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Takata-Petri troca legado de 20 anos em 18 meses

A obrigatoriedade de airbag duplo frontal em todos os veículos produzidos no Brasil ampliou os negócios da indústria japonesa Takata-Petri, exigindo uma reengenharia dos sistemas de TI para suportar os processos de fabricação local desse dispositivo de segurança. A corrida para entrega do componente às montadoras desafiou Thiago Queirós, CIO da companhia para a América do Sul, a passar por uma prova de fogo com a troca do legado de quase 20 anos em um tempo recorde de 18 meses.

“Trabalhávamos cerca de 18 horas por dia para a virada do projeto no Uruguai e no Brasil”, conta Queirós, que teve trabalho reconhecido pela matriz. A experiência tornou-se padrão global e será exportada para Ásia, Estados Unidos e Europa. Esse foi um dos fatores que contribuíram para a conquista do CIO do prêmio de Executivo de TI do Ano, na categoria Indústria automotiva e autopeças.
Quando chegou à Takata-Petri, há quatro anos, Queirós sugeriu renovação do sistema de gestão empresarial (ERP), implementado há 19 anos, com sobrevida por meio de customizações, juntamente com outras aplicações satélite, que processam negócios das três plantas no País: uma em Jundiaí (SP) com produção de airbag; outra em Piçarras (SC) com fabricação de tecidos para cinto de segurança; e a terceira em Mateus Leme (MG), que monta volantes.
“Tínhamos um Frankenstein e o custo para mantê-lo era alto”, recorda o executivo. “Quanto mais adiava a substituição do legado, mais horas a empresa pagava com customização”, lembra o CIO, que teve dificuldade para justificar os investimentos em um projeto de renovação do portfólio de TI.
O cenário mudou quando o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) baixou uma resolução em 2009, obrigando a indústria brasileira a colocar airbag nos carros, cuja medida entrou em vigor em janeiro de 2014. Na época, a Takata-Petri decidiu abrir uma fábrica no Uruguai para produção de componentes para o dispositivo de segurança. A planta foi projetada com novo sistema de ERP e infraestrutura de TI moderna para suportar a operação.
Os bons resultados do Uruguai deram aval para execução do projeto da subsidiária brasileira, também contemplada com uma fábrica de airbag. “Passamos por uma prova de fogo. A percepção sobre a TI mudou completamente. Hoje, a TI do Brasil é modelo para as implementações globais, referência em definições de processos e planejamento estratégico”, comemora o CIO.
O time de Queirós revisou e implementou mais de 170 processos de negócios, envolvendo a troca de um sistema legado por um ambiente revitalizado. O coração é o ERP da QAD, que funciona integrado com outras cinco aplicações vitais como de logística, datawarehouse, manutenção (MRO), manufatura (MES) soluções e fiscais. Todos foram preparados para serem processados em uma plataforma mista, com cloud híbrida, o que contribuiu para acelerar o projeto.

Colhendo os frutos

Em um ano, o projeto gerou retorno do investimento. “O maior ganho se deu em uma melhoria significativa no planejamento de produção, controle de estoque e gestão de materiais indiretos, vinculados a projetos de ferramentas e automação”, avalia Queirós. A iniciativa também habilitou a empresa a beneficiar-se da “Lei do Bem” do governo federal, que concede incentivos fiscais a projetos de inovação, pesquisa e desenvolvimento.
O CIO aponta ainda redução de 15% no nível de inventário e maior controle dos processos industriais com aprimoramento da gestão da qualidade interna. A Takata-Pretir tem agora como exigir e debitar o custo por não cumprimento das exigências de qualidade pelos fornecedores. Essas novas práticas, segundo Queirós, reduzem o risco de compliance, tornando os processos mais robustos e transparentes pelos controles contra falhas operacionais ou fraudes.
A visibilidade conquistada com o projeto, diz Queirós, é resultado de um trabalho conjunto com seu time de TI de 20 profissionais para atender a América do Sul. “Sozinho não faço nada”, admite o CIO, com estilo de liderança descentralizado que conta com quatro gerentes que atuam com os demais da equipe.
“Digo a eles que fiquem no varejo, enquanto eu cuido do atacado, que é a estratégia do negócio. Meu papel é ligar as peças para atingir as expectativas da empresa”, afirma o executivo, que diariamente promove uma reunião chamada “Bom dia TI”, na qual atualiza seus líderes sobre os planos da companhia e avalia incidentes que impactam a operação.

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