Especialistas em nuvem debatem futuro da rede definida por software

Rede definida por software (SDN, da sigla em inglês) tem figurado na categoria “vem aí” por vários anos, mas durante um painel de discussão no Interop, evento que acontece nos Estados Unidos, o debate se deu em torno do que irá realmente acontecer quando, finalmente, essa tendência se instalar nas empresas.
Frequentemente, SDN é classificada como um acontecimento único que apagará todas as tecnologias de rede já existentes, quando, de fato, “as bases já estão aí”, afirma Eric Hanselman, analista chefe da 451 Research.
O objetivo da SDN é tornar mais fácil a configuração e reconfiguração da rede em software, mais até do que em hardware, com muito mais funcionalidades de rede migradas de um mundo de capacidades embarcadas em um appliance para a realidade da definição por software. Os sistemas de redes estão migrando nesta direção na medida em que as redes seguem a mesma trilha da virtualização como servidores e storage, explicou o analista. E, no final do dia, a ideia é oferecer ao data center mais flexibilidade em associação com computação em nuvem.
Grandes data centers operados por companhias como Google e Facebook “já trazem esses atributos de SDN”, acrescentou Martin Casado, chefe de arquitetura de rede na VMware. “Eles fizeram isso primeiro porque são grandes”, afirmou, e não apenas por serem os únicos a valorizarem a flexibilidade prometida pela SDN.
A Microsoft tem aprendido muitas lições com isso por meio dos serviços em nuvem como o Azure, informou Rajeev Nagar, gerente do programa de rede para Windows. “A escala muda tudo”, alertou. “Quando você aciona e ativa e desativa milhares de redes por dia, é impossível fazer manualmente, tornando a automação essencial.”
O terceiro integrante do painel, Rajiv Ramaswami, vice-presidente executivo e gerente-geral de infraesturtura e rede na Broadcom, vê a necessidade de “redes mais rápidas e estáveis” para suportar a demanda crescente por comunicações máquina-máquina (M2M, da sigla em inglês). Os fabricantes de chip de rede estão na parte inferior da cadeia quando se pensa em um ecossistema que será completamente estratificado, com mais capacidades de hardware disponíveis para manipulação por meio de software.
A discussão em torno de quanto acesso uma aplicação deveria ter às funções básicas de uma rede foi um dos principais pontos do debate. Casado argumentou que “quanto menos a aplicação tiver que saber da rede, melhor para todos”. Ainda assim, um sistema para rede pode tornar essa infraestrutura mais flexível.
Nagar, da Microsoft, afirmou que poderia ser verdade, de forma geral, mas aplicações como o Lync podem realmente extrair benefícios de desempenho a partir da habilidade de reconfigurar as redes. Aplicativos de análise de dados também poderiam ter benefícios, já que eles precisam de uma grande movimentação de dados.
Dos três, Casado era o mais cético em relação ao como irá desenvolver-se a SDN e como ela afetará a organização de TI.
