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Saiba por que o smartphone do Facebook é loucura

HTC decidiu reforçar a sua relação com o Facebook, em vez do Google, e vai avançar com planos de fabricar um telefone do Facebook, reportou o site DigiTimes. Citando fontes familiarizadas com os planos da HTC, a publicação acredita que a empresa vai lançar o smartphone da marca para o mercado durante o terceiro trimestre deste ano.

O raciocínio por trás da decisão é que a HTC se sente queimada pela relação mais estreita do Google com a Samsung. A companhia construiu o primeiro Nexus para a gigante de buscas (Nexus One), mas o esse escolheu a Samsung para fabricar os dois últimos smartphones da família (o Nexus S e o Galaxy Nexus). Pior, fontes da cadeia de suprimentos sugerem que a Samsung já foi escolhida para produzir o quarto aparelho da marca. Isso fez a HTC acreditar que precisa de um novo parceiro no segmento de smartphones para ajudar a alavancar os negócios.

“O novo smartphone Android a ser desenvolvido pela HTC vai ter uma plataforma exclusiva para Facebook para habilitar e integrar todas as funções disponíveis nosite de redes sociais”, disse o relatório. Loucura. Aqui está o porquê.

1. INQ: uma empresa britânica chamada INQ vendeu telefones do Facebook durante anos. Tudo começou com um featurephone que usou ferramentas do Facebook para desenvolvedores ligarem o banco de dados de contato e fornecerem acesso direto a recursos como postar atualizações de status, comentários e conversas por mensagens instantâneas. O hardware foi medíocre na melhor das hipóteses. Mais tarde a empresa passou a fornecer uma camada de interface de usuário no topo da plataforma Android e criou diversas novas linhas de telefones. Eles nunca pegaram e INQ está quase extinta.

2. HTC Salsa/ChaChaCha: em fevereiro de 2011, HTC lançou dois smartphones focados no Facebook, o Salsa e o ChaChaCha. Ambos tinham um botão que poderia ser usado para compartilhar automaticamente o que estava na tela do dispositivo com os amigos da rede social. O próprio botão teria pulso quando novas mensagens no Facebook aguardavam a atenção do proprietário. Não preciso dizer que eles não foram bem sucedidos.

3. Android/iOS: o nível atual de integração do Facebook com o Android e iOS faz com que um aparelho dedicado seja completamente discutível. A rede social já oferece aplicativos sofisticados que combinam bem com o mundo das duas plataformas mais populares de smartphones. Há pouca necessidade e pouco mercado para um telefone que faz apenas uma coisa assim. A maioria dos usuários precisam de seus smartphones para se destacarem em muitas tarefas, não apenas em uma. Mesmo o Windows Phone e aplicativos do BlackBerry oferecerem acesso digno aos recursos da rede social. É difícil ver como ele se diferenciaria de um smartphone normal.

4. Vendas de smartphones: a HTC já vende smartphones rodando Android e Windows Phone, bem como alguns dispositivos que executam o Brew da Qualcomm MP. Será que o novo dispositivo será baseado no Android, no Brew MP ou no Windows Phone? Também temos a opção de uma plataforma proprietária. A HTC acaba de lançar seus três dispositivos no ano, o One S, One X e One V – e todos eles rodam a última versãoda da plataforma Android, do Google. A empresa precisa que esses dispositivos sejam bem sucedidos, para ganhar tração no mercado. Ganhar freios com um dispositivo experimental é a última coisa que a HTC precisa no momento.

Não sugiro que não há mérito na ideia de um smartphone do Facebook. Atualmente, porém, todos os dispositivos dedicados nesse sentido falharam. E a HTC sabe como isso é ruim. Ela já teve experiência parecida.

 

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