Conhecimentos e habilidades dos profissionais de ciência, tecnologia, engenharias e matemática (CTEM) brasileiros estão sendo requisitados em outras áreas de negócios. Em retrato sobre mercado de trabalho das CTEM, o Radar 30, estudo baseado no Censo Demográfico 2010 e conduzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), traz um número expressivo sobre essa realidade: sete em cada dez profissionais de CTEM exercem funções de trabalho que não são estritamente típicas de suas áreas de formação, como mercado financeiro, atividades de ensino e gestão de políticas públicas.
A pesquisa indica que 70% dos profissionais formados em ciências, matemática e computação trabalham com funções que não estão estritamente relacionadas a suas áreas, e que poderiam ser exercidas por profissionais de outras formações. Para os profissionais de engenharia, produção e construção essa proporção é de 59%. Segundo o estudo, isso se dá por conta da formação abrangente dessas carreiras, que permite desempenhar atividades de gestão além de seu escopo que não são necessariamente associadas a competências técnicas específicas desenvolvidas pelos seus cursos.
?É natural, tendo-se em vista que a formação em carreiras como engenharia, matemática e física permite desempenhar atividades de gestão e tantas outras?, destacam os autores do documento, os técnicos Paulo Meyer e Aguinaldo Maciente. Eles avaliam, contudo, ?que a tendência parece ser intensificada no Brasil pelo fato de seu mercado formal de trabalho ser pouco intensivo em funções típicas de CTEM?.
O Radar também revela que os profissionais de CTEM apresentam maior taxa de ocupação entre indivíduos de nível superior, além da grande maioria estar empregada em postos formais (com carteira assinada). Eles também aparecerem em proporção maior como empregadores (empreendedores) do que a média de profissionais de nível superior no Brasil.
Outra observação do estudo refere-se aos principais setores que concentram trabalhadores de CTEM. São eles: construção, indústria (extrativa e transformação), agropecuária e serviços de utilidade pública e de comunicação e informação. A pesquisa também evidencia o aumento da concentração espacial desses profissionais entre 2000 e 2010 nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
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