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Título: Resenha da Computex 2011 ? III

Os tabletes afinal

Desde o início do evento fala-se que a Computex 2011 seria a feira dos tabletes. Até o Presidente da República deixou isto claro em seu discurso na cerimônia de abertura. Eu esperava encontrar tabletes em todos os cantos da feira, tropeçar neles, achá-los em toda parte. E estranhei que isto não estivesse acontecendo.

Ontem, descobri o porquê [NOTA POSTERIOR: esta nota foi enviada na véspera do encerramento da Computex 2011].

É que chinês é um povo danado de organizado e gosta de manter cada coisa em seu lugar. E a Computex é uma feira imensa que se espalha por cinco salões em pavilhões diferentes, todos de grande porte, em diferentes pontos da cidade. E nos dois primeiros dias da feira eu havia concentrado minhas atividades no pavilhão de Nangang, o maior deles, mais movimentado e mais distante. Somente ontem voltei minha atenção para os demais, situados no centro da cidade, em torno do Taipei 101, um dos prédios mais altos do mundo e marco da cidade de Taipei. E como a feira é temática e concentra os temas em diferentes pavilhões, foi somente aí, no Hall One, do qual a foto abaixo mostra uma vista parcial, que encontrei, afinal, os tabletes. E, como eu esperava, espalhados por todos os cantos do pavilhão.

Havia tabletes de todos os tipos e tamanhos, rodando diferentes sistemas operacionais e equipados com praticamente todos os tipos de UCPs de baixo consumo. Não vai dar para falar de todos, portanto vou deixar de fora os Eee Transformer e Padfone, ambos da Asus, sobre os quais já escrevi em nota anterior, e alguns que claramente foram desenvolvidos apenas para “aproveitar a onda”. Vamos então aos que merecem mais atenção.

Começando pelo Iconia Tab da Acer, cuja série 500 acabou de ser lançada aqui mesmo na Computex. A diferença básica entre os dois modelos mostrados acima é o tamanho da tela. No mais, são idênticos ou muito parecidos. Fixemo-nos no modelo maior, mais recente e poderoso, o A500. Como a maioria dos tabletes de grande desempenho, há dois tipos disponíveis, um com 16GB de armazenamento secundário (SSD), outro com 32GB. Roda Android Honeycomb 3.0, é equipado com uma UCP Tegra 2 de 1GHz e núcleo duplo da NVidia e 1GB de memória primária (RAM). Tela sensível ao toque de 10″ com resolução de 1200 x 800 pontos, conexão via WiFi e Bluetooth (mas não 3G), portas HDMI e USB 2.0 e câmara de vídeo. Um belo brinquedo, porém um tanto limitado.

A Acer não quer perder freguesia. Por isto desenvolveu também um modelo que roda Windows, versão 7 Professional. Este é equipado com uma UCP AMD C-50 de núcleo duplo e 1 GHz, vem com 2GB de memória primária e tem uma porta adicional de rede padrão Ethernet. Uma máquina razoavelmente mais poderosa do que a que roda Android.

Para não fugir das marcas mais conhecidas, vamos ao S-1080 da Gigabyte mostrado nas figuras acima, acoplado ao teclado e nas mão de uma simpática técnica que me atendeu no estande da empresa. É um tablete relativamente pesado (900g) que roda Windows 7 Home Premium, equipado com um Atom N570 de núcleo duplo e 1,66 GHz da Intel. Tela de 10″ formato largo (1024×600), vem com 2GB de memória primária e um disco rígido (magnético) SATA de 320GB de memória secundária. Tem portas USB (2.0 e 3.0), rede Ethernet, entrada para rede telefônica (conexão tipo “dial up“), leitor de cartão SD e comunicação sem fio via WiFi, Bluetooth e, opcionalmente, 3G. Além de câmara de vídeo. Pesa pouco menos que seu concorrente da Acer: 850g. Tanto um quanto outro parecem uma tentativa de adaptar uma concepção de máquina convencional para funcionar como tablete.

Há também os oportunistas. O que vocês vêem acima é um tablete Pierre Cardin. Por incrível que pareça, ele é fornecido em oito modelos diferentes, alguns rodando Windows, outros Android, com quatro diferentes UCPs, distintas capacidade de armazenamento e opcionais. Evidentemente não se trata de um fabricante. Trata-se de uma empresa, a Shenzhen Vogue Industries Co, que licenciou a marca Pierre Cardin e adquiriu de diferentes fabricantes seus distintos modelos, estampando neles o logotipo da marca. Não vale a pena perder tempo com as especificações técnicas já que, amanhã ou depois, a empresa pode simplesmente encomendar outros modelos de outros fabricantes, estampar o logotipo Pierre Cardin e vendê-los para os otá… digo, clientes que dão mais importância à marca que ao produto. No que me diz respeito, só considero válido usar um computador Pierre Cardin envergando uma calça Intel, uma camisa AMD e um tênis Asus.

O que vocês vêem acima são dois tabletes Arko. Não posso afirmar com segurança, mas tudo indica se tratar de um caso semelhante ao anterior, com a diferença que a marca Arko não é badalada como a outra. Mas a Arko fabrica (ou não fabrica? Encomenda?) catorze (!?) modelos de tabletes. Das especificações constam dados como: “CPU ? (600 + 600) dual core”, sem mencionar marca ou modelo. Todos rodam Android 2.2 ou 2.3. Não divulgaram o preço no varejo (a feira é voltada para distribuidores internacionais), mas suspeito que sejam baratinhos. Se você comprar um deles, conte com toda a minha simpatia e comiseração.

Acima vocês vêem o tablete Boltun. É fornecido pela Boltun Co. e, honestamente, não sei se é o mesmo caso dos anteriores já que na feira não estavam fornecendo as especificações técnicas. Mas, pelo menos, me pareceu um produto com um acabamento bastante superior ao dos anteriores.

A Semoor é uma empresa especializada em automação de serviços em restaurantes. Os três dispositivos mostrados à esquerda permanecem fixos nas mesas e, neles, os comensais escolhem os pratos (reparem nas figuras exibidas nas telas) e enviam diretamente suas ordens para a cozinha através de uma conexão sem fio. Já o dispositivo que é mostrado na extremidade direita da foto é o tablete da Semoor. Considerando que ela fabrica seus terminais, presumivelmente há de fabricar também seu tablete. Mas o material de divulgação distribuído na feira não informava as características técnicas.

A figura acima mostra o tablete da Visture. Este é um caso a parte dos que vínhamos vendo até o momento, inclusive os da Gigabyte e Acer. Pesa 590g e é um tablete de verdade, leve, portátil, equipado com um processador Cortex-A9 de núcleo duplo (um processador de arquitetura ARM). Roda Android 2.2, tem uma tela de 9,7″ com resolução de 1024 x 768 (padrão SVGA), suporta conexão sem fio 3G opcional, além de WiFi e Bluetooth, tem memória secundária de 8 GB e primária de 512 MB (ambas de pequena capacidade, como se vê mas a secundária pode ser expandida até 40 MB com um módulo micro SD no devido slot), câmara de vídeo, enfim, tudo o que um tablete precisa. O custo não foi fornecido, mas deve ser bastante baixo. Trata-se de um tablete de pequena capacidade de processamento, pouca memória, desempenho limitado, porém um tablete de verdade e não uma adaptação de última hora para surfar na onda dos tabletes. E é um produto bem acabado.

Finalmente, o Ragoo. O fabricante fornece sete modelos, todos com tela de sete polegadas com exceção do modelo A101, de 10,1″ com resolução de 1024 x 600. Fixemo-nos nele. Vem com UCP CortexA-8 da Samsung com arquitetura ARM rodando a 1 GHz. Sua memória secundária é de míseros 4 GB e a primária de 512 MB. Roda Android2.2 e dispõe de conexões sem fio WiFi e Bluetooth, além de portas HDMI, USB e leitor de cartões micro SD. Não tem câmara de vídeo. Em resumo: um modelo semelhante ao anterior, porém ainda mais limitado.

Havia mais tabletes na feira. Porém a maioria deles eram do tipo “genérico”, ou seja, daqueles que o fornecedor só estampa sua marca em um modelo fabricado por terceiros e que não há de ser muito diferente de um dos descritos acima. Mas a quantidade deles deu para ter certeza: este ano não há muito como fugir da invasão dos tabletes.

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