Agora a coisa está complicada. O Twitter anunciou na quinta-feira (26/01) que passou a censurar tuítes com temáticas consideradas como impróprias. Essa restrição, explicou o microblog, varia de país para país e de assunto para assunto. Posto isso, não deu detalhes sobre quais seriam esses assuntos nem em quais países eles seriam proibidos.
No comunicado, a empresa explicou que existem países que têm ideias de liberdade de expressão diferentes das praticadas pela rede social. ?Algumas diferem tanto, que nós não conseguimos existir nesses países. Outras são parecidas, mas, por razões históricas ou culturais, restringem certo tipo de conteúdo ? como na França e na Alemanha que proíbem mensagens pró-nazistas?, explicava um post no blog oficial da companhia.
O Twitter afirmou que quando um post censurado aparecer na linha do tempo do usuário, ele será especificado. ?Um dos principais valores desta empresa é defender e respeitar a voz de cada usuário. Tentamos manter o conteúdo até quando e como podemos, e seremos transparentes com os usuários quando não conseguirmos fazer isso?, dizia o blog.
Não pude deixar de emitir uma opinião sobre esse fato, ainda mais diante do momento que a internet passa por uma esquizofrenia a respeito de segurança e liberdade de expressão. De forma, geral, o que é impróprio? A ferramenta, o Twitter, é uma coisa. O mau uso dele está intimamente ligado ao caráter da pessoa. E o bom uso também.
Para organizar este pensamento (completamente não embasado em qualquer preceito judicial, que fique claro) vou separá-lo em dois: o primeiro, o ser humano tem todo o direito de se autopunir (explico daqui um pouco); o segundo, a sociedade precisa ter liberdade de se organizar em uma ou outra causa (explicação a seguir também).
Vamos a elas:
Aí você vem: mas Adriele, o preconceito é horrível. É sim, queridão, eu também acho. Mas enquanto formos uma sociedade imatura, e quando digo nós me refiro a seres humanos no universo da web social, que precisa que o Twitter ou qualquer outra plataforma aja como um pai, cuidando das besteiras que falamos, teremos um liefting em nossa evolução moral. Não diremos as merdas, mas continuaremos pensando todas elas. E vamos dar um jeito de externar isso de outra forma. A correção de conceitos como este se dá por meio de educação, é algo muito mais estrutural. E não são as redes sociais que farão isso com a gente. Não serão mesmo.
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E as notícias vieram uma semana depois do barulho envolvendo os projetos de lei Sopa e Pipa, que tramitam nos Estados Unidos. A ideia dos textos, que é acabar com a pirataria de conteúdo, tem uma série de outras implicações, que podem censurar a web. A principal delas é dar aos servidores a obrigação de conferir os conteúdos publicados por seus usuários, o que inviabilizaria economicamente qualquer negócio. No mesmo tempo, donos do Megaupload foram presos acusados de ganhar US$ 175 milhões com direito autoral alheio. A investigação durou dois anos e nada tem a ver com a Sopa e a Pipa, mas trouxe questionamentos porque puniu os usuários do site com a ação, retirando não somente os conteúdos piratas de sua plataforma, mas, também, os originais.
A revolução das redes sociais está escancarando problemas estruturais que compartilhamos em todos os países, culturas e morais. Só que, em vez de resolver tais questões, estamos apertando o botão mais fácil, o de proibir a divulgação. E isso não adianta. Já dizia o mestre Raul Seixas: Varrendo o lixo pra debaixo do tapete, que é supostamente persa, pra?legria do ladrão.
E é por isso que eu falei no outro artigo que escrevi: não use os fatos recentes para xingar, sem mostrar embasamento.
Quanto tempo vai durar a censura do Twitter? O suficiente para vermos que não dá certo.
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