Notícias

Será que é possível criar uma empresa invencível?

Quando você tem dinheiro, inevitavelmente, vai criar algo que ninguém quer. Uma baita frase de efeito, que tem o suporte de uma porção de dados e exemplos durante a palestra do especialista em inovação e cofundador da consultoria Strategyzer, Alex Osterwalder. O palestrante foi um dos destaques da abertura do Liga Open Innovation Summit, evento digital voltado para empreendedores e promovido pela aceleradora de startups Liga Ventures, nesta terça-feira (22). O tema da apresentação foi “Como construir empresas invencíveis”. E a primeira dúvida que surge é: afinal de contas, isso é possível?

Durante sua palestra, Osterwalder apresentou sua visão para como a inovação permite que as empresas se mantenham renováveis e, assim, virtualmente invencíveis. O suíço é reconhecido entre no ecossistema de startups por seu trabalho com modelagem de negócios e coautor do livro Business Model Generation e desenvolvedor do Business Model Canvas.

Não é apenas investimento

Voltando à sua declaração sobre empresas com dinheiro sobrando, o palestrante explica que, em geral, negócios que já possuem um investimento alto desde o começo estão mais distantes da inovação. Ou seja, não precisam mostrar uma prova de conceito — e vão direto para a etapa de um plano de negócios fantasioso. “O plano de negócios é um inimigo da inovação, investimos nele sem ter testado a ideia ainda”, comenta Osterwalder.

Nesse caso, o aplicativo que exemplifica a regra é o Quibi, que é um concorrente da Netflix com foco em vídeos para  celulares. Não falta para a startup investimento e nomes famosos. Mas, será que ela é o que os usuários querem, questionou o especialista.

Osterwalder ainda lembrou de exemplos como o Nintendo Wii, videogame da companhia japonesa que vendeu mais de 100 milhões de unidades. Montado com tecnologias que já estavam disponíveis, como controles de movimento. O console é um dos mais bem sucedidos da história. Sua inovação? O Wii fugiu do esteriótipo tradicional e buscou, essencialmente, um novo público: o gamer casual.

Inovação é jardinagem

Segundo o especialista, é importante observar a inovação sob diversos aspectos. De cara, o que a maioria das companhias faz é focar em inovação voltada apenas para a eficiência do modelo de negócios já desenvolvido. Para Osterwalder esse tipo de investimento é importante, mas não pode ser o único. Além disso, o palestrante ressalta a imprevisibilidade da aposta em formatos que estão na fronteira.

“Quando falamos de inovação, você não tem a certeza que uma ideia vai dar certo. Se você acha que sabe qual inovação terá sucesso está sendo arrogante”, comenta o especialista. Osterwalder ainda acrescenta: “a indústria inteira de venture capital investe em um portfólio de ideias porque eles sabem que, provavelmente, só uma delas vai dar certo”.

No entanto, para realmente abraçar essa cultura de inovação, Alex Osterwalder acredita que é preciso ajustar as expectativas. Primeiro, pensar inovação como algo incerto, mas que é preciso fomentar. Algo como preparar um solo fértil para que as ideias possam surgir, crescer e claro, dar frutos. “Você não desenvolve cultura de inovação como monta um carro, você faz isso como se fosse um jardim”, aponta Osterwalder.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

13 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

16 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

19 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago