Categories: Notícias

TI em saúde: economia digital

Estados Unidos e a Europa não serão mais os países dominantes. O dinheiro deixou de ser um fator influente para se fazer negócios no mundo. São com essas afirmativas que o consultor da Ricam Consultoria, Ricardo Amorim, conclui que os mercados emergentes estão à frente da economia mundial. “E mais que isto, o Brasil hoje investe mais em tecnologia no setor da saúde do que os outros países do Brics [Brasil, Rússia, Índia e China]”, destaca.

As deduções de Amorim levam a um único caminho para o setor de saúde brasileira: o crescimento. Para o consultor, os Brics já são tão importantes quanto os países desenvolvidos para a demanda mundial. “Essa virada de eixo faz com que a Saúde se beneficie ainda mais porque os países que vão estar com maior crescimento onde o dinheiro vai estar sendo gerado não têm educação. Eles vão ter que investir em ensino. O mesmo acontece com comida e especificamente com saúde, afinal os gastos com saúde aqui no Brasil são muito menores do que nos EUA, por exemplo. E o setor de saúde como um todo vai sair ganhando com essa situação”, estima.

Outra mudança de cenário considerada importante dentro do segmento é o tipo de serviço de saúde. A demanda de um país emergente não é a mesma de um país desenvolvido, seja em função de tipo de doença, ou não. “Uma coisa é voltar para a massificação de cuidados básicos e outra é voltar para procedimentos avançados. O que vai explodir de demanda no mundo está voltado para procedimentos massificados em muitas gentes e não para os procedimentos ultra avançados”, diz Amorim.

Tantas perspectivas para o setor da saúde brasileira e muitos gestores investindo em uma melhor qualidade para que as previsões de Amorim se concretizem. Embora alguns líderes não estejam tão confiantes. “Acho que o setor da saúde que nós temos assistido é justamente ao contrário, a crise veio com um sinal bastante negativo em relação à expansão da forma como o mercado realiza e pratica as questões da saúde”, avalia o presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Luiz Lottemberg. “Para que a situação econômica favoreça o setor da saúde no Brasil, a sociedade tem que estar disposta a saber o quanto ela quer de recursos na sustentabilidade do sistema.”

A saída, segundo Lottemberg, é que a saúde seja administrada com as melhores ferramentas de gestão. E ainda, para o executivo, é inconcebível que o Brasil não tenha um sistema que dê acesso a toda sociedade, haja vista a preocupação do presidente Barack Obama em trazer mudanças significativas a ponto de transformar o sistema americano num modelo universal.

Para se alcançar a gestão considerada essencial pelas lideranças do setor, a TI seria uma alternativa. Na Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), a atividade de realização através do meio eletrônico é considerada fundamental para a eficiência da gestão. “A ideia de rede vai contra o pensamento sistemático e contra a hierarquia. É diferente do que vínhamos fazendo”, considera o membro do Conselho Deliberativo da Anahp, Gonzalo Vecina Neto, ao comentar que o setor olhou para a gestão com outros olhos a partir do momento em que a inflação acabou. “Tínhamos desprezo pela eficiência, sem pensar nos custos.”

A tecnologia da Informação pode muito contribuir para que o setor de saúde do Brasil, assim como a economia do País, seja eficiente e se iguale ao mercado desenvolvido. “Mais do que isto, a TI pode ajudar a diminuir a exclusão social”, conclui Vecina.

A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) concorda que o uso da TI no setor é um grande potencial para que haja a transformação estimada pelo consultor Ricardo Amorim.

Embora o membro da SBIS, Daniel Sigulem, acredite que conduzir inovações na área de TI dentro de hospitais seja uma tarefa difícil, o esforço acaba sendo reconhecido pela diretoria das instituições. “Mudar paradigma não é trivial. Tem que convencer o setor sobre os benefícios da TI, que são: redução de custos e informação correta, principalmente.”

De acordo com Sigulem, enquanto os gastos com a TI em saúde variam entre 3%, os benefícios financeiros são estimados em 37% e os da melhoria da qualidade acima de 70%.

“A adoção de padrões para comunicar e proteger dados é um fator essencial para o sucesso das iniciativas de implantação de sistemas digitais na área da saúde”, conclui.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

13 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

16 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

19 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago