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Sombra do Google paira sobre fracasso no acordo Microsoft-Yahoo

No fim, o Google teve um papel significante na desistência da Microsoft em comprar o Yahoo, último exemplo da habilidade do buscador criado por Larry Page e Sergey Brin em interferir nas tentativas da Microsoft em melhorar seu negócio de publicidade online.

Enquanto a principal razão pela Microsoft ter desistido da compra foi o desacordo pelo seu preço, o Google serviu a munição que o Yahoo precisava para desencorajar a Microsoft de iniciar seu processo de aquisição hostil.

Pelo menos, é assim como o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, entende. Como argumentado na carta aberta enviado no sábado comunicando a desistência ao co-fundador e CEO do Yahoo, Jerry Yang, a Microsoft descartou a opção de uma aquisição hostil quando o Yahoo ameaçou terceirizar sua publicidade online para o Google.

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“Vimos com certa preocupação seu aparente plano de responder a uma aquisição hostil buscando um novo acordo que envolveria ou entregaria ao Google fatores chaves da busca online que o Yahoo tem hoje”, escreveu Ballmer. “Na nossa visão, tal acordo com o provedor dominante de busca tornaria a compra do Yahoo indesejável por diversos motivos”.

O gigante de buscas tem sido um espinho para a Microsoft por anos.

O Google atraiu diversos funcionários importantes da companhia de software, que entregavam cartas de despedidas para Ballmer enquanto se preparavam para se instalar no Googleplex. O Google conseguiu comprar a DoubleClick. Não satisfeito em humilhar a Microsoft em links patrocinados, o Google está entrando no setor de softwares, dominado pela Microsoft, com sua linha de programas online.

É justo assumir que a birra que Ballmer tem com o Google aumentou neste fim de semana, ao ver o Google entrar na questão e se apresentar ao Yahoo como um potencial responsável pelo fracasso no acordo.

Em sua carta para Yang, Ballmer afirmou que uma parceria com o Google “iria fundamentalmente sabotar a própria estratégia e a sobrevivência em longo prazo do Yahoo” ao forçar mais consumidores para a plataforma de publicidade do Google.

O Yahoo, evidentemente, não vê um possível acordo de publicidade com o Google como o suicídio corporativo que Ballmer tentar representar.

A companhia se negou a comentar sobre a caracterização feita por Ballmer do acordo com o Google, mas uma fonte familiar com os planos do Yahoo afirmou que a companhia não o plano para repelir a Microsoft.

“O acordo comercial foi sempre algo que o conselho de diretores considerou como parte da monetização do negócio de buscas”, afirmou a fonte. Um acordo para terceirizar o negócio de publicidade online do Yahoo para o Google ainda está em discussão, e poderá ser anunciado na próxima semana, afirma.

Enquanto o acordo prevê benefícios em curto prazo, no entanto, as conseqüências num período mais longo podem ser desastrosas para o Yahoo, e Ballmer gasta a maior parte da sua carta alegando que é este o problema do suposto acordo.

Um acordo do tipo enviaria uma mensagem confusa para anunciantes do Yahoo e preveniria o buscador de oferecer a clientes os benefícios de uma plataforma que unifique tanto anúncios na busca como visuais, escreveu Ballmer.

O executivo afirma que os engenheiros responsáveis pelo sistema de anúncios do Yahoo deixariam a empresa e que problemas regulatórios e legais se tornariam constantes para o Yahoo e qualquer outra companhia que se arriscasse em comprar o buscador.

Na carta, Ballmer também deixou claro que, se não fosse pelo prospecto do acordo com o Google, é provável que a Microsoft desse início ao seu plano para comprar o Yahoo de maneira hostil, forçando os acionistas do buscador a pedir a substituição dos membros do conselho, em estratégia conhecida como “guerra de proxy”.

Com isto, o Google ajudou a atingir o que sempre quis desde que a Microsoft anunciou sua intenção de comprar o Yahoo: de ver a proposta definhar. Por extensão, o Google consegue (mais uma vez) destruir os planos da Microsoft de fortalecer com velocidade sua operação online.

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