Navegando em grandes locais fechados

Depois de ser despejado como navegador padrão do iPhone, o Google está rindo à toa com os problemas de mapeamento documentados pelos usuários da Apple. A empresa está lutando com mais recursos de navegação, boa parte destinado a locais fechados. E uma boa quantidade dos maiores fabricantes de dispositivos móveis e provedores de serviços de celular se uniram para desenvolver um padrão para a navegação em áreas internas, um esforço que nem o Google nem a Apple estão inclusos.
A tecnologia para a navegação em interiores será pouco diferente da que é utilizada para áreas externas. Ao ar livre a navegação confia, boa parte, no GPS, o que geralmente atinge de 1 a 10 metros. Em espaços internos, por causa da atenuação do terreno e dispersão do sinal, o GPS cai por terra. E, mesmo em áreas externas, o GPS é desafiado, porque apenas cerca de um terço consegue identificar precisamente a altitude do usuário, uma vez que dizer o ponto do terreno em que você se encontra.
Em outras palavras, mesmo se você conectar a um sinal no interior de um lugar, será improvável que o GPS saberá identificar se você está conectando do primeiro, segundo ou terceiro piso de um shopping center.
Por isso, a navegação em interiores, ao confiar no GPS para identificar sua localização, precisa de outras tecnologias para conduzir você. A tecnologia My Location, do Google, utiliza torres de telefonia celular próximas a você para identificar quando o GPS não estiver disponível.
Embora a triangulação de sinal de celular ofereça algumas soluções para áreas internas, isso não é totalmente preciso. Portanto, cada vez mais, sistemas de navegação em interiores, como My Location, estão completando os sinais de telefones celulares com informações obtidas em spots de Wi-Fi.
Entretanto, levará certo tempo para mapear locais com informações sobre comparativas dos sinais de Wi-Fi em diferentes pontos.
Algumas propostas pretendem adicionar vigas de localização que podem ser utilizadas por Bluetooth, WiMax e outros padrões de rádio ao redor de áreas internas para ajudar atualizar ou corrigir a compreensão de sua localização pelo sistema.
Ainda assim, mesmo com todos esses sinais a rádio, saber exatamente onde o usuário de telefone móvel está localizado dentro de um shopping é complicado. Então os desenvolvedores iniciarão a incorporação de informações de sensores com o telefone, como giroscópios que determinam direção, acelerômetros que contem os passos e sensores de pressão atmosférica para fornecer e estimar a altitude.
Benedetto Vigna, vice-presidente executivo e gerente geral de grupo de MEMS analógicos e sensores em STMicroelectronics, explica que o sensor de rádio por aproximação, em que “basicamente confiar nos sensores do sistema e, de vez em quando, checar com um sinal sem fio” é o caminho a ser percorrido, porque reduz o consumo de energia em comparação com a aproximação que se baseia em acesso constante do sinal de rádio.
Mike Stanley, engenheiro de sistemas na Freescale Semiconductor, concorda. Ele diz que pode não parecer, mas “carregar usando rádio constantemente prolonga a vida útil da bateria”. Claro, ambas as empresas fazem os sensores MEMS necessários para tal navegação, para que eles tenham uma participação no sucesso. Mas, considerando os menores requisitos elétricos, digamos, um giroscópio com três eixos-cerca de seis miliampéres é um bom argumento.
Enquanto isso soa como muita tecnologia para entregar a algo que é necessário apenas ocasionalmente, a boa notícia é que a maioria dos smartphones de hoje já vêm totalmente carregados com grande parte dos hardwares necessários.
O Samsung Galaxy SIII, por exemplo, Vigna diz que possui todos os sensores e que muitos outros celulares estão perdendo justamente os sensores de pressão. Então, na maior parte, é uma questão de arrumar o software para telefones e coletar informações adicionais, como a localização de pontos de Wi-Fi, das áreas internas.
Claro que isso ajudaria se esses sistemas estivessem padronizados, então os usuários de iPhones poderiam ir aos mesmos shoppings que os de Androids. Mas, enquanto essa padronização não está muito próxima de acontecer, a navegação em áreas interiores de fato chegará. “Estimava a boom dessa tecnologia a acontecer entre 2013 e 2014”, diz Stanley, “Mas isso já está acontecendo”.
Tekla S. Perry é editor sênior da Revista IEEE Spectrum
