Até 2018, computadores verão, ouvirão, tocarão e sentirão gostos e cheiros, diz IBM

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9:02 am - 18 de dezembro de 2012

Se há 15 anos pensar em celulares com capacidade de processamento superior a antigos data centers já era considerado um salto de evolução quase que inimaginável, assim como cloud computing era uma teoria transformadora, os próximos cinco anos nos revelam movimentos ainda mais aterradores. E segundo uma perspectiva publicada nesta semana pela IBM – em sua tradicional lista de previsões anual – nos próximos cinco anos, computadores serão capazes de ver, ouvir, tocar e sentir cheiros e gostos. Estas cinco habilidades trarão a Era dos Sistemas Cognitivos.

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Não é desconhecida a estratégia da companhia baseada em no conceito “mais inteligente”, como ofertas das linhas Smarter Cities, Smarter Computing e Smarter Buildings, entre outras. E não podemos esquecer que já faz quase dois anos que seus parrudo sistema de inteligência artificial cognitiva, o Watson, venceu o Jeopardy, em uma competição de perguntas a respostas travadas com humanos.

De fato as coisas estão mudando. Segundo Sugata Mitra, professor de Tecnologia educacional na Escola de Educação, Comunicação e Ciências de Linguagem da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, em cinco anos o celular vai desparecer, e toda a tecnologia embarcada no dispositivo, assim como o acesso ao Google, pode ser transferida para o cérebro humano, causando uma revolução total na forma como a tecnologia é consumida e como o ambiente educacional é formatado.

A chegada desse processo ao universo comercial, com o lançamento da assistente pessoal Siri, há um ano, já indicou um movimento, segundo especialistas, ainda inimaginável para o futuro, no qual dividir homem e máquina, digital e físico, serão coisas tão difíceis quanto separar cérebro e pensamento, alma e corpo.

Na visão da IBM, a Era dos Sistemas Cognitivos poderá gerar uma série de aplicações comerciais, que ajudarão tanto indústrias quanto elevarão o padrão de vida humano. “Esta nova geração de máquinas vai aprender, adaptar-se, sentir e começar a experienciar o mundo como ele realmente é”, disse a companhia em um comunicado.

“Estas novas capacidades vão nos ajudar a nos tornar mais atentos, produtos e nos ajudarão a pensar – mas não pensaremos por nós mesmos. O sistemas computacionais cognitivos vão nos ajudar a ver através da complexidade, manter-nos em dia com a velocidade da informação, tomar decisões mais informadas, melhorar nossa saúde e padrão de vida, enriquecer nossas atividades e quebrar todos os tipos de barreira, incluindo distancia geográfica, linguagem, custo e inacessibilidade”, diz o material. Cientistas da companhia de todo o mundo trabalham para esse movimento, explicou a companhia.

Veja os detalhes abaixo:

 

  • Toque através do telefone. Imagine usar um smartphone para comprar o seu vestido de noiva e conseguir sentir o cetim ou seda utilizados para material? Aplicações que estão em desenvolvimento para o varejo, saúde e outros setores usam hápticos (sensores táteis), infravermelho e tecnologias sensíveis a pressão para simular toque, como por exemplo a textura e a trama de um tecido. “Esta tecnologia vai se tornar algo comum em nosso dia a dia, transformando telefones móveis em ferramentas de interação natural e intuitiva”.

 

  • Visão: um pixel valerá mais do que mil palavras. Nós tiramos mais de 500 bilhões de fotos todos os anos. Setenta e duas horas de vídeo são publicadas no Youtube a cada minuto. O mercado de medicina diagnóstica baseada em imagem deve movimentar US$ 26,6 bilhões no mundo em 2016. Computadores hoje apenas entendem a fotos por conta do texto utilizado para descrevê-lo – mas a maior parte da informação, que é o verdadeiro conteudo da imagem, é um mistério. Nos próximos cinco anos, sistemas serão capazes de olhar e reconhecer contexto de imagens e dados visuais. “Eles transformaram os pixels em significado”, diz o documento. Esta capacidade será ainda mais expressiva dentro do campo médico, pois a correlação de informações visuais permitirá que médicos identifiquem e tratem doenças de forma mais rápida e com mais acuracidade.

 

  • Ouvir além das orelhas. Até 2016, um sistema distribuído de sensores inteligentes vai detectar elementos, tais como o som da pressão, vibração e ondas em frequências diferentes. Ele vai interpretar essas inserções de conteúdo para prever quando as árvores cairão na floresta ou quando um terremoto for iminente. Um sistema que recebe esses dados vai levar em consideração outras modalidades, tais como informações táteis e visuais, para classificar e interpretar os sons baseados em aprendizagem. Entre os exemplos estão as conversas de bebês que serão compreendidas como uma linguagem, o que permitirá que pais e médicos saibam quando uma criança esteja se comunicando, seja sobre fome, calor, cansaço ou dor.

 

  • Admirável gosto novo. A capacidade digital vai nos ajudar a comer de forma mais inteligente. E se pudéssemos tornar o gosto de comidas saudáveis em algo delicioso usando um diferente sistema computacional? Esses sistemas vão quebrar os ingredientes ao nível molecular e misturar a química dos compostos alimentares com a psicologia por trás do que sabores e cheiros humanos preferem. Comparando isso com milhões de receitas, os sistemas serão capazes de criar novos sabores. Um sistema desses também pode ajudar as pessoas a comerem de forma mais saudável, criando combinações que nos façam escolher um prato de salada em vez de batatas fritas. Esses algoritmos serão capazes não somente de mudar o gosto da comida e maximizar seu sabor, mas ajudarão na saúde, mantendo o açúcar do sangue regularizado, por exemplo.

 

  • Cheiro dedo-duro. Pequenos sensores embutidos em seu computador ou smartphone conseguirão identificar se você estiver desenvolvendo alguma doença. Por meio da análise de odores, biomarcas e milhares de moléculas que ficam no hálito das pessoas, será possível compreender qualquer tipo de problema no rim, asma, diabetes e epilepsia.  Além disso, esses sistemas poderão ser utilizados na agricultura para cheirar ou analisar as condições do solo e da poluição, ajudando entidades governamentais a tomar as medidas necessárias para a resolução de problemas .

Saindo da IBM e indo para o senso comum, especialistas consideram que a dependência que temos hoje da eletricidade será a mesma que possuiremos da internet em alguns anos. Com tudo centralizado em cloud computing, com os dispositivos sendo apenas uma via de acesso (ou de transmissão) dos dados, como você acha que ficará a relação do homem com a máquina? Em sua opinião, qual o impacto que o avanço dos sistemas cognitivos – algo que Stanley Kubrick tentou retratar em seu famoso e incomparável filme “2001: Uma Odisseia no Espaço” – terá sobre a vida humana, para o bem e para o mal?

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