Criança em loja de doces
Bem, para qual sistema eu não sei. Mas sei que, desde os idos da segunda metade dos anos oitenta do século passado, tempo em que venho acompanhando atentamente os acontecimentos no campo da informática pessoal, nunca houve uma época mais interessante para quem se prepara ? voluntária ou involuntariamente ? para migrar de sistema.
Quem gosta de tecnologia deve estar se sentindo como criança em loja de doces.
Senão, vejamos.
Nunca houve no mercado tamanha abundância de tipos daquilo que costumamos chamar de “computador”. Os micros de mesa tornaram-se absurdamente poderosos. Alguns incorporaram a geração de imagens à própria unidade central de processamento, os monitores de tela plana invadiram o mercado com seus novos formatos e resoluções de imagens impensáveis há poucos anos. As máquinas se transformaram em centros de entretenimento completos, permitindo enviar o sinal sonoro de alta qualidade a amplificadores de primeira linha e usar os televisores de grande formato como dispositivo de saída e neles exibir filmes, imagens e o diabo a quatro. E os preços caíram.
Do outro lado do espectro, micros de mão (alguns até falam, e por isto são chamados de “telefones”) diminuíram de tamanho até caberem no bolso da camisa (e só não diminuem mais porque se o fizerem as telas ficarão ilegíveis), reduziram sua espessura, adotaram a interface baseada em telas sensíveis ao toque, incorporaram funções como sistemas de posicionamento globais (GPS) e nem por isto reduziram seu poder de processamento. Eu mesmo costumo levar no bolso uma maquineta muito mais poderosa que meu micro de mesa de dez anos atrás.
E há ainda o espectro intermediário, os chamados “micros portáteis” em seus diversos fatores de forma, tamanhos e capacidades de processamento.
No topo, computadores no formato “notebook” com telas razoavelmente grandes, bastante confortáveis para nelas se manter uma prolongada sessão de trabalho, capacidade de processamento suficiente para fazer face aos grandes micros de mesa, porém pesando menos de dois quilos e podendo ser transportados de um lado para outro com algum conforto. Muitos deles já substituíram os computadores de mesa, primeiro nas residências, agora ? e cada vez mais ? nos escritórios.
Há também os que perdem algumas das funções para favorecer a portabilidade. Dois bons exemplos são o MacBook Air e os Ultrabooks, finíssimos (cerca de um centímetro), levíssimos, com consumo de potência suficientemente pequeno para manter a carga da bateria por muitas horas e poder de processamento (e tamanho de tela) bastante razoáveis ? embora alguns deles tenham suprimido o acionador de discos óticos em nome da leveza e esbelteza.
Se a portabilidade é absolutamente prioritária, pode-se descer um degrau e mergulhar no universo dos “netbooks” e tabletes. Embora os primeiros estejam desaparecendo, provavelmente engolidos pelos últimos, a meu ver são coisas diferentes e, pelo menos por enquanto, não são intercambiáveis. Mas, tanto uns quanto outros, tornam-se cada vez mais poderosos e oferecem mais recursos.
Mas não é só o hardware. Há também, pela primeira vez em quase três décadas, uma razoável variedade de sistemas operacionais para escolher.
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A linha Apple (ou, melhor dizendo, a grife Apple) oferece cada vez maior variedade de dispositivos e, com eles, de sistemas operacionais que, como vimos, em conjunto abarca mais de um sexto do mercado.
O Android toma cada vez mais impulso e se dissemina rapidamente não apenas entre os dispositivos de bolso como também entre os tabletes. As novas versões se sucedem rapidamente e são cada vez melhores (eu tenho um dispositivo que roda a versão Android 4.1.1, conhecida por “Kelly Jean”, e posso atestar: está um primor).
Há ainda, é claro, o Windows 7. Seu nível de excelência não é menor que o do XP e eu suspeito que ele repita a bem sucedida carreira do irmão mais velho, sobrevivendo ainda por muitos anos abrigado nas entranhas dos poderosos micros de mesa.
E, por último porém não menos importante, convém não esquecer que o Windows 8 vem aí. Está logo ali na esquina, com lançamento previsto para daqui a dois meses, no próximo outubro. Nele a MS aposta sua liderança e com ele espera integrar as interfaces de usuário de praticamente todos os sistemas operacionais, do micro de bolso ao gigante sobre a mesa.
É esperar para ver (e, se eu fosse um dos usuários do Windows XP, esperaria para dar uma boa olhada no futuro Windows 8 antes de trocar).
Eu nunca vi nestes quase trinta anos tanta variedade de hardware e sistemas operacionais à disposição dos usuários. E tudo indica que a tendência é que esta variedade aumente.
Não resta dúvida: tempos interessantes se avizinham…
B.Piropo
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