Notícias

Um novo tempo para o dinheiro

A era digital tem transformado cada vez mais os hábitos das pessoas. As formas como se relacionam, se deslocam e até mesmo consomem produtos de entretenimento já não são as mesmas de 20 anos atrás. Em um cenário de mudanças constantes, é inevitável que a nossa relação com o dinheiro também seja repensada.

O surgimento das criptomoedas talvez seja a maior inovação nesse sentido. O Bitcoin, o pioneiro, surgiu em 2008 com o objetivo de oferecer aos usuários mais praticidade em suas transações financeiras, uma vez que não necessita do intermédio de bancos. Ele é construído por códigos criptografados, que possuem valores monetários e podem ser trocados por dinheiro convencional.

A ampla aceitação no mercado é uma de suas grandes vantagens. A tecnologia do blockchain, utilizada na operação das moedas digitais, registra todas as operações realizadas, conferindo mais segurança e privacidade. Além disso, os usuários contam com a descentralização do poder operacional, que fica nas mãos de diversos mineradores diferentes.

No entanto, a utilização dessa tecnologia não é uma unanimidade. Os mais céticos criticam a alta volatilidade de cotação das criptos, as variações nos níveis de valorização, a falta de segurança jurídica e a possibilidade do surgimento de bolhas financeiras. O Banco Central chegou a se manifestar por meio de um comunicado oficial, afirmando que a comercialização de moedas virtuais “está sujeita a riscos imponderáveis, incluindo a perda de todo o capital investido”.

As criptomoedas passaram por muitos altos e baixos ao longo de sua história. Em 2017, a valorização do Bitcoin foi de US$ 1 mil a US$ 20 mil, segundo a Bloomberg, empresa especializada em dados do mercado financeiro. No entanto, após uma série de acusações de fraudes em 2018, ela sofreu uma forte queda, chegando a US$3 mil.

Apesar disso, a expectativa dos especialistas é que essa nova modalidade de transação financeira ganhe força nos próximos anos, principalmente no Brasil. Em 2019, com a intenção de combater a sonegação e evitar movimentações ilícitas, a Receita Federal passou a exigir notificação de todas as operações com moedas digitais realizadas no país. Nos primeiros dois meses, as operações comunicadas somaram mais de R$13 bilhões. Segundo dados do órgão, foram 1,5 milhões de notificações em agosto, e mais de 900 mil em setembro.

Enquanto uns defendem tratar-se do dinheiro do futuro e outros alertam para a possibilidade de fraudes e prejuízos, a discussão em torno das moedas virtuais sinaliza consenso. Não há quem discorde que era digital tem transformado as demandas da sociedade. Quem tiver o desejo de prosperar, deve ser capaz de se adaptar.

*Por Matheus Vieira Campos, coordenador regional da Câmara Americana de Comércio de Belo Horizonte (AMCHAM-BH)

Recent Posts

Deepfakes, IA e software open source lideram lista de ameaças críticas para empresas, diz Gartner

As equipes de segurança cibernética enfrentarão um cenário cada vez mais complexo nos próximos anos,…

43 minutos ago

Apenas um em cada três americanos aprova a construção de data centers

Apenas uma em cada três pessoas dos Estados Unidos aprova o ritmo acelerado de construção…

2 horas ago

Copa do Mundo 2026 vira laboratório global para IA, dados e infraestrutura digital

Desde o início do ano, a redação acompanha como a Copa do Mundo 2026 extrapola…

2 horas ago

NiCE cria hub de pesquisa para acelerar adoção de IA agêntica nas empresas

A NiCE anunciou a criação do NiCE Labs, um laboratório voltado ao desenvolvimento e à…

3 horas ago

83% dos executivos dizem que transformação corporativa falha, aponta teya

A maioria dos programas de transformação corporativa não entrega o que promete. Essa é a…

4 horas ago

STF julga recursos do Google e Meta sobre responsabilidade por posts ilegais

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar na quarta-feira (10) os recursos apresentados pela…

4 horas ago