Será que as respostas que preciso para meu negócio estão exclusivamente no analytics?

Costumo sempre dizer que o BI é um ser vivo e o que dá certo hoje pode não se aplicar amanhã. Tudo é mutante. Os clientes mudam, o mercado muda, os dados mudam. Ter isso claro é algo decisivo para que o analytics traga resultados para uma empresa. Outro ponto fundamental é saber o que se quer e o que se espera. A tecnologia por si só não resolve todos os problemas e traz todas as respostas.

E, há alguns dias lendo um artigo chamando Is analytics the answer?, que saiu na CFO Magazine voltada para executivos da área financeira, voltei a refletir sobre isso.

A Forrester estima que o mercado global de ferramentas avançadas de análise crescerá de US$ 10,3 bilhões em 2017 para US$ 18,6 bilhões até 2021, taxa de crescimento anual composta de quase 16%. Embora, como o próprio artigo salienta, a maioria das empresas nos EUA esteja adotando as ferramentas analíticas, ainda é contestável se a solução de todos os problemas está nelas.

Parece contraditório alguém que trabalhe em uma empresa que fornece esse tipo de solução faça essa colocação, mas assim como o autor do artigo e indo totalmente ao encontro da pesquisa 2017 CFO IT Survey, concordo que os projetos de análise de dados são “cheios de pontos problemáticos, obstáculos e becos sem saída”. As empresas não podem esperar que um software ou a inteligência artificial faça tudo sozinho.

As aplicações de BI ajudam sim a trazer insights; dar pistas do que está certo ou errado; sinalizar que um cliente está prestes a te abandonar; mostrar quais produtos você vendeu mais, entre outras inúmeras possibilidades.
Mas o que talvez ainda não esteja claro é que a inteligência artificial e as máquinas nunca vão substituir o ser humano. O feedback de quem está próximo desse cliente ou então conhece a operação e quem está lá na outra ponta são fundamentais. Ou seja, é preciso que, para que essa informação faça sentido, alguém a analise e identifique falsos positivos, com base no histórico daquela informação.

O artigo também é enfático em dizer que as pessoas, e eu também acho que deve ser assim, têm de entender que estamos diante de uma nova realidade: não adianta ter ferramenta se quem usa a informação não souber o que está precisando. O BI ou o analytics dá as respostas e uma visão 360° da empresa, desde que as perguntas sejam inteligentes. Não se pode fazer uma pergunta fechada, por exemplo, e querer ser preditivo, é preciso que seja uma pergunta aberta, com o olhar de quem conhece o negócio e sabe o que quer.

Os projetos de BI não morrem, eles enfraquecem. É preciso pensar o que é necessário para a tomada de decisão e não somente oferecer informações do que já aconteceu. Muita gente olha o BI só como passado. BI traz sim boas respostas, mas a cabeça das pessoas faz toda a diferença para que se tenham as respostas certas.

*Cynthia Bianco é presidente da MicroStrategy no Brasil

Recent Posts

Neil Redding abre IT Forum Praia do Forte 2026 com debate sobre liderança na era da IA

Neil Redding será o palestrante de abertura do IT Forum Praia do Forte 2026. Com…

43 minutos ago

47% das empresas brasileiras devem adiar migração para a nuvem nos próximos três anos

Apesar da consolidação da computação em nuvem como um dos pilares da transformação digital, uma…

1 hora ago

Deepfakes, IA e software open source lideram lista de ameaças críticas para empresas, diz Gartner

As equipes de segurança cibernética enfrentarão um cenário cada vez mais complexo nos próximos anos,…

3 horas ago

Apenas um em cada três americanos aprova a construção de data centers

Apenas uma em cada três pessoas dos Estados Unidos aprova o ritmo acelerado de construção…

4 horas ago

Copa do Mundo 2026 vira laboratório global para IA, dados e infraestrutura digital

Desde o início do ano, a redação acompanha como a Copa do Mundo 2026 extrapola…

4 horas ago

NiCE cria hub de pesquisa para acelerar adoção de IA agêntica nas empresas

A NiCE anunciou a criação do NiCE Labs, um laboratório voltado ao desenvolvimento e à…

4 horas ago