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TI e a economia digital

No final do século XX, Peter Drucker escreveu no livro “Desafios Gerenciais para o Século XXI” que os profissionais de TI não estavam exercendo todo o seu potencial de contribuição para o sucesso da revolução da informação em curso. A causa era focar demasiada atenção no T (tecnologia) e subestimar o I (informação).

Desde que li esse livro, passei a ter um olhar crítico sobre o resultado das iniciativas de TI, e pude constatar que os departamentos e projetos dessa área mais bem sucedidos são justamente os que colocam o I na frente do T (sendo assim, a sigla em inglês “IT” soa mais apropriada), e, por consequência, a visão de negócio acima do uso da tecnologia “da moda”.

São melhores sucedidos os empreendimentos de tecnologia onde se tem clareza do propósito, definindo desde o primeiro momento o ganho para o empreendimento e o categorizando entre: aperfeiçoar processos e reduzir custos; criar vantagem competitiva ou suportar o processo decisório.

Podemos perceber, nesse período, que um fator fundamental para esse sucesso é o verdadeiro alinhamento entre TI e negócios, que realmente ocorre quando o CIO pensa com a cabeça do CEO, sabe quais ferramentas tecnológicas utilizar e consegue influenciar os seus pares. Ou seja, o papel dos líderes de TI é crítico nesse alinhamento. Cabe a ele saber explicar as iniciativas tecnológicas de forma simples e encabeçar um processo eficiente de priorização.

Agora, 15 anos depois, é inegável que o mundo é muito mais digital e que os negócios têm os seus processos centrais cada vez mais alicerçados em tecnologia. No final de 2010, de acordo com estudo do Boston Consulting Group, os negócios baseados em internet equivaliam a 4.1% do PIB do G20, ou US$ 2,3 trilhões, ultrapassando, portanto, a economia do Brasil. Segundo o mesmo estudo, em 2016 a economia da internet equivalerá a US$ 4,5 trilhões, a frente do PIB da Alemanha.

No Reino Unido, onde a internet já representa 8% do PIB e as estatísticas mostram claramente que as PME´s (pequenas e médias empresas) que tem presença (marketing, vendas ou algum processo central de negócio) na Web e em dispositivos móveis, estão crescendo numa velocidade três vezes mais rápida que as que estão exclusivamente no mundo físico.  Teremos, no final de 2015, quase 3 bilhões de pessoas conectadas.

Com isso, é inegável que as empresas precisam se posicionar no mundo digital. Para isso, elas precisam contar com uma área de I2T, que poderíamos chamar de Informação, Inteligência e Tecnologia, ou seja, um time para suportar o crescimento exponencial do uso da informação, da inteligência competitiva e do uso eficaz da tecnologia para criar um novo posicionamento estratégico e novos negócios.

O CIO deve ser capaz de influenciar as organizações e liderar a transformação da TI paraI2T.

Na economia digital, as empresas necessitam de executivos, empreendedores e membros de conselhos de administração que tenham visão de marketing, de futuro e digital; que consigam obter vantagem competitiva a partir do uso inteligente da tecnologia. Esse somatório de visão holística de negócios e do funcionamento do mundo digital será crítico para o sucesso na segunda metade dessa década.

O futuro está posto para os lideres de TI: se transformar no CI2O, ou deixar a oportunidade passar.

*Por Rodrigo Oliveira Cantelli, diretor de TI do Banco Bonsucesso

 

 

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