricantes implementarem o conceito utilizando
formas e arquiteturas diferentes de seus concorrentes. O objetivo desta
estratégia é preservar os interesses e o market share de cada fornecedor, uma vez que todos sabem que seu futuro depende de sua visão SDN.
Os
motivos técnicos para essa realidade são claros. Tomemos como exemplo a
movimentação de um servidor virtual do rack A para o rack B. Pare e pense: quanto tempo demoraria para realizar essa
operação equacionando, ao mesmo tempo, as regras de segurança do
firewall e do balanceamento, a identificação de todas as portas físicas
dos switches, e muito mais detalhes? Algumas horas, talvez dias? Com SDN implementado da
forma correta, esta movimentação acontece em minutos.
Software assume tarefas de hardware
O momento
atual é de atenção e ainda muitas padronizações a serem consolidadas,
desde o fluxo na camada de rede criando as novas e automáticas redes
virtuais até o orquestrador – o elemento capaz de tratar este ambiente,
depois de longa e complexa programação, planejamento e implementação.
Não podemos esquecer, ainda, os gateways ou controllers, capazes de
conectar o novo ambiente SDN ao legado tradicional. Afinal, ninguém
pensa em migrar toda a rede para o novo conceito.
Note,
ainda, que este modelo está mudando radicalmente o discurso dos
tradicionais fabricantes de hardware de rede. Muitos dos mecanismos de
definição de rota, comutação, tratamento de QoS e políticas de segurança
que aconteciam em hardwares parrudos e específicos terão, agora, suas
funções realizadas em camadas mais altas de software, instalados em
maquinas virtualizadas.
Em viagem ao passado e entrando em alguns
detalhes um pouco mais técnicos, o SDN me faz recordar os idos anos 90.
Era a época do ATM (Asynchrnous Transfer Mode), que criava circuitos
virtuais (Privados e Comutados) e, na contrução da rede,
definia a necessidade ou não de maior ou melhor QoS. Para
completar, o LEC (Lan Emmulation) emulava o ambiente tradicional, para
permitir interconexão entre redes ATM e não ATM (caso das redes
Ethernet).
O SDN tem mecanismos muito semelhantes, mas com forma de
tratamento e tamanho de pacotes muito diferentes desses padrões do
passado.
Padrões
Como aconteceu no passad,
também agora fabricantes se juntam e criam grupos de padronização, fazendo com que
gigantes líderes de mercado se posicionem. Eles estão tentando trazer e
criar um novo padrão de controle de fluxo, além de basear a estratégia
de divulgação na aplicação.
Trata-se de uma briga que sequer
começou e ainda não podemos dizer onde vai parar. O que podemos afirmar é
que o SDN já esta sendo implementado e é realidade, com foco muito
direcionado ao Data Center – neste caso, os chamados SDDC (Data Centers Definidos por Software). É bom lembrar que o SDN, algo que diz respeito
primariamente à rede, também agrega valor a dispositivos de segurança,
balanceadores, storage, etc. Naturalmente, essas soluções irão alocar
recursos de rede e da infraestrutura.
Mais eficiência do ambiente de TIC
O
SDN, que nasce como um monstro de sete cabeças e características muito
exclusivas, vem na verdade simplificar e aumentar a eficiência dos
ambientes de TIC, preparando este universo para o cenário virtualizado
atual e, principalmente, para o uso de informação globalizada e
independente, baseada em cloud computing.
Os profissionais mais
experientes notarão o amadurecimento e a revitalização turbinada de
mecanismos já vistos. Para os executivos há menos tempo no mercado, a
chegada do SDN é um momento especial para criar conhecimento e
experiência em uma área digital e virtual. Mais do que nunca, conhecer o
negócio final da corporação usuária será fundamental na arquitetura,
provisionamento e definição de ambientes de TIC.
Do lado dos
fabricantes, é muito gratificante poder participar, mesmo como
expectador, deste processo de reinvenção de todo o mercado. É
espetacular vê-los fazer uso da tecnologia que eles mesmos inventaram
para disseminar e tornar viral suas novas estratégias comerciais e de marketing.
(*) Paulo Henrique Pichini é CEO e presidente da Go2neXt Cloud Computing Builder & Integrator
