Sem contar o disquete, já houve algum periférico para computador como o teclado, o qual as pessoas tentaram acabar, mas falharam? O disquete morreu finalmente graças à disponibilidade da rede para todos e ao disco USB, mas, em minha opinião, o teclado Qwerty ficará conosco ainda uns 50 anos ou mais.
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Mas isso não é uma reclamação. Talvez a razão para o Qwerty e seus primos continuarem ainda por um bom tempo é porque é difícil melhorá-los.
Outro dia, usei o Truly Ergonomic Keyboard (Teclado Realmente Ergométrico) – sim, esse é o nome dele – um dos primeiros novos teclados que vi nos últimos tempos que usa um layout diferenciado, que o fabricante alega que melhora a velocidade e precisão na digitação. Certo, porque mudar a tecla “shift” em 1,7 cm para onde as teclas de Tab ou Caps Lock estão, e deixar a barra de espaço e de Tab no meio, é claramente uma melhoria massiva (qual seria o termo para tal coisa? “Vudu ergométrico, talvez?).
Sim, sou cético. Os benefícios de saúde alardeados de um teclado ergonômico parecem não ter muita função em frente a todas as outras coisas que você pode fazer. Compre uma boa cadeira com apoio para os pés, sente-se de forma adequada, faça pausas regulares durante a digitação. Se me perguntar, é fácil – e no geral, melhor – desenvolver esses hábitos do que usar um dispositivo onde a tecla “Enter” fica onde costuma ficar o “Espaço”. Além disso, a velocidade da digitação em um teclado Qwerty não é algo a se desprezar. Tentei usar a placa ergonômica e o aumento da velocidade ou foi insignificante ou não vale o treinamento para aprender as funções novas. Se alguns desses dispositivos fornecem verdadeiramente tanta melhoria, a diferença teria que ser superevidente.
As únicas pessoas que odeiam o teclado Qwerty, até onde sei, são os fãs do teclado Dvorak [uso das letras de acordo com a ordem alfabética; N. da T.] e especialistas em eficiência. Todos os outros vivem bem com ele porque funciona toleravelmente bem, é o que estão acostumados e porque nada de novo em termos tecnológicos foi criado até o momento.
A maior razão para tais dispositivos não virarem sucesso não é só porque são versões das tendências existentes, mas porque também não fornecem melhorias sobre o que já temos.
Aqui está um exemplo de melhoria tangível: o mouse e a light-pen [a light pen estava disponível já há um tempo; veja a caneta sendo usada no filme de 1971 The Andromeda Strain]. A light-pen permitia que você apontasse um ponto na tela, mas sua precisão não era complicada pelo fato de que você bloqueava parcialmente o objeto de desejo.
O mouse solucionou este problema ao trocar o quê você estava apontando para como você estava apontando. Demorou para que as pessoas se acostumassem, mas porque aprendíamos um modo completamente novo de interação e não abrindo mão de um existente. O fato de que o mouse, ou algum dispositivo similar de apontamento, vai junto com qualquer dispositivo de um certo tamanho, é a prova de quão útil ele se tornou (o mouse também funciona com uma grande variedade de dispositivos.)
“Mas e as telas com capacidade de toque?!” Certo, ouvi você gritando ao fundo. Não espero que as telas de toque acabem com o teclado.
Além disso, porque você iria querer isso? A única razão pela qual temos touchscreens em tablets e smartphones não é porque elas são uma melhoria sobre os recursos físicos. E sim porque simplificam o design e para algo com o objetivo de ser leve e portável, quanto menos hardware, melhor. O que nos leva a pensar o porquê de os engenheiros da Microsoft terem feito o teclado do Surface tão pequeno: eles não queriam que as pessoas sentissem que estavam levando bagagem extra.
Todos os esforços vistos até agora para tornar a digitação na tela menos desconfortável foram apenas meias medidas. Desculpe, a vibração ao tocar não é o mesmo que apertar uma tecla. A resposta tátil é algo que você abre mão porque precisa e não porque quer. Muitas das correções que vi como o para o TouchFire iPad são apenas isso: correções rápidas, não soluções. Apenas algo como o Swype parece ser um passo na direção correta. A melhoria de velocidade que tive usando o Swype é bem substancial… exceto para uma vez em cada cinco que meus dedos escapam e tenho de apagar uma palavra e começar de novo. Acredito que isso faça com que a média caia.
E há também o reconhecimento de voz, o que admito que melhorou muito desde minha experiência com produtos como o Dragon NaturallySpeaking. Também funciona bem para telefones. As poucas vezes em que usei o sistema de pesquisa com base na voz do Google ele me deu resultados coerentes e úteis.
Mas para ambientes de produção como um PC, a voz é menos útil por várias razões: a digitação é inequívoca, a fala, não. O computador pode conseguir fazer inferências contextuais sobre quando eu dito “to”, “too” ou “two” [Aqui o autor faz referência a formas das palavras usadas em inglês, seria algo como o recurso reconhecer quando dizemos “sabia” e “sabiá”; N. da T.], mas o tempo que leva para corrigir tais erros – até menos tempo – eu poderia ter usado para digitar as palavras em questão. Pior, muito do tipo de digitação que faço não é facilmente processada por reconhecimento de voz.
Se o teclado será aniquilado por alto, será pelo santo graal das interfaces de usuário: uma conexão neural direta entre o usuário e o computador, com todas as possibilidades assustadoras e fascinantes oferecidas por meio de tal sistema. O que tenho certeza é que ele não será aniquilado pelas telas de toque, ou por outros tipos de teclados.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
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