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Telefônica planeja investir R$ 2,4 bilhões no Brasil

A crise financeira não abalou os planos de crescimento da Telefônica no Brasil, por isto a operadora pretende ampliar os investimentos em 20%, para R$ 2,4 bilhões em 2009, afirmou o presidente Antônio Carlos Valente. Em 2008 foram R$ 2 bilhões.

Aa previsão considera um cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2%. Portanto, ligeiramente acima da pesquisa Focus, do Banco Central, divulgada nesta semana que previu que o PIB cresceria 1,8%, mas abaixo da estimativa do próprio BC que espera aumento de 3,2%.

O executivo acredita que o setor de telecomunicações será menos afetado pela crise. “Nosso setor está muito mais preparado para tempos difíceis do que outros”, afirmou. O que pode impactar mais é o aumento do desemprego e redução das vendas de celulares.

Valente afirmou que esse é um dos setores que mais empregam no Brasil. Atualmente entre 400 mil e 500 mil pessoas trabalham na telefonia de forma direta, indireta e correlata, como o call center. A América Latina é o “motor” de crescimento da Telefônica. Cerca de 30% do faturamento mundial da empresa vêm da Espanha, enquanto o Brasil é responsável por 15% a 16% desse total. O aumento na participação do Brasil no faturamento total do grupo pode ocorrer porque as perspectivas para o País são melhores que as da Europa.

Um dos investimentos previstos para o ano contempla a rede de fibra óptica. Sem dizer o valor, Valente previu que os R$ 120 milhões aplicados no ano passado serão superados. Disse que os 400 mil domicílios atendidos terão um crescimento “forte” esse ano e que, além da fibra óptica, a operadora vai lançar, até junho, o IPTV – serviço de televisão pela internet – em conjunto com a companhia de TV por assinatura TVA, na qual possui participação minoritária.

Outros dois produtos a serem lançados pela empresa ainda neste primeiro semestre são o Orby e o Passarela. O primeiro é um terminal que integra diversos serviços em um único equipamento, com acesso à agenda, notícias, calculadora, sites e chamadas de voz via internet. E o Passarela será usado para a integração de produtos eletrônicos em rede sem fio. Valente disse acreditar que o Projeto de Lei 29/07 seja aprovado pela Câmara Legislativa no primeiro semestre e pelo Senado até o final do ano. O PL 29 é de autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) e abre a possibilidade das telefônicas fixas obterem concessões para operar TV a cabo. Esse projeto já tramita na Câmara desde 2007 e também cria cotas para garantir espaço de programas nacionais nas TVs pagas.

Sobre a proposta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de inclusão de um aditivo nos contratos de concessão da telefonia fixa para garantir que infraestrutura de banda larga (backhaul) volte para a União, após o fim dos 25 anos de concessão, o presidente da Telefônica não deu garantias que a empresa irá assinar o aditivo ao contrato, como a Anatel deseja. Segundo Valente, o órgão regulador precisa esclarecer a decisão de seu conselho diretor na Justiça. Porém, Valente considera que o backhaul é um bem reversível. “O backhaul é bem reversível, mas carece de regulamentação”.

Desde novembro a Justiça suspendeu o termo do aditivo. O judiciário entendeu que não há garantias de que essas redes de backhaul voltarão à União, após o término da concessão. “A dúvida da Justiça pode ser sanada pelo esclarecimento da Anatel”, previu.

 

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