Android: aposta móvel para 2012, autenticidade do open source é questionada

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3:07 am - 27 de dezembro de 2011

Entre retrospectivas 2011 e perspectivas 2012 sobre mobilidade, ele não sai de análises e futurologias. Ele, no caso, é o Android, sistema operacional do Google que, de 2008, quando foi criado, até hoje, saiu de zero participação no mercado para mais de 60%, segundo dados do Gartner. E no meio deste ? bom ? momento pelo qual passa a plataforma aberta do gigante de buscas, talvez seu produto de maior sucesso depois da caixa branca com a engenharia de search da companhia, não se pode deixar de lado o debate sobre a fidelidade de sua promessa open source à prática de fato.

 

?Do jeito que está estruturado hoje, o Android não é uma plataforma open source de verdade?, afirmou Jomar Silva Jomar Silva, blogueiro do IT Web especialista em tecnologias e membro ativo no mercado aberto de software em entrevista concedida recentemente ao IT Web.

 

?O Google faz o que ele quer: produz uma forma para que o pessoal trabalhe em cima?, argumentou. Segundo o especialista, exatamente por conta de características não bem vistas pela comunidade, muitos usuários mais avançados ?mexem? todo o sistema. ?A primeira coisa que a ?galera geek? que compra um smartphone com o sistema faz é trocar a versão original por outra de seu próprio desenvolvimento. Isso faz com que o sistema operacional fique cada vez mais fragmentado em uma serie de versões. Cada fração tem ?n? ROMs [variações do sistema original]?, ponderou.

 

Apesar disso, na visão de Silva, esse é um fenômeno que não pode ser impedido. ?O Android é o que temos de mais perto de um projeto open source. Tínhamos o Meego, que não foi para a frente, o webOS…?, avaliou.

 

O tema não é de todo novo, em especial para a comunidade de desenvolvedores. Em abril deste ano, um relatório sobre a disponibilidade do código fonte do Android 3.0 Honeycomb gerou o mesmo debate. À época, foi surgiu entre alguns membros da comunidade que a empresa agia de forma controladora, com uma posição diferente da que costumava ter sobre a disponibilidade do código.

 

No dia 6 de abril, Andy Rubin, executivo do Google responsável por mobilidade, postou no blog da gigante de buscas tentando esclarecer o que ele chama de uma porção de ?desinformação sobre o Android e sobre o papel do Google em apoiar o ecossistema?. Em suma, ele afirmou que a companhia age exatamente da mesma maneira ao ?promover o desenvolvimento da plataforma aberta.  Como sempre, os fabricantes estão livres para modificar o Android e personalizar qualquer gama de funcionalidade para os dispositivos?, dissera.

 

Em setembro, uma nova acusação. Desta vez, a de que o Google favorecia a Motorola Mobility e a operadora de telefonia móvel americana Verizon no que diz respeito ao acesso proprietário ao sistema Android, segundo um documento da empresa que vazou e caiu nas mãos do blog Foss Patents. Parte do documento afirmava que o Google deveria  dar ?acesso proprietário do software aos parceiros que constroem e distribuem dispositivos com as nossas especificações (exemplo Motorola e Verizon)?. Já outro pedaço aconselhava: ?não desenvolva abertamente. Em vez disso, crie um código fonte que fique disponível depois que a inovação for completa?.

 

Por outro lado estudo realizado pela IBM  com mais de quatro mil profissionais de todo o mundo e publicado em novembro último mostra que o Android 70% da preferência. Já o iOS, da Apple, ficou em segundo lugar, com 49% dos respondentes. O Windows 7 apareceu em terceiro lugar, com 35%, enquanto que o BlackBerry figurou em quarto, com 25%. O  controverso webOS ? recentemente lançado à comunidade open source, depois das derrapadas da HP com sua linda de dispositivos e com o sistema operacional herdado da Palm, ficou com a última colocação contabilizando apenas 9% da preferência.

 

Recentemente, mais especificamente no fim de dezembro, mais uma notícia animadora: o número de ativações de dispositivos com sistema operacional Android atingiu 700 mil ao dia, com perspectiva de fixar a marca de um milhão diariamente em meados de 2012.

 

Como disse Silva, a autenticidade do open source é questionável. Mas inquestionável é o sucesso da plataforma.

 

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