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Uma visão do mercado carioca

Já faz algum tempo que comento entre os colegas de profissão a perceptível mudança nos anúncios no caderno de informática do O GLOBO, o mais importante jornal carioca. Até alguns poucos meses atrás a grande maioria dos anúncios era de PCs montados, para venda a vista ou financiados, e uma grande lista de anúncios com componentes isolados como placas mãe, HD, processadores, etc.

Para não ser injusto, havia sim anúncios de câmeras digitais, notebooks e outros produtos considerados “de elite” para o brasileiro, mas eram poucos. Comecei a notar uma mudança em meados de setembro, e hoje, em pleno verão de janeiro, dá pra fazer uma análise numérica bem conclusiva.

O caderno dessa semana tem 24 páginas e a matéria de capa é na nossa colega Elis Monteiro sobre as três décadas de consoles para games no Brasil, desde o conhecido Telejogo e Atari até os atuais Playstation. Vale a pena ler, para quem é assinante Globo.com é possível ler o jornal online, e para quem é carioca é só ir a uma banca de jornal adquirir o seu exemplar.

Das 24 páginas, 6 delas são de conteúdo editorial, com colunas, artigos e outras matérias. 18 páginas são de anúncios sendo que uma delas, a última, é tipicamente de classificados e portanto não vou considerá-los nessa contagem.

Vamos então à contagem de anunciantes:

Anúncios de notebooks: 16 lojas exclusivas para notebooks, mais 3 que além de notebooks vendem outros computadores, a maioria com anúncios de grandes dimensões. Um total de 19 lojas, e dezenas de modelos a disposição.

Anúncios de câmeras digitais: 8 lojas, sendo que 3 delas vendem outros produtos.

Anúncios de periféricos: 16 lojas, sendo que a maioria vende outros produtos também. Note que nesse número está inclusa a Kalunga e mais 3 lojas de itens em geral. No mercado carioca temos os shoppings de informática com seus inúmeros estandes, e os anúncios são feitos em blocos pela administradora do shopping, portanto consideramos apenas uma loja quando há um anúncio “impressoras” onde são mencionados vários estandes.

Anúncios de serviços e/ou assistência técnica: 9 lojas, sendo que o anúncio da NotebookOne ocupa metade da área disponível para esse segmento, e que metade dos anunciantes é para assistência técnica de notebooks.

Anúncios de PCs montados: 11 lojas, sendo que os anúncios de estandes de shopping são tratados em blocos, contamos como uma única loja cada bloco de anuncio desses.

Anúncios de componentes (placas mães, processadores, HDs, etc): apenas 5 lojas encontradas, sendo que uma delas é um bloco de anúncio de estandes, com poucas ofertas.

Por mais que essa contagem de “anúncios” seja imprecisa, em função da forma como os anúncios são organizados e por causa dos estandes de shopping organizados em blocos, uma contagem por “ofertas”, ou seja, por itens ofertados em cada categoria não irá mudar muito o quadro geral que quero expor a vocês, que é a grande presença de notebooks, câmeras e periféricos em um mercado que tradicionalmente sempre foi de componentes.

Isso é nítido para qualquer um que passa os olhos nos anúncios, pois os anúncios de notebooks e câmeras digitais são maiores, mais ilustrados, e em maior número do que os demais. Há ofertas de notebooks desde 2799 reais até quase 10 mil reais, em várias lojas e em várias configurações diferentes. Câmeras digitais estão disponíveis para pronta entrega desde os modelos mais baratos até os mais caros, ultrapassando a casa dos 5 mil reais.

A conclusão que podemos tirar disso é que o mercado mudou mesmo, e muito rapidamente. A venda de componentes para a montagem de PCs está em extinção nas lojas físicas, e provavelmente só existirão em lojas onlines voltadas para os usuários mais exigentes, como a SmartData , a Waz , a E-Armazem , a Max Informática , a Via Brasil , e outras tantas que anunciam conosco. Esse é um mercado de nicho, onde quem é expert vai continuar a exigir qualidade e performance em seu PC, e essas lojas citadas se destacaram por atender bem esse público.

A venda de PCs montados também está com os dias montados. Conversando com lojistas cariocas, todos, sem exceção, dizem que não dá mais pra viver com a venda de micros baratos. A concorrência com lojas de marca, como DELL, Preview, Positivo e outros tantos, está muito acirrada e as margens hoje são mínimas.

Por outro lado, no Rio de Janeiro praticamente não há anúncios de jogos, consoles ou acessórios para jogadores. Parte do problema está em uma lei estadual que inviabilizou as Lan Houses, ao exigir idade mínima para a permanência do adolescente no estabelecimento e, não podemos esquecer da violência urbana que mudou os hábitos do carioca sair à rua. Quem gosta de jogar acaba fazendo isso sozinho, em casa.

Quanto ao crescente apelo dos notebooks, uma comparação rápida entre o Acer 3003Lci ofertado por 2.799 reais e um micro montado baseado na mesma configuração com Sempron 3000+, 256MB de memória e 40GB de disco, ao preço médio de 1.700 reais explica porque o interesse nos pequenos notebooks é tão grande entre os consumidores e lojistas.

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