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Software definindo network e data center: a verdadeira cloud computing

A nuvem chegou para o departamento de TI com a promessa clara de trazer flexibilidade e facilitar a rotina do CIO. Contratando uma solução como serviço, retira-se o peso da infraestrutura interna e da manutenção por ela exigida. Tudo estaria perfeito se não houvesse, ainda, um ambiente de rede por trás para prover a conexão de internet, peça vital para garantir que essa mesma nuvem consiga, enfim, reduzir a complexidade. Mas a espiral parece não ter fim, já que onde há hardware, há especificações necessárias para sua gestão. E esta tem sido a limitação da nuvem. Contudo, as tecnologias de redes definidas por software (SDN, da sigla em inglês) e data center definido por software (SDDC, da sigla em inglês) prometem abstrair essa complexidade e trazer a real computação em nuvem.

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O próprio gestor de TI já tem direcionado seus investimentos para soluções mais inteligentes, que garantam não somente um hardware de bom desempenho, mas um ambiente com resposta mais assertiva. Dados do estudo ?Antes da TI, a Estratégia?, produzido pela IT Mídia com CIOs das mil maiores empresas do Brasil em 2012, mostram que 62,7% dos respondentes, olhando para aquisições a serem realizadas num período de 12 a 24 meses, levarão em consideração a compra de soluções estratégicas, com impacto nos processos e negócios da empresa. No levantamento do ano anterior, essa proporção era de 60,1%. Em segundo lugar, com 25%, esta a ênfase na contratação de serviços de terceiro, com foco em hosting, colocation, BPO, helpdesk, call center, entre outros, contra 26,6% do ano anterior. Por último, é importante observar uma redução no foco da aquisição de itens com menos valor agregado, considerado como commodity por possuir baixa inovação, com redução de 13,3% para 12,3% no intervalo de um ano.

?Chegamos a uma nova forma de operar as redes. Você pode gerenciar configurações de múltiplos devices e redes de forma mais fácil e integrada. Isso torna a operação mais dinâmica?, afirmou Milind Govekar, analista do Gartner, durante evento realizado recentemente no Brasil. O especialista colocou as redes definidas por software no segundo lugar de uma lista com as principais tecnologias e tendências que impactarão a TI nos próximos cinco anos, perdendo apenas para ?disrupção e organização?, já que, até 2014, por exemplo, 30% das organizações usarão software como serviço (SaaS, da sigla em inglês), substituindo compras no modelo tradicional.

Como funciona

A virtualização de desktop, servidor e aplicações já é realidade há anos. Sua extrapolação para a rede começou em 2007, quando a Universidade de Stanford e a Universidade da Califórnia iniciaram a produção do protocolo OpenFlow, um framework de código aberto que padroniza a comunicação dos hardwares com a camada de software responsável pela abstração dos equipamentos. ?Esse software vai montar o mapa da rede, descobrir switches, roteadores e wirelless points?, explicou Antonio Mariano, diretor de pré-vendas da HP Networking no Brasil. O que existe, portanto, é um espaço central de gerenciamento, no qual a capacidade de cada hardware pouco importa, o que vale é o conjunto da obra. ?SDN tem a ver com virtualização. E a ideia é permitir que você, de um ponto único, programe a rede toda?, explicou. O processo atual exige uma configuração item a item e demanda gestão constante de todos os componentes.

Mas a dor do processo desta evolução não tende a ser a mesma assistida na migração do IPv4 para o IPv6. ?Algumas empresas já começam a adotar esse tipo de tecnologia com a compra de equipamentos. É um processo que está seguindo seu curso, mas que não será tão dramático quanto a migração do IPv4. É um grau diferente, porque nem tudo terá de ser reescrito, mas deve haver uma adequação do software atual?, contextualizou Kevin Curran, membro sênior do organização mundial Institute of Electrical and Electronic Engineers (Ieee) e chefe da escola de computação e sistemas inteligentes da Universidade de Ulster. ?Basicamente, o gestor de TI quer manter seu trabalho e tudo otimizado 99,99% das vezes, e o SDN traz isso para a rede?, comparou.

Durante a Interop Las Vegas, evento realizado em maio deste ano, o tema principal já era a evolução que a tecnologia de cloud computing e virtualização geram no ambiente físico da empresa, com a ?softwarerização? do hardware. Os conceitos de maior destaque foram SDN e SDDC e, em meio ao evento, era clara a mensagem de refletir sobre uma solução, que é o que o cliente espera. O que tem no meio já não importa muito. E tanto os profissionais técnicos quanto os fornecedores precisarão mudar a forma de encarar e trabalhar com tecnologia.

?Nos últimos dez anos vimos uma corrida para softwares definindo orquestração de aplicações, sistemas operacionais e máquinas virtuais. E o mesmo aconteceu com storage. Mas o que ainda não vemos é a virtualização de rede, já que essa área da empresa ainda é basicamente formada por caixas?, contextualizou John Harcourt, fundador da Vello System, companhia criada para operar no mercado de SDN, durante o evento. Segundo o executivo, a rede definida por software foi um processo natural e uma demanda do próprio mercado por menos complexidade. ?Um serviço que levaria muitas semanas para ser configurado pode ser feito em segundos usando um software de abstração de rede?, explicou.

Rodrigo Rezende, engenheiro de sistemas sênior da VMware, entende que o debate, agora, não está mais centrado na virtualização do PC, da rede ou do storage, mas na independência do hardware. E quanto maior ela for, mais flexibilidade terá o gestor, entende o especialista. Dentro do movimento de SDDC, Rezende afirma que é possível migrar todo o conteúdo de um data center para outro de forma automática, com poucos comandos por meio de uma central. ?Alguns clientes estão adotando em fase de teste, mas não em aplicações críticas. É importante frisar que a tecnologia não vai resolver o problema. Tem que pensar nas pessoas, novos cargos, novas formas de consumir os recursos?, alertou. ?A TI está enfrentando uma dificuldade, porque outras áreas passam a comprar serviços de forma independente e resta a eles fazer a gestão. A TI precisa ser mais rápida, e soluções como o SDDC vão ajudar.?

Mas quando?

Sair do papel e se configurar como uma tendência é algo que leva tempo. Apesar do afã em torno do tema, os primeiros projetos começam a surgir. No Brasil, não foi possível obter estudos de caso envolvendo SDN ou SDDC. A VMware anunciou ter cerca de 60 projetos em curso no exterior. A HP vê movimentos piloto com universidades e a divulgação de iniciativas dentro da área de educação no ano que vem.

Para Curran, do Ieee, saberemos somente em 2013 se a virtualização da rede e do data center realmente vai se consolidar e confirmar como tendência no mercado corporativo, extrapolando a contratação de clientes provedores. Mas fica o alerta. ?Uma habilidade que falta em TI é boa especialização em segurança. A virtualização neste nível traz uma necessidade de conhecimento que precisa ser aprendida. Mas, virtualização ainda é complicado de proteger hoje?, finalizou.

 

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