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Tecnologia cresce no mundo e gera escassez de profissionais qualificados.

Antigas tecnologias são substituídas por novas todos os dias, e já nos acostumamos a incorporá-las de forma automática à nossa conveniência, quase continuamente. Uma das inovações mais promissoras da atualidade é o blockchain, que tem se mostrado eficaz em processos de gestão de um grande volume de dados com privacidade. Na corrida pela adoção crescente do blockchain, surge um desafio para as empresas: a escassez de profissionais habilitados.

Sem surpresas, o déficit profissional é mais sentido nos Estado Unidos, onde estima-se que existam aproximadamente 14 vagas para cada candidato. De acordo com o LinkedIn, o número de vagas abertas cresceu 33 vezes, em 2018, e a posição de desenvolvedor de blockchain ocupou nada menos que o topo da lista das cinco carreiras emergentes. Em termos de demanda global, o crescimento foi de 500% em um ano, segundo a consultoria de recrutamento Hired. Os números são compreensíveis, considerando que a indústria do blockchain tem apenas 10 anos.

Atualmente, cerca de 56% das melhores universidades do mundo já oferecem ao menos uma aula sobre blockchain e ativos digitais em variadas disciplinas, como Direito, Engenharia, Matemática, Negócios e Administração, buscando atender à crescente demanda por mão de obra. As instituições também se dedicam a pesquisar o potencial, as vulnerabilidades e outras possíveis aplicações da tecnologia.

As empresas cumprem um papel importante de suporte a essas iniciativas, permitindo um avanço mais rápido. Um dos maiores projetos de incentivo é o University Blockchain Research Initiative (UBRI), que prevê a doação de 50 milhões de dólares para cerca de 30 das melhores universidades do mundo, com o objetivo de acelerar a inovação e novos casos de uso do blockchain. São as próprias instituições que definem as linhas de pesquisa, sendo que todas elas trazem benefícios sociais ao identificar e desenvolver projetos que visam aumentar a produtividade, otimizar processos, reduzir custos e proporcionar mais transparência e confiabilidade das informações.

Entre as participantes do UBRI estão duas brasileiras: a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Temas de pesquisa populares entre elas têm sido o uso do blockchain no mercado de capitais, agronegócio e compras no setor público, além da regulamentação de ativos digitais e sua aplicação em mercados emergentes. Uma pesquisa de alunos da USP, por exemplo, até aproveita a estrutura de dados subjacente do blockchain para criar um histórico de bate-papo de comunicações bancárias auditável, mas que preserva a privacidade.

Com o amadurecimento do conhecimento sobre a tecnologia – e mais profissionais treinados chegando ao mercado – não temos dúvidas de que o blockchain terá tanto impacto em nossas vidas quanto a internet. A dúvida é sobre a intensidade dessa mudança, sendo que é fato que o blockchain já está transformando alguns mercados, exigindo cada vez mais profissionais qualificados e mobilizando pesquisadores em alguns dos mais relevantes centros de ensino do mundo.

Ter o Brasil inserido nessa jornada é sem dúvida muito animador!

*Por Luiz Antonio Sacco é diretor geral da Ripple na América do Sul, e Ken Weber é diretor de Impacto Social. A Ripple é uma empresa norte-americana fundada com a visão de construir a “Internet de Valores” para proporcionar a experiência de enviar dinheiro ao mundo todo, sem entraves.

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