A Microsoft anunciou na última terça-feira (22/01) que o Surface Pro, seu tablet com arquitetura x86 e Windows 8 Pro, chegará aos mercados norte-americano e canadense no dia 9 de fevereiro. O produto, que custará US$ 899, será lançado cerca de quatro meses depois de o Surface RT, dispositivo com Windows 8 e arquitetura ARM, ficar disponível nas prateleiras.
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O produto tem processador Intel Core i5 e virá nos modelos de 64 GB e 128 GB, além de acompanhar a Surface Pen, para facilitar a escrita humana na tela touchscreen de 10,6 polegadas.
Veja a cobertura completa do Surface, o tablet da Microsoft
Especificações técnicas e objetivos de mercado são fatores já previamente conhecidos, desde que a fabricante fez o anúncio de seu lançamento, em junho de 2012. O mais importante desse movimento será o apelo, ou não, do dispositivo diante dos consumidores, tanto corporativos quanto pessoas físicas. Para chegar nesse contexto, vamos aos fatos.
A Microsoft vendeu um milhão de tablets Surface RT no último trimestre de 2012 – especificamente o de festas. Pela estimativa de analistas, isso representa cerca de metade do que a companhia apostava para o período. Metade é muito pouco.
A diferença básica entre o Surface RT e o Surface Pro é a base de processador. No primeiro caso, a arquitetura ARM é voltada para garantir mais leveza e duração de bateria de dispositivos móveis, subentendendo-se que as aplicações usadas são menos parrudas e comem menos capacidade. O Pro, com arquitetura x86, é a transferência de um computador para o tablet: como a base de processamento é a mesma de um PC convencional, a integração de aplicações e drives é total.
Mas qual seria, então, o apelo de integração que o Windows 8 teria, em suas versões Windows RT (a versão do sistema operacional para dispositivo ARM) e Windows 8 Pro (a voltada para arquitetura Intel)?
Nenhuma. E nem era essa a intenção.
Quando veio ao Brasil para o lançamento do sistema operacional Windows 8, Chris Capossela, CMO da Microsoft, explicou ao IT Web que a diferença de arquitetura do Windows RT e do Windows Pro era proposital. A ideia não era integrar as aplicações em diferentes dispositivos, mas entregar um sistema para cada tipo de dispositivo, cujos modelos eram destinados ao perfil de cada consumidor. O Windows RT, portanto, é um intento da companhia a se bancar em um mercado de mobilidade, dominado por iOS, da Apple, e Android, do Google, tanto entre consumidores finais quanto corporativos.
E uma sinalização desses dois diferentes mundos (ou então um erro de cálculo) é o fato de que o Windows RT não possuir APIs que garantam o gerenciamento em políticas de Byod (Traga seu Próprio Dispositivo, da sigla em inglês).
Mas parece que a estratégia não está dando certo. Além do resultado de vendas ter sido metade do que o programado, aliados da empresa no lançamento de tablets com Windows RT começam a desvanecer por conta do baixo apelo do mercado. De acordo com a Information Week EUA, há cerca de duas semanas a Samsung anunciou ter acabado com os planos de lançar um dispositivo nos Estados Unidos baseado no Windows RT. A companhia justificou que os consumidores podem ficar confusos pelo sistema operacional, que, diferentemente da versão completa do Windows 8 , pode rodar somente os softwares pré-instalados pela Microsoft ou baixar aplicativos da Windows Store.
“Quando fizemos alguns testes e estudos de como poderíamos ir ao mercado com um dispositivo Windows RT, determinamos que era necessário fazer um levantamento de peso para educar o cliente sobre o que o sistema operacional realmente era”, disse um executivo. “E o levantamento de peso iria gerar investimentos pesados”, concluiu.
Ano passado, a HP confirmou que havia abandonado os planos de um tablet com Windows RT, baseado no morno retorno dos consumidores. Lenovo, Dell e Asus seriam, portanto, as únicas grandes fabricantes a entregar produtos rodando esse sistema operacional.
O analista norte-americano Neil McAllister, escreveu recentemente uma provocativa crítica sobre o produto no The Register, informando que ele já havia nascido morto. Na avaliação do especialista, são múltiplos os problemas envolvendo o Surface RT, desde o preço (US$ 499, algo muito caro para o mercado de entrada) e o sistema operacional, muito fraco para atender às necessidades dos usuários.
O sucesso dos tablets Surface são, para a Microsoft, tão cruciais quanto o sucesso do próprio Windows 8. As atualizações para a versão mais recente do sistema operacional somaram 60 milhões ao redor do mundo de 26 de outubro ao início de janeiro, enquanto os preços promocionais, de até R$ 69,90 (mercado brasileiro), estão perto de acabar: a data é 1 de fevereiro, se não houver prorrogação. O sucesso, ou insucesso, do Windows 8 como um todo ainda é discutido. As 40 milhões de licenças vendidas no primeiro mês de disponibilidade são maiores do que as do Windows 7 para a mesma base comparativa, mas não podemos esquecer que o preço praticado pela Microsoft com o produto é o menor de sua história. Questões envolvendo a usabilidade (interface Metro, ou Modern UI, e interface Desktop combinadas) ainda causam estranheza em alguns clientes.
Por enquanto, não há datas para o Surface Pro ou o Surface RT chegarem ao Brasil. Mas talvez, dependendo do resultado, não os veremos tão cedo por aqui.
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