Big Data: quando os carros falarem

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10:43 am - 12 de junho de 2013

Já aconteceu com você? Você está viajando pela estrada, seguindo o fluxo, quando um motociclista de repente ultrapassa pela faixa do meio e você é quase atingindo na lateral a 90 km/h. Situações como estas muitas vezes resultam em acidentes de trânsito. E aquele motociclista aventureiro não é o único perigo na estrada. Todos nós já encontramos alguém que está digitando uma mensagem distraído ou motoristas embriagados nas estradas.

Não seria bom receber um alerta quando os condutores estiverem se aproximando? E um sistema de alerta precoce que lhe dá tempo suficiente para tomar medidas defensivas?

Hoje as tecnologias existem para que isso aconteça, como a cientista da Intel Jennifer Healey deixou claro em uma recente palestra do TED sobre os benefícios potenciais de carros que “conversam” entre si. Ao receber dispositivos digitais ? incluindo sistemas de GPS, câmeras estéreo, rádio de curto alcance e buscadores a laser de alcance em duas dimensões em sistemas de backup automático ? para trocar dados e trabalhar em conjunto, uma estrada com veículos se comunicando se torna uma possibilidade.

“No futuro, com a troca de dados entre os carros, seremos capazes de ver não apenas três carros à nossa frente, (mas também), três carros atrás, à direita e à esquerda, todos ao mesmo tempo”, disse Healey. “Nós vamos realmente ser capazes de ver o interior desses carros. Nós vamos ser capazes de ver a velocidade do carro em frente e saber o quão rápido esse cara está indo.”

Com algoritmos e modelos preditivos, carros capazes de trocar dados poderão prever futuros eventos também. Os pesquisadores da Intel estão inclusive modelando  os ?estados do condutor” com uma série de três câmeras que detectam um motorista olhando para a frente, olhando para baixo ou tomando uma xícara de café.

“Podemos prever o acidente, e podemos prever quais carros estão na melhor posição para se moverem para fora do caminho”, afirmou Healey.

Os fabricantes de automóveis, é claro, estão gradualmente adicionando recursos de automação para os veículos, incluindo tecnologias assistentes de estacionamento e sistemas anticolisão que podem ser acionadas automaticamente nos freios de um carro para evitar acidentes. E os carros de teste de autocondução do Google poderão um dia nos permitir deixar a condução inteiramente com as máquinas.

A ideia de veículos se comunicando um com o outro leva o conceito do  carro conectado um pouco mais longe. Através do compartilhamento de dados sobre a posição e a velocidade dos carros na estrada ? e talvez até mais detalhes sobre as pessoas que os controlam ? dirigir poderia ser muito mais seguro.

“Então, como vamos chegar lá? Podemos começar com algo tão simples como compartilhar nossos dados de posição entre os carros”, comentou Healey. “Compartilhando apenas o GPS. Se eu tiver um GPS e uma câmera no meu carro, eu tenho uma ideia muito precisa de onde eu estou e quão rápido estou indo.”

Obviamente que a Intel não é a única empresa trabalhando em tecnologias de conexão entre carros. A Ford, por exemplo, está desenvolvendo sistemas vehicle-to-infrastructure (V2I) e and vehicle-to-vehicle (V2V) que alertam motoristas sobre situações de trânsito potencialmente perigosas, tais como quando um carro está prestes a ultrapassar um semáforo vermelho, segundo informou a empresa. A tecnologia de segurança de automóvel da Ford também atualiza semáforos convencionais e leva informações para a rede conectada de carros através de um “cruzamento inteligente” que monitora os sinais de trânsito, dados de GPS e mapas digitais. Ele usa essas informações para detectar perigos em potencial e transmitir avisos para os veículos.

Apesar de que poucos motoristas seriam contrários a estradas mais seguras, o compartilhamento  de dados dos carros poderia infringir algo que a maioria de nós valoriza muito: a privacidade.

“Fundamentalmente, estas tecnologias existem hoje. Acho que o maior problema que enfrentamos é a nossa  real vontade de partilhar esses dados”, comentou Healey. “Eu acho que é uma ideia muito estranha pensar que nossos carros vão estar nos observando, contando sobre outros carros. E que estaremos dirigindo por uma estrada como se fosse um mar de fofocas.”

O que você acha? Se os carros trocassem informações nossas estradas seriam mais seguras?

 

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