O momento é de grande atividade na indústria da telefonia celular. A realização do leilão das freqüências de terceira geração (3G) em dezembro, depois de muitos meses de expectativa, funcionou como uma abertura de comportas e levou todas as operadoras móveis brasileiras a chamar os fornecedores à mesa de compras.
Ericsson, Nokia-Siemens e Huawei tornaram-se as grandes parceiras da Vivo, Oi, TIM, Brasil Telecom e Claro. Todas contrataram duas fornecedoras, com exceção da CTBC, que fechou com apenas uma, a chinesa Huawei.
Nessa onda de novos contratos, a Ericsson aparece como a maior usufrutuária, tendo conquistado a parte central da rede, também chamada de comutação por pacotes (core) e as estações radiobase de toda a indústria celular, com exceção da Oi.
Mas como essa operadora está em vias de adquirir a BrT, a Ericsson terá o setor inteiro incluído na sua carteira de clientes, afirma o vice-presidente da Ericsson do Brasil, Carlos Duprat.
Essa condição privilegiada é decorrência de a sueca ser a única fabricante de equipamentos de telecomunicações sediada no Brasil que está produzindo localmente a infra-estrutura de terceira geração. “As operadoras ficam mais confiantes ao saber que temos uma produção estabilizada em São José dos Campos”, afirma Duprat.Não que seja fácil nacionalizar a fabricação de equipamentos que ainda não são adquiridos em grande escala, mas o esforço da Ericsson está surtindo bons efeitos, diz Duprat referindo-se à abrangência de suas encomendas. Enquanto a Ericsson optou por nacionalizar a produção, mediante a importação parcial de componentes específicos, as suas concorrentes Nokia-Siemens e Huawei ainda importam a totalidade da infra-estrutura de 3G que fornecem. As duas chegaram a pensar em localizar a produção no País, mas os planos ainda não saíram do papel.
“Os prazos das encomendas iniciais eram extremamente curtos”, afirmou o presidente do conselho da Nokia-Siemens, Aluízio Byrro, para justificar o fato de a empresa germano-finlandesa estar importando os equipamentos de fábricas coligadas na Europa.
Produzir localmente também a 3G não está fora de cogitação. “Continuamos a fazer planos, mas não há prazo nem local definidos, por enquanto”, acrescenta Byrro. A Siemens mantém uma fábrica em Curitiba que poderia abrigar a linha de produção de 3G. Tudo depende, porém, de estudos de viabilidade econômica e ultimamente o câmbio tem estado na contramão.
Na mesma situação está a chinesa Huawei, que chegou a fechar um acordo com o governo do Estado do Espírito Santo em dezembro do ano passado pelo qual se comprometeu a construir uma fábrica de equipamentos no Estado, totalizando investimento de R$ 10 milhões e abrindo 40 empregos diretos e 60 indiretos, que seriam acrescidos aos 500 funcionários da empresa.
Um dos principais entraves à nacionalização de uma fábrica no País é a característica cíclica do mercado local de telecomunicações. “Um ano tem muita encomenda e no ano seguinte não tem nenhuma”, alegou Byrro, da Nokia-Siemens. Por isso, exportar a partir do Brasil torna-se uma medida muito salutar para manter o nível de produção local. A Ericsson exporta para América do Sul e África. A Nokia-Siemens também inclui nos projetos de fabricação a venda para países da América Latina como suporte à estabilidade.
Ao produzir localmente, a empresa obtém redução de custos de cerca de 15% em relação ao material importado, devido à isenção de impostos e benefícios do Processo Produtivo Básico (PPB).
Embora haja incentivos fiscais e acesso a financiamentos do BNDES, não é fácil obter vantagens ao produzir pequenas quantidades de alguma linha de equipamentos. Por isso, a Ericsson considera sua escolha como investimento no futuro e espera multi-plicar os resultados. “A primeira encomenda costuma ser tímida, mas depois as operadoras vão definindo expansões freqüentes para poder atender à demanda e ao aumento do interesse pela nova tecnologia”, disse Duprat.
No caso de 3G, há um inusitado mercado sendo aberto, o do tráfego de dados por celular, cujas expectativas são de grande disseminação. É esperado, inclusive, que a universalização da banda larga seja possível através das redes sem fio.
A chinesa ZTE conquistou um pequeno contrato na BrT e se integrou ao time das fornecedoras de equipamentos de 3G. Segundo especialista do setor, há um caminho árduo a ser percorrido pelas empresas recém-chegadas. “Primeiro elas oferecem preço baixo e conquistam clientes”, diz a fonte que pediu para não ser identificada. Depois elas têm de comprovar que a parte técnica tem ompetência e atende aos requisitos de boa operacionalização, continuou. “Por fim, é preciso manter assistência técnica impecável para justificar o aumento das encomendas, e isso é o mais difícil para quem é novato no mercado”, alegou o executivo.
A estatal chinesa ZTE está na primeira fase e, segundo se comenta no mercado, pratica aqui preços inferiores à China. A Huawei teria passado à segunda etapa, depois de oito anos de presença no País.
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