Ao postar cada vez mais informações pessoais em busca de novos contatos nas redes sociais, usuários passam a ?doar? seus dados para empresas de internet. A constatação foi feita durante o colóquio realizado na primeira quinzena de abril com o tema ?Cibridismo: como essa tendência afetará a TI?, para comemorar 12 anos do IT Web completados no último mês.
Participaram da discussão a advogada Juliana Abrusio, da Opice Blum Advogados; Bob Wollheim, fundador da Appies; Rafael Rez Oliveira, consultor de SEO, fundador da Webestratégica e blogueiro do IT Web; Bráulio Medina, responsável por inovações e desenvolvimento de negócios da uberVU e blogueiro do IT Web, e Leandro Rubim de Freitas, coordenador dos cursos tecnológicos da Fiap.
?Os usuários querem mais seguidores, querem mais popularidade e para conseguir isso eles contam toda a sua vida na internet. Fama não é de graça, fama é fama. E as companhias usam esses dados para ganhar dinheiro. É uma escolha, inconsciente, que nós fazemos?, afirmou Bob Wollheim.
O processo pode não se explícito, como afirma a advogada Juliana Abrusio. ?Não é uma rivalidade, não tem problema dar [os dados] de bandeja. Se as empresas usam usando isso, investem e ganham dinheiro com essas informações, não tem problema. O problema é: eu sei o que eles fazem com meus dados? É esse o ponto, não é um pecado ganhar dinheiro, o problema é não avisar o internauta, o problema é não avisar o cidadão.?
As pessoas não podem ser apontadas como inocentes neste processo, porque apesar de não saber para que os dados são utilizados, elas têm noção de que são coletados. ?Elas gostam do Google, elas gostam do Facebook, elas se divertem no Twitter, então sabem que dão uma parte delas, que essas empresas ganham dinheiro porque é legal o que eles dão em troca. Não dá para achar que os usuários são coitadinhos. Eles não sabem como os dados são coletados. Mas também não sabemos exatamente como cartão de crédito faz, o que o banco faz, o que nossa operadora de celular faz, sequer nós sabemos o que o governo faz com nossos dados?, disse Wohlleim.
Com esses dados pessoais, essas empresas criam propagandas direcionadas para cada usuário. ?É a ideia da internet individual?, finalizou Leandro Rubim de Freitas, coordenador dos cursos tecnológicos da Fiap.
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