Para a coordenadora do Disque Denúncia do Rio de Janeiro, Adriana Nunes, o tempo entre a ação e a solução é o maior aliado quando estamos lidando com o crime.
Por conta disso, ela colocou o uso de tecnologia como uma prioridade do órgão para conseguir tornar mais dinâmico o processo entre a captação das denúncias da população e a transmissão das informações para as autoridades policiais.
A entidade implementou, em julho, um sistema de inteligência analítica para aprimorar as buscas e análises no banco de dados de informações anônimas sobre atividades criminosas.
Com um volume diário de 500 denúncias, o que gera um total de 13,5 mil contatos telefônicos por mês, o Disque Denúncia passou a utilizar o software Tableau e, com isso, um levantamento de informações que antes era realizado em uma semana passou a ser feito em apenas cinco minutos.
A diminuição do tempo proporcionou diagnósticos mais dinâmicos para o envio dos dados aos órgãos interessados.
“Antes, tínhamos poucos recursos com relação ao cruzamento de informações. Em uma denúncia, o relato normalmente tem mais que cinco dados diferentes”, explica Adriana.
Agora, é possivel fornecer aos comandantes da polícia do Rio de Janeiro informações sobre os índices de criminalidade em relação a cada região, tudo mapeado por ruas utilizando o Tableau conectado com Google Maps.
Adriana dá um exemplo do que é possível ser feito hoje: se um novo comandante assume uma área do Rio de Janeiro, o Disque Denúncia pode provê-lo de informações como onde ocorrem mais crimes e que tipos de denúncias ocorrem com mais frequência na região.
Para a Copa 2014, de acordo com Adriana, o Disque Denúncia já está se antecipando para amparar a polícia usando a tecnologia da Tableau, que permitirá agilidade nas ações.
Outro projeto do Disque denúncia do Rio é a integração das informações de seu banco de dados com as informações da Secretaria de Segurança Pública, para que seja possível cruzá-las. “Os dados oficiais são publicados. Estamos buscando essa parceria”, explica. Segundo a coordenadora, o projeto será desenvolvido a partir do ano que vem.
A origem na crise
O Disque Denúncia surgiu nos anos 90, quando o Rio de Janeiro vivia uma crise na segurança pública. Os índices de sequestros eram os mais elevados do país, impactando na economia da cidade, com a transferência de empresas para outros estados.
Por conta disso, lideranças empresariais e comunitárias se reuniram para enfrentar o problema. Foi decidida a criação de um movimento civil independente, responsável pela condução de um projeto em parceria com a Secretaria de Segurança.
Foi então criada, em agosto de 1995, uma central comunitária de atendimento telefônico destinada a receber informações anônimas da população sobre atividades criminosas, baseada na experiência internacional do Crime Stoppers, organização multinacional que atua preventivamente contra o crime, e que diz já ter ajudado a prender mais de 960 mil pessoas no mundo todo.
Redes sociais e cartazes
As denúncias são entregues a agentes da polícia, para que analisem e investiguem seu conteúdo. O maior volume diário de denúncias já registrado no Disque Denúncia do Rio de Janeiro é de 1.136, no dia 26 de novembro de 2011, quando as forças policiais ocupavam o Complexo do Alemão.
O recorde anual também foi batido em 2011, quando 158.967 denúncias foram recebidas. Neste ano a cidade recebeu as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas da Rocinha e Mangueira, nos Morros dos Prazeres e Coroa e Complexo do São Carlos, o que movimentou as linhas com mais informações que nos anos anteriores.
Além disso, a presença do Disque Denúncia nas redes sociais (o microblog Twitter e o Facebook) e a divulgação dos cartazes de procurados dos traficantes Nem e Coelho aumentaram o fluxo de denúncias.
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