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Transformação digital passa de urgente ao simples e ágil

<<Esta é terceira e última parte da reportagem do Especial Transformação Digital. Leia a primeira reportagem aqui e a segunda aqui>>

A pandemia acelerou negócios e fez com que as empresas tirassem do papel suas iniciativas de transformação digital. O processo que consumiria dois anos ou mais foi concluído em alguns meses e agora serve de esteira para que o mercado enfrente uma segunda onda da mudança.

Na visão de Luis Gonçalves, líder da Dell Technologies para a América Latina, em um primeiro momento as empresas buscavam soluções urgentes para o contexto da pandemia, como foi o caso do setor de Saúde. Mas agora (o “mas “ não permite vírgula após) o quadro mudou. A procura é por tecnologias mais simples e ágeis. “As empresas correram em direção à flexibilidade e à facilidade da nuvem pública e agora estão olhando para a nuvem híbrida como resposta de longo prazo. Semelhante à nuvem, os clientes também demonstraram que querem consumir mais tecnologia como serviço.”

Ele cita estudo global realizado antes da pandemia, em fevereiro de 2020, pela Dell Technologies, em parceria com o Institute for the Future (IFTF) e a Vanson Bournes. No corte Brasil, 82% dos executivos de TI de empresas apontavam que os projetos de transformação digital deveriam ser mais amplos, abrangendo mais as operações e os negócios.

“O que demonstra que o tema da transformação digital era tratado de forma ainda pontual pelas organizações. O que mudou com a pandemia foi que as companhias tiveram de ampliar o escopo e a abrangência dessas iniciativas, com o objetivo de garantir a sobrevivência do negócio e saírem fortalecidas da crise”, avaliou.

Marcelo Braga, vice-presidente de Vendas da IBM Brasil, compartilha de visão semelhante a de Gonçalves. Para ele, atender à demanda por agilidade imposta pela nova realidade do mercado, por consumidores e funcionários, só é possível por meio da nuvem e dos serviços associados à tecnologia. “As empresas precisam ser capazes de se adaptar rapidamente e acessar ferramentas e sistemas remotamente, tornando a nuvem a solução primária para esse momento de recuperação econômica.”

Além de um grupo de empresas que buscou atender a demandas prementes, Braga ressaltou que uma segunda leva de negócios já tinha começado sua jornada de transformação digital.

De acordo com ele, esse grupo sofreu muito menos o impacto inicial da pandemia, pôde se adaptar e escalar muito mais rapidamente as iniciativas para serem competitivas, ganharem mercado, rentabilidade, eficiência e agilidade. “A transformação digital é uma jornada, que não é implementada da noite para o dia, mas não temos dúvidas de que os projetos implementados nos últimos quatro a cinco meses, levariam dois a três anos para acontecer.”

Repensar modelos antigos

O executivo da IBM relatou que empresas de todos os tipos e portes repensaram seus processos. Primeiro, tiveram de realizar fluxos de trabalho com inteligência artificial e automação. “A automação devolve às pessoas um bem muito precioso: o tempo. Automação melhora experiências, produtividade e eficiência operacional. E com IA, as organizações podem trabalhar melhor os dados, capacitar pessoas, tomar decisões, automatizar processos e humanizar experiências – como o engajamento de clientes e funcionários com assistentes virtuais sofisticados e integrados aos sistemas transacionais de forma segura”, comentou Braga.

Em um segundo momento, prosseguiu, elas tiveram de construir e modernizar aplicações com agilidade e velocidade. Para modernizar seus ambientes, as empresas contam com a nuvem. “Nossa reflexão é de que elas já ultrapassaram o estágio em que a nuvem pública é tratada de forma isolada”, pontuou.

E terceiro, segurança infiltrada em todo o negócio. “Companhias também precisaram olhar mais para a segurança, visando um desempenho mais potente, inteligente e preparado para lidar com possíveis ataques que ocorrem nos canais digitais.” E ter esse olhar, assinalou, foi e ainda é importante, especialmente porque o estudo da IBM X-Force IRIS mostrou que no primeiro trimestre de 2020, houve crescimento de 40% no número de incidentes de segurança globais em comparação com o mesmo período em 2019.

Horizonte promissor

Depois da tempestade, a calmaria. A expectativa da IDC, apontou Luciano Ramos, gerente de Pesquisa e Consultoria de Enterprise da consultoria no Brasil, é de que o mercado de tecnologia passe por uma recuperação em 2021. “Nossa expectativa é de que o primeiro trimestre marque essa retomada de forma definitiva. O humor do mercado mostra isso. Mas o crescimento de 2021 ainda vai ser abaixo do que esperávamos em 2020”, projetou ele.

Para empresas que estão vivendo agora a segunda onda da transformação digital Ramos recomenda que o interesse por inovação e transformação seja contínuo. “Que as empresas continuem inovando sempre ouvindo o consumidor e tendo os negócios como parceiros”, finalizou.

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