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Telecom: o avanço do mercado de recargas

* Por Valmor Bosi

O mercado de recargas no Brasil está em franca expansão e oferece grandes oportunidades para desenvolvimento de novos negócios. Atualmente, mais de 80% dos celulares do País são pré-pagos e as perspectivas futuras são excelentes, considerando a democratização da forma de contratação do serviço, que permitiu às pessoas falarem mais pelo telefone, e smartphones, que possibilitam conexão à Internet. O modelo chegou a terras brasileiras no início da década passada e hoje movimenta anualmente cerca de R$ 27 bilhões, crescendo mais de 20% ao ano.

O aumento do mercado de recargas pré-pagas é devido, em grande parte, ao que as quatro grandes teles vêm oferecendo em promoções para tornar mais baratas as ligações, principalmente dentro de suas redes. A competição acirrada amplia a penetração dos celulares pré-pagos – antes destinados às classes C e D – em todas as camadas sociais pela comodidade, preço e facilidade no controle dos gastos.

Para suprir essa demanda por recargas, as empresas de tecnologia voltadas para transações eletrônicas, que são responsáveis por fazer a ponte entre operadoras, pontos de venda e consumidores finais, também investem em conectividade e no aperfeiçoamento das aplicações para que a venda de recarga por meio do terminal Point-of-sale (POS), seja mais prática e eficiente do que o comércio via cartões.

Os equipamentos mais robustos e a conectividade por GPRS, banda larga ou discada, permitiram a popularização do serviço também como uma ferramenta para venda de recargas, tornando-o a forma mais comum de comercialização do produto.

O interessante é que não existe no mundo um mercado como o Brasil, onde o terminal consolidou-se como a forma mais difundida para fazer recargas a ponto de o uso dos cartões físicos diminuírem gradativamente. Os equipamentos, que em princípio só realizavam operações com cartões de crédito, tornaram-se comuns em pontos de venda em diversos canais.

A facilidade para os consumidores é um fator de destaque e pode ser uma das causas da popularização. O sistema online, que predomina atualmente nas transações, elimina a necessidade de digitar um código para validar os créditos adquiridos junto à operadora na sua linha, prática comum no início do processo. Hoje, basta informar o número do celular no ato da compra para que os créditos sejam disponibilizados na hora.

O mercado de distribuição de pré-pagos e recargas de telefonia tem grandes distribuidores nacionais e regionais e bancos operando no Brasil. Diversas companhias atuam no segmento, disputam os pontos de vendas e ajudam a viabilizar a telefonia pré-paga. Com o desenvolvimento e o cenário promissor do setor, a recarga de celular tornou-se muito parecida com os produtos de massa do varejo, configurando-se como uma nova forma de negócios. Outros serviços pré-pagos também podem ser distribuídos por esse canal, o que permite vendas de forma ampla e com um custo de distribuição bastante atraente.
Para as empresas que querem aproveitar a oportunidade três pilares são essenciais para que a venda se concretize: distribuição (capilaridade), exposição e presença no ponto de venda (merchandising e força de vendas) e promoções para atrair o consumidor. Para conquistar espaço entre as maiores redes de vendas de recargas do Brasil, é necessário focar em crescimento, qualidade dos serviços e qualificação das equipes. Estabelecer novas parcerias e ampliar a cobertura são ações fundamentais para que as empresas estejam aptas a oferecer serviços relevantes ao varejo e agregar valor aos produtos.
Para obter sucesso na área, também é importante ter uma excelente rede transmissora. As soluções eletrônicas tendem a ser cada vez mais completas, possibilitando captura de transações de cartões, autenticação de bilhetes urbanos e uma gama de serviços transacionais.
No que tange à infraestrutura, o setor já demanda serviços de modernos data centers, que garantam confiança e acessibilidade dos dados transacionados, além de soluções para integração com software houses, com a finalidade de oferecer os serviços acoplados aos aplicativos que já operam nos pontos de venda. Unindo as ferramentas tecnológicas certas, e com a ajuda do bom momento da economia brasileira, é possível vislumbrar um cenário atraente de expansão que seja satisfatório para consumidores e companhias.

* Valmor Bosi é CEO da RV Tecnologia

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