Mesmo com o sistema sinalizando para o alerta vermelho ninguém conseguiu ligar os pontos que poderiam ter impedido os ataques de 11 de Setembro, nos Estados Unidos. Até então achávamos que tínhamos um conjunto de organizações como CIA, FBI e outras capazes de garantir a segurança de nosso país. O relato é de Andrew McAfee, criador do conceito Empresa 2.0 e atual diretor científico de pesquisa da Sloan School of Management do MIT.
E o que uma coisa tem a ver com a outra? Simples, segundo estudo da comissão que investigou os ataques, o maior obstáculo à análise de todas as fontes foi, literalmente, “a resistência humana ou sistêmica a compartilhar informações”. Para McAfee, que participou de evento da HSM nesta terça-feira (06/04) falando sobre Gestão e Enterprise 2.0, é esta resistência que prevalece nas empresas fazendo com que elas não saibam o conhecimento que possuem internamente. “Se as corporações conseguissem resolver isso, seriam três vezes mais produtivas”, afirma. E como? Aproveitando a energia das pessoas para a comunicação e trocar de idéias.
Como resultado da análise dos erros que levaram ao 11 de Setembro e para estimular a troca de informações, a Defense Intelligence Agency (DIA) criou um ambiente com blog e baseado na wikipedia, batizado de Intellipedia. Nele estão reunidos as cerca de 200 mil pessoas que trabalham para as organizações de defesa dos Estados Unidos no mundo inteiro.
McAfee mostrou depoimento de um analista da agência que afirma que as novas ferramentas aumentaram imensamente a interação entre pessoas que jamais teriam se comunicado de outra forma. E ressaltou que isso representa uma grande quebra de paradigma considerando os processos convencionais das empresas. “O modelo da wikipedia prega exatamente o contrário disso”, completa.
Quanto aos passos para migração da empresa do universo 1.0 para o 2.0, McAfee cita, além da adoção de novas tecnologias, o exemplo dado pelas lideranças via uso de blogs e outras ferramentas e mostrar aos colaboradores que as iniciativas rumo à Enterprise 2.0 são reconhecidas pela companhia. E ele próprio, no início cético a respeito de algumas destas novas tecnologias, utiliza o Twitter a cada dúvida que tem ao longo do desenvolvimento de um trabalho; e as respostas são imediatas.
*Stela Lachtermacher é presidente do Conselho Editorial da IT Mídia S/A
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