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83% das escolas de São Paulo desconhecem o Marco Civil da Internet, aponta Fecomercio

Embora estejamos em um mundo globalizado e amplamente digital, a educação com foco nessa área é praticamente inexistente na esmagadora maioria das escolas no Estado de São Paulo.

Quase 96% das instituições de ensino não possuem a educação digital como parte integrante da grade curricular, mesmo sendo exigido por lei, como consta no artigo 26 do Marco Civil da Internet. Aliás, 83% das escolas sequer sabem o que é essa lei ou da obrigatoriedade (54,12%) de incluir o tema no currículo escolar. Isso é o que aponta um estudo realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), apresentado nesta terça-feira (05/5), durante o I Congresso de Educação Digital.

Somente 4,75% das escolas particulares possuem a Educação Digital como matéria e, nas escolas públicas, o cenário é ainda pior: apenas 1% das organizações abordam a disciplina com os alunos.

Apesar dos números, quase todos os entrevistados (99,4%) admitiram que é importante abordar uma educação digital nas escolas, incluindo educar quanto ao uso adequado das tecnologias.

Na visão da consultora e autora do livro “Educ@ar – A (r)evolução digital na educação”, Martha Gabriel, é necessário antes de mais nada ensinar a utilizar as novas ferramentas, especialmente porque não existe uma tecnologia “neutra”, na sua opinião. “A tecnologia pode ser utilizada para o bem ou para o mal. Nossa função como educadores é entender o que pode não ser legal e o que pode ser para as utilizarmos de maneiras adequadas”, disse durante a sua apresentação. “Depois que a tecnologia se incorpora no nosso comportamento, não precisa mais de disciplina para fazer a disseminação.”

Martha também acredita que, no cenário atual, o virtual não deve ser separado do físico. “O digital não é uma coisa à parte. Ela tem que ser integrada com as outras formas de educação, porque faz parte e vai fazer cada vez mais parte do nosso cotidiano e isso é irreversível”, diz. “Temos que ter educação para aprender a usar recursos da melhor maneira possível.”

Segurança e ética
Em meio a uma sociedade hiperconectada, é natural que haja também uma cautela maior com relação à segurança digital – tema que também foi abordado durante o Congresso. De acordo com o estudo, 95,2% das escolas afirmaram abordar conceitos básicos de segurança, ética e responsabilidade com relação ao uso da internet pelos alunos.

Na sociedade digital, cada vez mais vemos o uso da tecnologia para causar danos a outros. Como no caso exemplificado pelo vice-presidente do Conselho de Tecnologia da informação da Fecomercio-SP, Rony Vainzof, onde ele conta a história verídica de uma menina que foi assediada por um desconhecido, o qual ameaçou vazar fotos íntimas dela.

Nesse cenário, o cyberbullying é um termo que ganha força e que pode causar danos irreversíveis. De acordo com a Professora Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, também fundadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev), as consequências dessa prática são mais danosas que o bullying tradicional.

“O aparente anonimato da internet é um complicador, porque os nossos jovens acham que sairam impunes”, diz. “O bullying e o cyberbullying fazem parte de um fenômeno muito maior que é a violência na escola.”

Apesar do fator agravante, 71,8% dos dirigentes das escolas entrevistas afirmaram estar preparados para resolver conflitos ocorridos no ambiente virtual, sendo que 64,2% possui, de fato, uma política de procedimentos adotados para combater incidentes digitais, como cyberbullying e sexting.

O estudo considerou a resposta de 400 donos e diretores de escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo. O intuito era mensurar o nível do preparo dos dirigentes das escolas com relação ao uso de mídias sociais pelos alunos, os níveis de alerta e de conhecimento dos dirigentes sobre cyberbullying e se existem escolas que já incorporaram em sua grade curricular a disciplina Educação Digital.

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