Corporativo e varejo são as armas para crescimento da SanDisk

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9:00 am - 18 de março de 2014

Talvez o maior problema em torno de obter sucesso junto ao consumidor, principalmente o que compra no varejo, é a dificuldade para mostrar que aquela conhecida marca pode fazer mais no segmento corporativo e em sistemas mais parrudos. Não pela falta de qualidade dos produtos, longe disso, mas pelo apelo em torno do usuário final. Mas se levarmos a consumerização ao pé da letra, talvez o sucesso na ponta empurre, de forma orgânica, os produtos de tal fabricante para dentro das empresas.

A visão compartilhada acima é de Maiko Paula, diretor-geral da SanDisk na América Latina. Ele não somente acredita que sua companhia ainda tem muito a fazer junto ao usuário final, como também vê ?espaço de sobra? para crescer dentro das empresas, em provedores de cloud computing ou em negócios que visam infraestruturas com maior desempenho em armazenamento de dados.

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?Nos últimos anos, vimos muitas mudanças na forma do consumo em geral. Hoje, conteúdo e informação são chaves nas empresas e também junto aos usuários. Neste cenário, acredito, podemos liderar?, afirma Maiko em entrevista exclusiva para a CRN Brasil. Dessa forma, vamos aos pontos que marcam as expectativas de negócios da SanDisk, assim como a visão do executivo sobre oportunidades e tendências.

Varejo e consumo final

Com a explosão no consumo de smartphones e tablets, as oportunidades para memórias flash – tanto para expansão do armazenamento interno dos equipamentos quanto para aumentar o desempenho de acesso a conteúdo – são gigantes, define Maiko.

A companhia estima que entre 2013 e 2016 serão 5 bilhões de smartphones com slot para cartões, o que suporta outra estimativa, da IDC, que acredita que neste mesmo período serão capturadas 4,5 trilhões de fotos em diferentes tipos de equipamentos.

Claramente, há muito consumo de conteúdo, seja foto, vídeo, e-books ou aplicações, visualiza ele. E cada dispositivo deve ter o armazenamento correto para que tudo funcione de forma efetiva. ?As pessoas não se incomodam em comprar uma máquina fotográfica de 4 mil reais, porém não avaliam um cartão SD de alto desempenho para o equipamento. Acham caro pagar mais de 50 reais. Ai, a visualização de foto é lenta, a imagem não condiz com a resolução da máquina. Tudo por não saber avaliar a melhor solução de armazenamento?, comenta o executivo.

O desconhecimento de necessidades como a de um cartão que suporte imagens com maior definição ou vídeos em full HD é proveniente de vários aspectos, diz ele. Porém, o ponto principal é que por muito tempo não se aborda nas redes varejistas questões como essas; apenas o preço ou a praticidade é visada.

?Há muito potencial para isso [armazenamento de alto desempenho] em termos de volume de negócios. Temos trabalho essa questão nos nossos estandes nos supermercados, por exemplo, apontando o melhor para cada tipo de equipamento?, diz. As linhas de produto Ultra, Extreme e Extreme Pro, que têm preços mais altos, ainda têm muito que crescer no consumo final, pontua Maiko.

2013

A taxa de penetração de memórias NAND Flash para computação pessoal crescerá de 8%, em 2012, para 52% em 2016, estima a companhia.

Entre as mensagens que a companhia pretende espalhar em relação à escolha da memória correta, uma deles abraça a nova tendência de filmes em 4k que, em termos de memória e resolução, é 22 vezes mais que o espaço de um DVD.

2013

Da mesma forma, a companhia tem trabalhado para mostrar que o armazenamento local, em USB, SD ou SSD é complementar à computação em nuvem. Por mais que a onda do ?Bring Your Own Cloud? esteja crescendo, não foi notado a redução na aquisição de memórias para expansão, diz Maiko. ?Para se sentir tranquilo, o pen drive continua sendo fundamental para alguns usuários?, comenta.

?O aspecto mais interessante para a memória é a segurança. Será que é mesmo confiável manter tudo na internet? O que manter na nuvem e o que manter local? O consumidor, de onde vejo, ainda usa a nuvem como backup e não como hub?, avalia.

A recente onda de espionagem do governo americano sobre os dados que estão online também serve de mote para os negócios da SanDisk. ?Se a informação está no seu pen drive, ou na sua máquina, ela é visualizada apenas por você?, acrescenta.

Mesmo com ?muito por fazer?, ele afirma que a companhia obteve ganhos em relação aos concorrentes na América Latina. Uma das mais novas apostas da empresa é o USB SanDisk Extreme 3.0 Flash Drive, com 190 Mb por segundo de leitura e 170 MB por segundo de escrita.

Maiko aproveita para rebater um recente estudo da IDC, que afirma que o mercado brasileiro de pen drives atingiu a marca de 5,2 milhões de dispositivos vendidos no primeiro trimestre de 2013, o que significa uma desaceleração de 6% em relação ao mesmo período de 2012. ?O preço de memória subiu, assim como a demanda e a oferta. De um lado, a produção diminui, mas a demanda interna em smartphones e tablets apenas cresce. Não foi avaliado pelo estudo que os preços subiram, assim como a demanda, num momento onde a produção diminui, de forma geral?, rebate.

Hoje a SanDisk atende, via distribuidores, os principais varejistas do Brasil, tanto nacionais como Walmart, Extra, Saraiva, Fnac e sites como Americanas.com, Submarino, Magazine Luiza, Walmart.com e varejistas regionais como Nagem, Multisom, Casa e Vídeo etc. A marca atende mais de 10 mil pontos de venda no Brasil.

De todas as vendas globais da SanDisk para o varejo, 40% vieram da América Latina. A receita proveniente dos países do BRIC cresceu 5,5 vezes entre 2008 e 2012.

Corporativo

Análises de grandes fluxos de dados se tornaram pauta das grandes empresas. Computação em nuvem, cada vez mais, ganha investimentos de todos os tipos de empresas. A demanda por infraestruturas que otimizam o acesso à informação e facilitem a vida da inteligência do software só cresce nos dada centers e até mesmo dentro das organizações.

Por isso, Maiko vê um mar de oportunidades com as memórias SSDs dentro dessas infraestruturas, seja por meio de parcerias OEM, integradores ou provedores de cloud computing.

?Estamos trabalhando no aspecto corporativo agora, ainda é incipiente. As parcerias de OEM já caminhavam naturalmente, mas como players estamos chegando com uma proposta grande em torno dos SSDs?, afirma. ?Memória flash consome menos energia, torna o acesso [aos dados] mais rápido. São vantagens competitivas?. A expectativa é que até 2014 a receita de SSDs represente quase 30% dos negócios da fabricante.

E a empresa não tem pensado apenas em hardware nessa parte. Embora as aquisições da história recente pesem para o lado dos SSDs, no começo de 2012 a companhia adquiriu a Schooner para fortalecer a proposta de software, junto a outras soluções, como a FlashSoft.

?A moral é que dentro das empresas as infraestruturas têm ficado cada vez mais reduzidas, com informações essenciais para o core business, tendo outra parte da companhia na nuvem. Queremos ser o armazenamento nessas duas pontas, e ter um software que consegue orquestrar esse balanço?, visualiza o executivo.

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