Você possui as competências 4.0 que o mercado de trabalho busca?

O avanço de tecnologias como inteligência artificial e aprendizado de máquina se dá em uma via de mão dupla: se de um lado promete gerar disrupções que beneficiam uma série de indústrias, de outro, cobra uma atualização massiva de profissionais. E a previsão não é das mais otimistas para aqueles que não conseguirem “digitalizar” suas competências.

Durante o IT Forum X, evento de tecnologia, inovação e negócios realizado pela IT Mídia, um dos principais temas levantados foi o futuro o trabalho. Afinal, quais habilidades precisamos desenvolver para continuarmos relevantes em um contexto de constante e exponencial mudança? Um painel dedicado ao assunto se propôs a responder tais inquietações.

Até o ano de 2030, espera-se no mundo uma lacuna de 85 milhões de trabalhadores, levando a um potencial de US$ 8,5 trilhões de geração de produto que não será realizado, segundo levantamento da Korn Ferry. No Brasil, estima-se um déficit de 15,8 milhões de trabalhadores. Com isso, o País pode deixar de crescer 13%. Para Jorge Maluf, presidente da Korn Ferry, é preciso criar um conjunto de ações direcionadas para o problema que cobra postura desde os profissionais, passando por governos e a iniciativa privada.

“Nosso crescimento vai ser mais acelerado, conforme a nossa capacidade de reinserir esse grupo de pessoas que estará perdendo relevância no mercado de trabalho. Empresas vão ter que lidar com isso. Implica trabalhar em um contexto onde o impacto começa já a aparecer no nível da cultura das empresas”, ressaltou Maluf que indica que o caminho para as companhias é ter em mente a necessidade de urgência e respostas rápidas, sem deixar de esquecer que colaboração e uma cultura mais aberta tendem a abraçar mais rápido processos inovadores.

Se empresas têm investido para renovar seus processos na corrida pela transformação digital, profissionais também são cobrados para entregar o tipo de conhecimento e tato para liderar essas mudanças. De acordo com avaliação da Korn Ferry, os profissionais que conseguem cultivar a inovação, gerenciar ambiguidade, possuem visão estratégica direcionada a negócios, são flexíveis, curiosos e, conseguem engajar e inspirar seus pares tendem a se destacar na linha de frente não só de suas companhias como se mantêm relevantes para a concorrência.

“Quando falamos do futuro do trabalho, que vai mudar radicalmente a relação entre pessoas e empresas, o perfil dos colaboradores também vai mudar. São esses colaboradores que vão contribuir com a criação de empresas que ainda sequer nasceram”, disse Maluf.

Profissional 4.0: criativo e estratégico

Atualizar as competências de profissionais passa, invariavelmente, pela educação. No entanto, os métodos de ensino também enfrentam profundas mudanças, incorporando também os traços da digitalização. Há casos, por exemplo, onde a inteligência artificial é empregada para otimizar o que o intelectual humano pode aprender. “Eu vejo uma tremenda oportunidade da gente atingir o máximo de nossa capacidade”, destacou José Claudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios, quando indagado sobre como fica a educação em um contexto de disrupção. “Muda-se a forma de ensinar. O foco está na pessoa, na aprendizagem. Vamos aprender em micro-momentos, em redes sociais, as certificações mudam, a educação passa a ser impulsionada por dados”, acrescenta.

Não é segredo que grandes empresas têm disputado talentos em ciência de dados e aprendizado de máquina. Mas para além de conhecimentos na área de exatas, Securato acredita que o profissional do futuro “ideal” será aquele que possui talentos nas ciências humanas. Isso porque, eventualmente, máquinas automatizarão toda carga de trabalho de programação.

“As ciências sociais, ligadas às artes, a intuição e criatividade. Vamos ter que olhar para elas com olhar mais estratégico”, aconselhou. E como preparar para os profissionais do futuro se mal sabemos quais serão as profissões? “Queremos que as pessoas aprendem a aprender, ser intelectualmente curiosas, que elas aprendam sozinhas”, aconselhou Securato.

A renovação da mão de obra já contratada também foi discutida entre os executivos convidados para o painel. Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, contou que a companhia definiu a educação corporativa como grande foco de investimento da empresa.

Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen para Brasil e América do Sul, lembrou que a indústria automotiva é uma das mais impactadas pela transformação digital e pelo comportamento de um novo tipo de consumidor e que renovar a companhia também passa pelo reposicionamento das habilidades internas. Um dos exemplos citados é o uso de realidade virtual para desenhar automóveis, ao mesmo tempo, engenheiros são “retreinados” para este novo momento. “O trabalho do futuro será pautado pela pesquisa e inovação”, resumiu.

Laércio Albuquerque, presidente da Cisco Brasil, criticou a postura de muitas empresas que exigem que o funcionário pense fora da caixa, mas elas não fazem o mesmo. “Precisamos atrair e reter esses novos talentos e só se consegue isso com colaboração plena dentro da sua empresa. Mas o futuro do trabalho está baseado naquilo que a pessoa faz e não onde ela está. Colaborando de forma ágil, estimulando o aprendizado de novas funções, você inspira a retenção de novos talentos”, defendeu.

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