Facebook e Twitter: personalidade do usuário muda conforme perfil da rede social

Durante o colóquio ?Cibridismo: como essa tendência afetará a TI?, realizado na segunda quinzena de abril para comemorar os 12 anos do IT Web, o fundador da Appies, Bob Wollheim, afirmou que as pessoas têm diferentes perfis na internet, assim como na vida real.
?Nós temos várias personas, todos os homens daqui falam mais baixinho quando falam com suas namoradas ou mulheres, essa é uma persona diferente da persona chefe que é mais durão, da pessoa ?xavequeiro? que é mais mentiroso. No online ou no cíbrido onde tudo é On temos ali as nossas várias personalidades?, explicou.
Por meio das redes sociais é possível perceber essa diferença. ?Se seguirmos a timeline [no Facebook] de uma pessoa por uma semana, você não consegue saber como ela é. Mas se você passar a segui-la no Twitter, pelo mesmo tempo, você consegue dizer tudo sobre essa pessoa: quem ela odeia, qual é a agenda dela, o que ela sente?, disse. Isso por que as pessoas não têm o costume de olhar o que publicam e acabam se revelando.
Estar sempre na rede e publicar acontecimentos, geralmente seguidos por opiniões, do dia a dia nos torna mais vulneráveis e expostos as observações das pessoas que nos seguem. Publicar minuto a minuto o que ocorre nos torna mais íntimos, mesmo sem querer, dos nossos contatos nas redes sociais.
?Esse mundo do cibridismo muda muito. Ele pluga o ser humano nesse conceito da personalidade On?, afirmou Wohlleim. ?Postar suas coisas no Facebook e Twitter remete à época das cavernas, onde as pessoas queriam contar o que fizeram e que bicho caçaram. Porém, isso é feito tecnologicamente, com broadcast, com capacidade de armazenamento e de distribuição. É óbvio que não tem nada a ver com as cavernas, é super moderno, mas na essência é muito ser humano e o ser humano tinha perdido isso, essa capacidade de falar com todo mundo, de se comunicar com todo mundo?, apontou.
Esse comportamento, acentuado pelo cibridismo, é bom e devolve a capacidade do ser humano de pensar e analisar os fatos e não apenas consumi-los. ?Quando você pensa na possibilidade de identidade das pessoas através de conhecimento, de conteúdo, do que elas pensam, de expressão pessoal, nós não enxergamos quão revolucionário é isso. O blog, o Twitter, o Facebook ou qualquer outra mídia online tem o poder de trabalhar a identidade do ser humano e devolver a capacidade d e pensar. Ele não precisa mais ter dinheiro para pensar, para publicar suas ideias e para ter gente que lê esses pensamentos.?
Assim, as pessoas são responsáveis por uma revolução no comportamento da humanidade ao conseguir identificar as pessoas por meio de conhecimento, de conteúdo, de pensamento e de expressão pessoal.
Para finalizar, o especialista explicou que essa nova fase ajudará o ser humano a mudar o seu comportamento ? se ele não for adequado ? também na vida real. Isso porque qualquer manifestação de preconceito ou intolerância no mundo online é rapidamente reprimida pelos usuários da web, diferentemente do comportamento offline, onde as pessoas são mais passivas.
?As pessoas da elite, que é um grupo grande brasileiro, a classe média que tem uma visão preconceituosa das coisas, que chamam o aeroporto hoje de rodoviária e que falam da Orkutização do Facebook, reagem a popularização da web, mas o que eu sinto, é que elas vão ser atropeladas. Antes, essas pessoas tinham formas de realizar a exclusão, mas hoje tudo é igual para todo mundo. Então você aumentou muito a dose de democracia?, concluiu.
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