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Tapscott: inovação para reverter a crise

1° de novembro de 2008: a crise se tornou real. Restaurar a confiança, a longo prazo, na indústria de serviços financeiros dos Estados Unidos e de outros países industrializados exigirá mais do que a intervenção do governo, a renovação de capital ou as regulamentações atualizadas. Fundamentadas na digitalização de todas as informações financeiras, as organizações do setor precisam se transformar em “companhias de última geração” e necessitam criar um novo modelo, cujo alicerce seja uma transparência sem precedentes. Podemos chamá-lo de Risk Management 2.0.

Mediante este novo modelo, as companhias poderão compartilhar conhecimento e propriedade intelectual, garantindo que os melhores recursos estejam disponíveis para todo o mercado. Isto pode significar dividir dados, modelos e algoritmos básicos, análises de correlação e ênfase para que os governos e as corporações possam atuar globalmente. Tais medidas são necessárias. O Japão demorou 20 anos para conseguir recapitalizar seus bancos. A crise financeira de 2008 é muito mais profunda.

Ao invés de somente depender de que Washington assuma a liderança para resolver a crise de crédito, os banqueiros e as empresas líderes devem, imediatamente, colaborar em torno de soluções para a indústria, a fim de resolverem os problemas que estão destruindo o mercado.

O atual “esmagamento” do crédito era previsível. As práticas de gerenciamento de riscos tiveram de se tornar tão sigilosas, que, em alguns bancos, o escritório central nem sequer tinha idéia de que valores em risco (perdas potenciais) o escritório de representação estava assumindo. A administração sênior, que autorizou a colocar centenas de bilhões de dólares em risco, geralmente, estava completamente desinformada. E não é desse modo que os mercados de capital devem operar.

No mundo todo, membros da esquerda, do centro ou da direita na política estão formando um coro crescente, exigindo regulamentações mais estritas e maior adequação do capital às exigências atuais, como resposta à crise. Todavia, atitudes semelhantes não obterão melhor resultado – aplicar princípios da Basiléia III ou Sarbanes-Oxley não será suficiente.

Os conceitos atuais sobre o gerenciamento de riscos nas centrais financeiras devem, neste momento, ser totalmente revisados. A fim de criar uma sólida estrutura financeira, que possa regenerar a confiança no mercado, as organizações precisam se tornar “companhias de última geração. E elaborar um novo modelo para os investimentos bancários, fundamentado nos quatro princípios do conceito de Wikinomics: transparência, prospecção, divisão da propriedade intelectual e atuação global. Com as sofisticadas ferramentas disponíveis na Internet e a digitalização de todo o acervo de informações financeiras, atualmente, novos níveis de transparência global são possíveis. Estamos apenas esperando pelo que irá acontecer.

* Don Tapscott é presidente e fundador da nGenera Insight e também autor de 13 livros considerados best sellers, sobre estratégia corporativa, incluindo Wikinomics e o recém-lançado Grown Up Digital, e colunista exclusivo da InformationWeek Brasil.

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