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Software embarcado é oportunidade para indústria brasileira

TV Digital, geladeiras inteligentes e ATMs [caixas eletrônicos] com recursos avançados. Dispositivos como esses estão ganhando espaço no mercado e impulsionando um segmento que, ao menos por enquanto, engatinha no Brasil: o de software embarcado. Nada mais é do que um sistema microprocessado que é encapsulado ou dedicado no aparelho ou sistema que controla.

“As empresas brasileiras começaram a explorar esse nicho há pouco tempo por entenderem que é uma estratégia eficiente. Elas inserem tecnologias de terceiros em seus produtos e aceleram o time to market”, afirma Paulo Riskalla, líder da área de Java OEM/Parceiros da Oracle para a América Latina.  

Parceiros em regime de Original Equipment Manufacturer (OEM), distribuem produtos comercializados em grande escala, como TVs, GPS etc, incorporando em seus equipamentos tecnologias de fabricantes como Oracle e Microsoft e as vendem aos usuários finais.

“Essa movimentação traz vantagens para o OEM que não precisa investir pesado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e pode se beneficiar de redução de custos e garantia de estabilidade e robustez já que o fornecedor já cuidou dessa parte”, detalha. “Uma fábrica não precisa criar outras fábricas para desenvolver o software necessário. Elas recorrem a um terceiro”, completa.

Potenciais negócios

Na opinião do executivo, esse segmento tende a crescer, por uma série de razões. O avanço da TV Digital é uma delas. Outro motivo é o avanço do setor máquina a máquina (M2M), que tem contribuído para a comunicação entre dispositivos, e medidores inteligentes de energia. “O que faltava até então para esse mercado saltar era a própria indústria de devices crescer. Agora, o Brasil vive um momento favorável e a expansão será acelerada”, afirma.

Segundo ele, a Oracle tem uma série de software que podem ser embarcados, mas ele destaca o Java, sistema operacional usado para desenvolver plataformas. “Java está presente em 3 bilhões de smartphones, 80 milhões de televisões, aparelhos Blu-Ray e 5 bilhões de SIM Card”, enumera. O grande diferencial do sistema, pontua, além da segurança, é a robustez e a possibilidade de reduzir custos.

“Temos investido nesse setor e nossa estratégia é acompanhar a demanda do mercado e possibilitar que empresas conquistem benefícios ao embarcar software em seus produtos”, assinala.

A Microsoft também tem apostado as fichas nesse setor. Julio Charpentier, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Windows Embedded da Microsoft para a América Latina, explica que o sistema operacional Windows Embedded é a oferta da empresa direcionada para dispositivos especializados.

De acordo com Charpentier, uma ATM com software embarcado, por exemplo, é mais segura e não permite o acesso ao sistema operacional com facilidade assim como acontece em um computador. O mesmo acontece com um sistema hospitalar.

“Automação, varejo e saúde são setores que têm impulsionado a demanda”, comenta. A Siemens, diz, é uma das empresas que usam o Windows Embedded para os sistemas voltados para hospitais que produz. Outros exemplos são Saraiva, Pão de Açúcar e Drogaria São Paulo.

A Saraiva adotou a tecnologia em seus pontos de venda (POS), como forma de aprimorar a experiência do cliente ao fechar a compra, especialmente em momentos de grande demanda, como Natal e outras datas especiais. O sistema, em épocas como essas, ficava sobrecarregado e a ideia era garantir agilidade no processo. A Compusoftware, empresa comprada pela Globalweb no final do ano passado, é um dos parceiros da Microsoft na área de Windows Embedded e contribuiu para o desenvolvimento do projeto na Saraiva.

A Microsoft quer triplicar os negócios no Brasil e está investindo no País para fazer daqui o maior celeiro de Windows Embedded. “Nossa ideia é ampliar a quantidade de canais para garantir penetração no setor”, diz.

Embora não revele números, o País, segundo a Microsoft, é o primeiro da América Latina em vendas do Windows Embedded. O México vem logo em seguida. “Estamos investindo em solo nacional. Os gastos com TI no Brasil são enormes e as oportunidades para nós também”, assinala.

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