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Transformação digital e os ‘blockers’ corporativos

As empresas estão vivendo uma grande pressão para Transformação Digital de seus negócios. Segundo recente pesquisa divulgada pela consultoria global em tecnologia Gartner, este ano 82% dos CFOs das grandes corporações pretendem aumentar o investimento em transformação digital, se comparado com 2020. Todas as companhias querem ser mais ágeis e mais eficientes, mas não querem correr riscos. Os avanços tecnológicos, como sabemos, não respeitam essa lógica.

Para seguir em uma jornada como a da Transformação Digital é preciso entrar de cabeça. É necessário modificar a mentalidade dos chamados blockers, aqueles que “empacam” as mudanças nas empresas, principalmente quando o assunto é tecnologia. Mas ninguém é blocker porque gosta. Existem motivos.

À medida que essas pessoas “escalam” nas organizações, elas se tornam influenciadores. Esta relação é pautada por regras e muitas vezes passam por uma série de conflitos (geracionais, inclusive) e, em sua maioria, decisões são tomadas de forma impositiva – de cima para baixo. Eles são responsáveis pela criação de uma cultura corporativa.

Com isso, a narrativa criada não mais pertence somente ao blocker, mas sim está projetada em todo o ecossistema da companhia. Ou seja, dentro uma cultura de hierarquização, qualquer mudança que não vier de cima é rapidamente suprimida.

Um relatório da CircleCI, player que atua no mercado de integração e automação, ilustra bem os possíveis danos dessa cultura: o estudo aponta para uma percepção de que os líderes de negócios devem compreender que software e desempenho de negócios estão intrinsecamente ligados. Essa falta de compreensão sobre os fundamentos da produtividade do desenvolvedor, por exemplo, pode levar executivos a perderem até US$ 126 milhões por ano, segundo o relatório.

Para realizar projetos realmente transformacionais, é essencial mudar a cultura corporativa e sair da zona de conforto. Toda empresa quer ser como o Google, Apple ou Microsoft. Mas, para ser como eles, é preciso ter as pessoas certas. Um Tim Cook, ou um Satya Nadella.

De nada adianta uma guinada pesada com altos investimentos na direção da Transformação Digital, sem uma mudança profunda também no pensamento dos tomadores de decisão. Não basta só ter um plano, este plano precisa ser executado e, para isso, é preciso coragem para quebrar paradigmas.

* Alex Takaoka é diretor de vendas da Fujitsu Brasil

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