Embora os prestadores de serviços terceirizados de TI possuam “pacotes completos” para atender, de uma vez só, todas as necessidades dos clientes, os líderes dos departamentos de tecnologia devem pensar duas vezes antes de assinar um contrato de outsourcing. O cuidado começa na avaliação se vale a pena ter apenas uma única RFP (do inglês, solicitação de proposta dos fornecedores), que contemple desenvolvimento, manutenção de aplicações e infraestrutura.
O sócio da consultoria especializada em terceirização Pace Harmon, Steve Martin, defende que tanto o modelo de solicitação de proposta única para todos os recursos necessários à TI, quanto o padrão de buscar ofertas específicas para cada necessidade do departamento têm vantagens e desvantagens. “E a decisão de como atuar deve ser analisada caso a caso”, pontua Martin.
Vantagens da RFP única
A união de todas as ofertas em um único “pacote” de serviços pode gerar benefícios como a redução do valor final do contrato. Além disso, esse modelo elimina o problema de ter de gerenciar múltiplos fornecedores.
“Atualmente, são poucos os clientes que optam por apostar todas as suas fichas em uma única empresa”, afirma Martin, que complementa: “Poucas são as possibilidades de sinergia que beneficiam realmente o cliente de um fornecedor só.”
Desvantagens da RFP única
De acordo com o consultor, a lista de desvantagens associadas à condução de um RFP única é longa. Cada prestador de serviço possui uma especialidade, ou tem mais conhecimento para atuar em determinado segmento. Assim, uma proposta única não permite que a empresa contratante explore o melhor de cada fornecedor.
Ademais, é muito difícil para um fornecedor terceirizado conciliar a gestão da infraestrutura de TI e, ao mesmo tempo, desenvolver e gerenciar aplicações. “Não dá para sincronizar o encerramento de antigos acordos para que os novos possam ser fechados em conjunto”, diz Martin, que complementa: “Contratos únicos diminuem o senso crítico do cliente em relação ao prestador de serviço, o qual pode se acomodar e não dar o máximo para satisfazer o contratante.”
Outro ponto a se considerar é que, uma vez escolhida a opção de RFP única, o cliente não pode mudar de ideia antes do encerramento do contrato. “Tentar cancelar uma parte do acordo devido ao desempenho insatisfatório gera desentendimentos que podem tornar a parceria inviável”, explica o especialista.
Outras considerações
O consultor destaca ainda que unir RFPs distintas simplifica a gestão de fornecedores para o líder de TI. “Por outro lado, o cenário de prestação de serviços é o mesmo – cultura organizacional, estrutura tecnológica e estratégia corporativa –, mas as exigências, estruturas, termos e condições de trabalho são diferentes no caso da terceirização da infraestrutura e do desenvolvimento e manutenção das aplicações”, pondera.
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