2 anos do iPad: 5 formas como ele mudou a tecnologia

Quando falamos em tecnologia, dois anos representam uma eternidade. O que surge de novidade neste meio tempo pode remodelar, inúmeras vezes, a forma como consumimos TI. Mas de 27 de janeiro de 2010 para cá, o iPad, da Apple, reina soberano. Esta sexta-feira (27/01), dois anos depois de seu lançamento por Steve Jobs, ainda estamos nos acostumando com o impacto que ele teve sobre nossa forma de trabalhar, interagir, e consumir conteúdo. E nenhum competidor, ainda, foi páreo para ele.
Foi nos idos dos anos 2001 que a Microsoft tentou apresentar essa tecnologia, chamada, à época, de tablet PC, que seria usado com o auxilio de uma caneta e rodaria uma versão específica do Windows. Mas, antes, no fim da década de 90, o Palmtop, da Palm, já indicava o conceito de mobilidade corporativa.
O desenvolvimento da tecnologia touchscreen, a durabilidade da bateria, a capacidade de armazenamento, a espessura do dispositivo e a disseminação da conexão com internet via 3G são os principais motivadores do inegável sucesso do iPad, que, segundo dados da Strategy Analytics, representa 57,6% das vendas globais de tablets, que somaram 26,8 milhões no último trimestre de 2011.
Com ajuda de Fernando Belfort, analista da Frost & Sullivan, e de Luciano Crippa, analista do IDC, o IT Web preparou uma lista com as principais mudanças que o precursor dos tablets trouxe ao mercado de TI e às corporações.
- Consumerização. Com a facilidade do manuseio do produto, não demorou muito para que ele caísse nas mãos das pessoas ? que quiseram levar essa experiência para o meio corporativo. ?A Apple teve papel importante e é uma das principais agentes de consumerização no mundo corporativo. Nunca vimos tantos executivos e funcionários querendo ter a mesma experiência de casa para o escritório?, pontuou Belfort.
- Corporativo perde espaço para pessoal. Este item está muito ligado à consumerização. Se, anteriormente, fabricantes de tecnologia olhavam para empresas quando se propunham a lançar uma tecnologia para, depois, oferecer uma versão específica, e com menos funcionalidades, ao consumidor residencial, este cenário, hoje, é inverso. ?O tablet forçou o sentido contrário: como as pessoas primeiro compraram o iPad para uso pessoal e levaram o produto para dentro da empresa, o processo mudou?, pontuou Crippa.
- Perda de atratividade dos netbooks. Lançado em 2007, o conceito de computador com menos memória e facilidade de navegação na web foi considerado como um potencial paladino da massificação da internet ? por conta de seu preço menor, em especial para parcelas da população com menor poder aquisitivo ? e da tecnologia em setores como educação. ?De um lado vimos, quatro anos atrás, uma explosão da vinda de netbooks. Quando chegou o tablet, tudo mudou: a cada tablet que é vendido, um netbook permanece nas prateleiras. Houve uma substituição dessa compra?, disse Belfort. Segundo o analista, o poder do tablet em relação ao notebook se dá, especialmente, por sua facilidade de uso, tão apregoada como intuitiva. ?Quem nunca conseguiu mexer em um computador, no tablet consegue abrir capa, apertar o ícone e navegar. Nunca vi um aparelho tão fácil de usar?, completou.
- Segurança: CIOs olham, agora, com atenção a estratégia da segurança da informação por meio do Mobile Device Management (MDM, ou gestão da mobilidade). Se antes apenas executivos de alto escalão ganhavam um smartphone BlackBerry da diretoria para acessar os e-mails e ter acesso a algumas aplicações, hoje, qualquer um conecta seu tablet ou smartphone ao wi-fi da empresa e quer integrar seu Outlook no dispositivo. Com tantas portas abertas, não há como fechar os olhos para o aumento da exposição da rede e necessidade de contenção de invasões. ?Não é um bicho de sete cabeças, mas é uma nova aplicação, e leva algum tempo até que gerentes de tecnologia se acostumem?, disse Crippa.
- Melhoria no ensino. O segmento de educação é um grande potencial consumidor para esse tipo de dispositivo. E neste âmbito existe espaço para todos: alunos com alto poder aquisitivo, que estudam em faculdades particulares, vão optar por um tablet high end, da Apple. Já escolas públicas vão se valer de modelos mais baratos ? provavelmente com o sistema operacional Android ? para inserir alunos no ambiente digital. No Brasil, onde a exclusão digital é uma realidade, seria um dos primeiros contatos da pessoa com um computador. Claro que é necessário um barateamento do produto para que isso se torne uma tendência.
