Os últimos dias foram pautados apenas por um assunto no mundo da tecnologia: a demissão de Sam Altman na OpenAI. Em apenas três dias, a companhia tentou reavaliar a decisão, grande parte da equipe decidiu se demitir e o ex-CEO já anunciou sua ida para a Microsoft. Entre tantos acontecendo, algumas lições ficam para o mercado:
Após a demissão de Sam Altman, de acordo com uma postagem da podcaster de tecnologia Kara Swisher, os funcionários enviaram uma carta à diretoria exigindo que os membros renunciassem aos seus cargos. A postagem afirma que 505 dos 700 funcionários da companhia assinaram a carta.
“Nós, funcionários da OpenAI, desenvolvemos os melhores modelos e levamos o campo a novas fronteiras”, afirma a carta. Mas “o processo através do qual vocês demitiram Sam Altman e removeram Greg Brockman do conselho colocou em risco todo esse trabalho e prejudicou a nossa missão e a nossa empresa.”
A carta sugere que “o caminho mais estável para o futuro” da OpenAI seria “a renúncia [do conselho] e a nomeação de um conselho qualificado que pudesse conduzir a empresa com estabilidade.”
Não demorou mais de 72 horas para Sam Altman anunciar seu novo emprego. A Microsoft divulgou na segunda (20) que “Sam Altman e Greg Brockman, ao lado de outros colegas, se unirão a Microsoft para liderar uma nova equipe de pesquisas avançadas de IA”.
O anúncio foi recebido positivamente pelo mercado. Depois das ações da Microsoft fecharem em queda de 2% na sexta, o valor foi recuperado na bolsa assim que o anúncio foi realizado.
Saber se o conselho tomou a decisão correta é difícil de dizer estando de fora. Porém, especialistas afirmaram à Fortune que a abordagem da empresa à governança era confusa. O ritmo vertiginoso dos acontecimentos é uma prova de que, no mínimo, o conselho da OpenAI comandou o caos em vez de uma transição ordenada, o objetivo de qualquer conselho de administração quando um CEO é substituído.
O trabalho do conselho da OpenAI não foi concebido para proteger ou representar os acionistas, mas sim para prevenir um apocalipse da IA. O conselho supervisiona a missão da empresa, que foi lançada como uma organização sem fins lucrativos, ou seja, ao contrário da maioria das empresas privadas, onde grandes investidores têm assento no conselho da empresa, eles não têm nenhum poder ao nível do conselho.
Entretanto, os especialistas em governança que falaram com a Fortune estavam divididos sobre se o modelo algum dia teria funcionado. Jason Schloetzer, professor associado de administração de empresas na McDonough School of Business da Universidade de Georgetown, disse que “a estrutura sem fins lucrativos era sensata, dada a estratégia original e contínua da organização”. Mas, acrescenta, “talvez a pressão para rentabilizar esta tecnologia seja demasiado grande. E a tentação de abandonar a estratégia inicial foi muito grande.”
As razões pelas quais o conselho demitiu Altman não foram assertivas. A postagem inicial no blog citou falta de franqueza e, no fim de semana, a empresa divulgou uma declaração aos funcionários de que a demissão de Altman não foi resultado de “prevaricação ou qualquer coisa relacionada às nossas práticas financeiras, comerciais, de segurança ou de proteção/privacidade”.
Em vez disso, foi devido a uma “falha nas comunicações entre Sam Altman e o conselho”. Uma teoria dita por jornais estadunidenses é que o conselho temia que Altman estivesse agindo muito rapidamente para monetizar as inovações de IA da empresa antes que as proteções éticas adequadas pudessem ser implementadas.
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