As etapas da inicialização
Vamos descrevê-la da forma mais sucinta possível para que possamos entender as razões da demora.
Assim que a máquina é ligada, o processador (que obedece a arquitetura Intel, como praticamente todos os usados nos nossos micros) “aponta” seu ponteiro de instruções para endereço mais alto da memória. O CI que contém este endereço, como você já deve ter adivinhado, é justamente o mesmo que contém o BIOS. Neste endereço há uma instrução, em linguagem de máquina, naturalmente, que desvia o fluxo do programa para uma rotina de testes denominada POST, o nosso já citado auto teste de partida, durante o qual todo o hardware é testado (lhe parece perda de tempo testar todo o hardware cada vez que a máquina é ligada? Talvez porque você não tenha se dado conta do fato de que, enquanto ela estava desligada, o usuário pode ter acrescentado ou removido um dispositivo como por exemplo um disco rígido…) Durante o teste, algumas mensagens aparecem na tela dando conta de seu progresso, dos dispositivos encontrados e seu estado (veja figura).
Terminado o teste de hardware e tudo estando nos conformes (se não estiver, a rotina é interrompida e aparece uma mensagem de erro na tela), a máquina passa a transcrever na memória RAM um conjunto de tabelas que contêm endereços das chamadas “rotinas de interrupção” para que o sistema saiba onde encontra-las quando precisar delas. Tudo isto é feito sem qualquer concurso do sistema operacional, que ainda não foi carregado.
Testado o hardware, carregadas na memória as tabelas de interrupção e executadas mais algumas tarefas preparatórias que não vale a pena mencionar, então ? e somente então ? o controle é passado para o “bootloader“, a rotina que, afinal, carregará o sistema operacional.
O primeiro passo desta rotina é consultar os ajustes do “setup” (que estão armazenados no mesmo CI) para verificar de onde o usuário deseja que o SO seja carregado desta vez (em geral é do disco rígido, mas isto pode ser alterado, como sabemos). Isto feito, a rotina de carga vai até o dispositivo de armazenamento escolhido pelo usuário, procura os arquivos que contêm as rotinas que, juntas, constituem o sistema operacional, as carrega na memória e passa o controle para elas.
Somente então o sistema operacional se assenhora da máquina, efetua as derradeiras preparações (como carga dos “serviços” e programas residentes que permanecem em segundo plano) e, afinal, se põe à disposição para a labuta.
É por isto que demora tanto.
Mas, considerando o comentário de Pete Dice citado lá no início da coluna, algo tem que ser feito para reduzir este tempo ? e reduzir drasticamente ? para que os computadores não sejam “encaminhados diretamente a um museu ainda em sua embalagem original”.
É aí que entra o padrão UEFI.
Que começaremos a destrinchar na próxima coluna.
Até lá.
B. Piropo
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